SAÚDE E BEM ESTAR

Carta ao Leitor: Revolução em curso

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Assim como o Viagra em 1998, os medicamentos da classe GLP-1, como Ozempic e Wegovy, revolucionam o tratamento da obesidade. VEJA explora o impacto da chegada das pílulas e a quebra de patentes, que prometem baratear e expandir o acesso a um mercado bilionário, com a devida análise dos benefícios e riscos.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

Em 1998, o lançamento do Viagra alforriou o sexo masculino de um de seus mais angustiantes desconfortos: a disfunção erétil. Foi uma extraordinária revolução comportamental, que ecoa ainda hoje entre os casais. Em reportagem de capa em tom um tanto exagerado, é verdade, mas muito perto da realidade, VEJA anotou: “A pílula milagrosa”. O texto iluminava o estrondoso impacto: “É uma grande notícia para milhões de homens. E para muitas mulheres também. Pela primeira vez, um dos mais angustiantes, constrangedores e aterrorizantes problemas masculinos, a impotência, poderá ser tratado de forma tão simples quanto curar a dor de cabeça com uma aspirina”.
A drageazinha azul e seus derivados, passadas quase três décadas, são recurso de nosso cotidiano. É mercado estimado, globalmente, em mais de 3 bilhões de dólares. Apenas no Brasil, no ano passado, mais de 64 milhões de unidades foram vendidas. O movimento de explosão de uma categoria de medicamentos, inicialmente de espanto e depois de alguma tranquilidade, dados os efeitos reais e comprovados, parece multiplicar-se, agora, com a família de remédios da classe dos análogos de GLP-1, princípio ativo das canetas para o tratamento de obesidade, cujos nomes comerciais mais conhecidos são Ozempic, Mounjaro e Wegovy.

INVESTIGAÇÃO - Capas de VEJA: cuidado especialíssimo (./.)
O desenvolvimento de pílulas — já existentes nos Estados Unidos e na Europa e que devem chegar por aqui no fim do ano — associado à quebra de patentes (a do Ozempic caduca agora em março, no Brasil, prenunciando produtos concorrentes com preços até 50% mais baixos) representa um salto fenomenal, como se vivêssemos uma nova etapa. É tema de conversas no jantar de família, nos bares, nas redes— entre quem acredita estar acima do peso ou até mesmo entre pessoas com silhuetas esbeltas. O tempo das canetas — eis o nosso tempo — é um negócio com faturamento mundial de 70 bilhões de dólares anuais.

Há, claro, avanços fundamentais para as pessoas que não conseguem perder os quilos necessários apenas equilibrando a nutrição ou fazendo exercícios — mas há também o risco de exagero da medicamentação e os danos eventuais para a saúde deflagrados pelo uso muitas vezes desnecessário. VEJA, desde a eclosão da substância, em 2018 — originalmente indicada para diabetes tipo 2 —, esteve sempre à frente da notícia, antecipando os lançamentos e sobretudo separando o joio do trigo, como faz reportagem da edição. O jornalismo científico e de medicina impõe rigoroso cuidado e atenção — e não há, no país, fonte tão confiável como as reportagens lideradas pela equipe do editor de VEJA Diogo Sponchiato, que dirige também a revista mensal VEJA SAÚDE. “Assistimos, em tempo real e de maneira fascinante, à mudança no entendimento do tratamento da obesidade”, diz Sponchiato. É responsabilidade ancorada em profunda investigação, a partir de conversas com especialistas de todo o mundo. VEJA seguirá atenta a essa missão, em serviço e postura inegociáveis.
Publicado em VEJA de 27 de fevereiro de 2026, edição nº 2984

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