SAÚDE E BEM ESTAR

A nova era da medicina: os avanços do maior programa público de transplantes do planeta

Xenotransplante: o primeiro porco criado no país para doar órgãos a humanos (Docme Comunicação/Genoma USP/.)

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Em 1968, no mesmo ano em que VEJA veio ao mundo, o Brasil testemunhou seus primeiros transplantes de coração e fígado, símbolos de uma medicina heroica que estava aprendendo a ultrapassar limites antes inimagináveis, criando técnicas sofisticadas para manipular o corpo humano e buscando driblar a resistência natural do sistema imunológico a um órgão alheio. Duas décadas depois, sob o comando do médico Silvano Raia, o país despontaria na vanguarda ao realizar o primeiro transplante hepático entre doador e receptor vivos no mundo — um feito inédito estampado na capa da revista. Com o avanço científico, as operações se tornaram mais bem-sucedidas e, a partir da implantação do Sistema Único de Saúde (SUS), o Brasil viria a consolidar o maior programa público de transplantes do planeta. Hoje, são mais de 30 000 procedimentos por ano. Ainda assim, há mais demanda que oferta de órgãos — o que acarreta uma interminável e angustiante fila de espera. Para contorná-la, pesquisadores brasileiros mais uma vez estão assumindo a dianteira, em um trabalho até então capitaneado por Raia, que faleceu em abril passado aos 95 anos. Seu legado persiste com o anúncio do primeiro porco clonado, após edição genética, para fornecer órgãos a seres humanos. Pioneira na América Latina, a equipe da Universidade de São Paulo (USP) responsável pelo projeto dá um importante passo rumo a uma nova era da medicina, em que órgãos poderão ser adquiridos de outras espécies sem risco de rejeição ou até mesmo criados em laboratório.
Publicado em VEJA de 19 de junho de 2026, edição nº 3000

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