A Noite do Circo está de volta ao <em>sui generis</em> Museu de Lamas
Vai apenas para a sua terceira edição, mas a Noite do Circo já conquistou o público de Santa Maria da Feira. O microfestival decorre nos dias 14 e 15 de Novembro, no Museu de Santa Maria de Lamas, e bastaram sete horas para que todos os seus bilhetes (gratuitos) se esgotassem na plataforma BOL. Os interessados em conhecer as propostas de circo contemporâneo não devem, porém, desanimar – a autarquia feirense alerta que há sempre desistências, convém estar atento.A Noite do Circo realizou-se pela primeira vez em 2023, num único espectáculo que teve lugar no Cineteatro António Lamoso, e no ano seguinte evoluiu para “um microfestival intimista e transformador”, tendo-se transferido para Lamas, onde mora o sui generis museu fundado nos anos de 1950 pelo industrial da cortiça Henrique Amorim (1902-1977). É lá que, nos dias 14 e 15 de Novembro, voltam a abrir-se as portas “a artistas nacionais e internacionais, emergentes e consagrados, com o propósito de valorizar e afirmar o circo contemporâneo em Portugal”, adianta a Câmara Municipal de Santa Maria da Feira numa nota de imprensa.Integrando a programação internacional La Nuit du Cirque, o festival feirense apresenta este ano seis propostas artísticas, que vão da contorção e manipulação de objectos ao circo de precisão; do malabarismo, acrobacia e dança ao arame; do mastro chinês ao vídeo documental. São da autoria de nove artistas de sete nacionalidades.
“Isla of Flightless Birds” junta uma artista eslovena e um brasileiro
DR
Isla of Flightless Birds, com estreia marcada para Lamas, é uma das criações em foco: resultou de uma chamada aberta feita pelo Cineteatro António Lamoso e junta no mastro chinês a artista eslovena Tyasa Dobravez e o brasileiro Fernando Nogueira, ambos a residir em Portugal. Destaque também para o espectáculo Parblex, da dupla francesa Jean-Paul Lefeuvre e Didier André, performance de circo de precisão “marcada por peripécias do quotidiano transformadas em admiráveis habilidades”, em que “o absurdo se transforma em riso”. O programa completo pode ser consultado em www.cm-feira.pt/noite-do-circo.Na edição deste ano há outra novidade: o projecto de mediação Circo sem Idade, que os portugueses Cia Absurda desenvolveram com idosos da Associação Bem-Estar de Santa Maria de Lamas. Trabalhando a precisão com a população sénior, os artistas da Cia Absurda produziram um vídeo documental que estará em exibição durante os dois dias do evento.A Noite do Circo apresenta-se ao público em três blocos de programação (sexta-feira à noite, sábado à tarde e sábado à noite) e é também uma boa oportunidade para o público ficar a conhecer o Museu de Santa Maria de Lamas, repositório de milhares de objectos pessoais que o industrial da cortiça Henrique Amorim foi juntando de forma quase compulsiva. Há arte sacra dos séculos XIII a XX, artes decorativas, pintura e estatuária contemporânea, escultura em cortiça, arqueologia industrial e iconografia do fundador, “dispostos ao estilo de gabinete de curiosidades ou quartos das maravilhas europeus dos séculos XV a XVII”, conforme se lê no site do museu.O complexo do museu foi edificado de raiz, tendo a sua primeira fase ficado concluída em 1959. Até 1977, data da morte do fundador, foi sendo progressivamente aumentado. Nos primeiros anos do século XXI, “uma intervenção científica de fundo” possibilitou uma reorganização do acervo. Em 2018, o Ministério da Cultura reconheceu-lhe a valia no “enriquecimento do património cultural”, integrando-o na Rede Portuguesa de Museus.










