Muito além do Ozempic: remédios em pesquisa prometem maior potência e outras vantagens
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A indústria farmacêutica vive uma revolução no tratamento da obesidade e diabetes. Mounjaro é o remédio mais lucrativo, mas novas drogas prometem perdas de peso históricas (até 35%), aplicações mensais e foco na queima de gordura sem sacrificar músculos, mudando o paradigma da saúde e o risco cardiovascular. Acompanhe os avanços!
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
A história da indústria farmacêutica foi reescrita com uma caneta para o tratamento da obesidade e do diabetes. O Mounjaro, uma injeção semanal que atua no controle do peso e da glicose no sangue, tornou-se o medicamento mais lucrativo do planeta. Em 2025, gerou uma receita de 36,5 bilhões de dólares, superando uma droga contra o câncer que liderava o ranking desde 2023 e, no ano passado, alcançou o faturamento de “apenas” 31,6 bilhões de dólares. A última geração de remédios para emagrecer, estrelada por Mounjaro (tirzepatida) e Wegovy (semaglutida), transformou aspirações, hábitos de consumo e a economia. E tudo indica que outros capítulos dessa revolução científica virão à luz nos próximos anos. Já podemos vislumbrar no horizonte canetas que chegam a enxugar mais de 30 quilos, ou que poderão ser utilizadas apenas uma vez por mês.
De fato, o arsenal terapêutico para a obesidade está mudando. Com a queda da patente da semaglutida, há uma corrida por versões similares e mais baratas, que deverão ampliar o acesso e fazer frente inclusive ao mercado paralelo e irregular. Também são esperados, para 2027, comprimidos diários com os mesmos mecanismos de ação das canetas, caso do Wegovy oral e do orforglipron (veja o quadro). No entanto, são as medicações injetáveis em desenvolvimento que ostentam algumas das promessas mais estrondosas, como demonstraram pesquisas recém-apresentadas no congresso da Associação Americana do Diabetes, em Nova Orleans.
Um dos remédios mais aguardados da categoria é a retatrutida, do mesmo fabricante do Mounjaro, o laboratório Eli Lilly. Na fase final de estudos, pessoas com obesidade que usaram a caneta semanal perderam cerca de 30% do peso após 104 semanas de tratamento — e mais de um quarto dos pacientes logrou eliminar 35%. “São resultados que se aproximam da cirurgia bariátrica”, diz o médico Clayton Macedo, diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. “Eles representam um momento histórico diante da obesidade.” E não só por causa do corte de gordura. Quem tinha pré-diabetes e tomou a medicação viu os níveis de glicose voltarem ao normal e as taxas de colesterol e triglicérides baixarem consideravelmente. “São mudanças capazes de alterar profundamente o risco cardiovascular no longo prazo”, afirma Macedo.
Os concorrentes também estão atrás de soluções disruptivas. Se a retatrutida mimetiza três hormônios para potencializar o emagrecimento, a aposta da alemã Boehringer Ingelheim está numa caneta semanal que propicia perda de gordura sem sacrificar os músculos. Esse é um diferencial e tanto, uma vez que um dos principais efeitos colaterais dos chamados análogos de GLP-1 — o nome técnico da categoria — está na diminuição da massa magra. A survodutida imita dois hormônios e procura justamente driblar esse imbróglio.
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Nos estudos, a substância levou à redução média de 16% do peso inicial, mas a qualidade dessa perda chamou a atenção dos especialistas: em 20 quilos perdidos, aproximadamente 2 quilos eram músculos, uma evidência de que a maior parte do que foi eliminado era gordura mesmo. Gordura que, segundo exames de imagem, saiu do abdome e do fígado, o pior tipo para a saúde. “Estamos prestes a vivenciar uma mudança de paradigma em que o objetivo deixa de ser apenas emagrecer, mas perder o que importa, preservando aquilo que é relevante para a qualidade de vida, os músculos”, analisa o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, da USP de Ribeirão Preto.
Na busca por diferenciais, a americana Pfizer apresentou um tratamento experimental que pode inaugurar um novo regime de aplicação das canetas, com doses mensais. A berobenatida é baseada no tal do GLP-1, o mesmo princípio da semaglutida, mas, depois de aplicações semanais, provou sustentar o processo de perda de peso com uma picada por mês — a redução foi da ordem de 16% da massa corporal até o momento. Faz sentido buscar uma saída assim: doses mais espaçadas podem melhorar a adesão ao plano terapêutico, um dos gargalos no controle do peso hoje.
Outras moléculas, na forma de injeção ou pílula, estão em testes. A dinamarquesa Novo Nordisk, dona de Ozempic e Wegovy, se associou a uma empresa chinesa e já avalia um possível concorrente da retatrutida: a medicação, em estágio mais precoce de pesquisa, obteve perda de quase 20% do peso em menos de seis meses — um resultado relativamente rápido. Todos esses candidatos terão de passar pelo rito científico para provar segurança e eficácia, uma etapa decisiva antes de chegar ao mercado, e não dispensarão mudanças de hábito. Por ora, são promessas — e qualquer um que tentar vendê-las ou prescrevê-las estará infringindo as regras. Em alguns anos, porém, poderão estar entre nós, reescrevendo o destino de muita gente.
Publicado em VEJA de 19 de junho de 2026, edição nº 3000









