Morre Angelita Habr-Gama, médica que revolucionou o tratamento do câncer colorretal
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A cirurgiã Angelita Habr-Gama, pioneira no tratamento do câncer colorretal e símbolo da medicina brasileira, faleceu aos 93 anos. Sua metodologia “Watch and Wait” revolucionou o campo, preservando a qualidade de vida dos pacientes. Ela também abriu caminhos para mulheres na cirurgia e foi premiada internacionalmente.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Uma das maiores referências no Brasil e no mundo por ter revolucionado o tratamento do câncer colorretal, a cirurgiã coloproctologista Angelita Habr-Gama morreu aos 93 anos na noite deste sábado, 30, no Hospital Alemão Oswaldo Cruz, instituição onde atuou por mais de 40 anos. Angelita estava internada desde o último dia 6 e as causas da morte não foram divulgadas.
Nascida na Ilha de Marajó (PA), Angelita escreveu mais de 260 artigos publicados em renomadas revistas científicas e recebeu mais de 50 prêmios por seus trabalhos, que se caracterizavam pelo pioneirismo e foco na preservação da autonomia e qualidade de vida dos pacientes.
Em 1991, desenvolveu um método adotado até os dias atuais para o tratamento do câncer colorretal. Era o ousado “Watch and Wait“, de observação e espera para acompanhar a evolução do tumor após o tratamento com radio e quimioterapia antes de adotar a abordagem mais invasiva, que é fazer uma cirurgia radical. Assim, reduzia o risco de intercorrências e infecções.
Sempre foi uma profissional que encarou desafios e abriu portas para que mais mulheres atuassem como médicas, principalmente em especialidades antes dominadas por homens.
Foi a primeira mulher a exercer a função de professora titular de uma especialidade cirúrgica da Faculdade Medicina da Universidade de São Paulo, no caso, a coloproctologia. Também foi a primeira mulher a entrar para a American Surgical Association como membro honorário e foi a criadora da disciplina de coloproctologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), bem como da Associação de Prevenção do Câncer de Intestino.
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Suas principais marcas eram a paixão pela profissão e o interesse em sempre ampliar o conhecimento. Era uma profissional que acompanhava a inovação. “Tenho a chance de aliviar a dor e a oportunidade de estar sempre como estudante”, disse a VEJA depois de ser a primeira mulher e a primeira pessoa da América Latina a receber medalha Bigelow, láurea da Sociedade de Cirurgia de Boston, nos Estados Unidos, concedida a cirurgiões que contribuem para o progresso científico.
Luta pela vida na pandemia de covid-19
Durante a maior crise de saúde pública enfrentada pelo mundo neste século, a pandemia de covid-19, Angelita se tornou um símbolo de resiliência e luta pela vida.
Ao participar de um congresso em Jerusalém, foi infectada pelo vírus da covid-19 e evoluiu para a forma grave da doença. Foi intubada e passou 52 dias internada, história que relatou em série especial de VEJA publicada no ano passado.
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Recuperada, voltou a trabalhar e a “aproveitar a vida”. Angelita era uma pessoa que valorizava muito cada dia de sua existência assim como celebrava os dias de vida dos pacientes que salvava.
Em nota, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz lamentou a morte de Angelita. “Conselho de administração, direção, corpo clínico e assistencial e colaboradores estão profundamente consternados com esta perda irreparável para medicina brasileira. Perdemos uma grande profissional e uma colega de quem sempre iremos nos lembrar com respeito, gratidão, carinho e admiração.”










