O novo crossfit: por que o Hyrox não para de atrair adeptos e competidores no Brasil
Ler Resumo
O Hyrox, modalidade fitness alemã que combina corrida com exercícios funcionais intensos, está conquistando o Brasil. Com crescimento explosivo, mistura aeróbico e força, atraindo milhares de atletas. É desafiador, mas inclusivo, e exige preparo e acompanhamento profissional para evitar lesões.
Este resumo foi útil?
👍👎
Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
O roteiro já está pronto. Agora é suar. Comece correndo 1 quilômetro. Passe para uma estação com um equipamento para realizar os movimentos do esqui nórdico. Agora corra mais 1 quilômetro. Hora de empurrar um trenó com pesos por 50 metros. Corra mais 1 quilômetro. É o momento de puxar o trenó com uma corda… Realize esse ciclo mais cinco vezes, intercalando a corrida com as estações de exercício funcional, até terminar com um arremesso de bolas ao alto. Eis o exigente passo a passo do Hyrox, uma modalidade que surgiu na Alemanha em 2017 e hoje ganha terreno pelo mundo, dividindo cada vez mais espaço nas academias com o já famoso crossfit. O negócio já mobiliza um número crescente de brasileiros. “Saímos de uma comunidade nichada rumo a eventos com milhares de pessoas competindo e torcendo”, afirma Edward Dier, managing director da Hyrox Brasil.
O nome vem de uma mistura dos termos em inglês hybrid e rockstar. De Hamburgo, onde tudo começou, o esporte se alastrou para cerca de quarenta países. No Brasil, o primeiro evento oficial foi realizado em setembro de 2025 e recebeu 2 100 atletas. Em abril deste ano, na última etapa concluída em São Paulo, foram 4 000 atletas e 4 100 ingressos vendidos para a plateia. “Tivemos 100% de crescimento”, afirma Dier. O movimento encorpa com novos centros de treinamento, alimentando um aumento de 50% na demanda global anual — a projeção é que, até 2028, sejam ao menos 2,3 milhões de atletas.
PROVA - Disputa na Alemanha, o berço da modalidade: desafio individual e coletivo (Ying Tang/NurPhoto/Getty Images)
O Hyrox combina atividade aeróbica — os tiros de 1 quilômetro de corrida — com exercícios que trabalham força e resistência muscular, como remada e carregamento de saco de areia. “É uma modalidade que entrega um objetivo claro de treino, senso de comunidade e melhora do condicionamento”, resume Dier. Ou seja, reúne elementos já presentes no crossfit, mas conferindo mais espaço ao treinamento cardiorrespiratório — afinal, 50% do esporte está na corrida. E, a exemplo do “irmão mais velho”, o apelo competitivo chama atenção — inclusive, a prova é padronizada para que o atleta realize o mesmo percurso não importa onde esteja.
Quem chega a um centro de Hyrox pode se assustar com o ritmo e a sequência do roteiro previsto. “Mas, apesar da imagem de alta performance, ele foi pensado para ser inclusivo e escalável”, diz o líder da operação brasileira. “Temos desde iniciantes e pessoas acima dos 60 anos até atletas de elite, todos no mesmo ambiente.” É evidente que o novato precisa se preparar gradualmente antes de se meter a competir — existem provas individuais, em dupla ou com revezamento. “O maior alerta para quem está começando é saber realizar o padrão de movimentos dos exercícios da forma correta, a fim de evitar lesões”, orienta a médica do esporte Karina Hatano, do Einstein Hospital Israelita, em São Paulo. “Por isso é tão importante o acompanhamento de um profissional.” Nesse sentido, a recomendação é procurar estabelecimentos afiliados à rede que representa a modalidade no país. Os especialistas credenciados ajudarão a seguir a metodologia, no ritmo e com a estratégia adequados.
Continua após a publicidade
Mas não há como negar que o “novo crossfit” é puxado. A intensidade, entre corridas e atividades que cobram esforço e resiliência, exige, assim, alguns cuidados. “Para os iniciantes, é importante fazer um check-up prévio”, afirma Hatano. A médica ainda ressalta o papel da hidratação e da alimentação na rotina de treino, dada a transpiração e o gasto calórico. “O praticante vai precisar de energia para se exercitar e de nutrientes para se recuperar.” Um plano incontornável a quem quiser vencer as oito estações do Hyrox e, quem sabe, levar uma medalha. Haja fôlego.
Publicado em VEJA de 29 de maio de 2026, edição nº 2997










