Cresce a procura por tratamentos e produtos para o rejuvenescimento das mãos
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A ficção de Almodóvar vira realidade: o mercado da beleza agora mira o rejuvenescimento das mãos. Impulsionada pelas redes sociais e pelo contraste com rostos tratados, a busca por “mãos de fada” cresce. Conheça os procedimentos eficazes, os riscos de produtos irregulares e os cuidados básicos para manter a vitalidade.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Em A Pele que Habito, clássico imediato de Pedro Almodóvar, de 2011, o cirurgião Robert Ledgard (Antonio Banderas) mistura ciência com estética, ambição com atropelo ético, na lida com a tez perfeita, imune às marcas do tempo. A trama tem tonalidade psicológica banhada de suspense, costurada por surrealismo. Corta, porque a ficção tem tintas de evidente realidade — afinal, o sonho da pele supostamente intocada pela vida deixou de ser assunto restrito à ficção. O mercado de produtos cosméticos para a cútis atingiu 122 bilhões de dólares em 2025.
A novidade: se até agora o rosto é que aparecia na ribalta das preocupações, o movimento chegou às mãos. Nos consultórios, cresce a procura por tratamentos voltados especificamente ao rejuvenescimento da região, numa tentativa de apagar manchas, disfarçar veias aparentes, recuperar volume e suavizar os sinais de envelhecimento. O mercado percebeu o filão. Em meio ao boom dos cosméticos “anti-idade”, proliferam cremes que prometem mãos mais jovens, hidratadas e uniformes. A onda chegou a tal ponto que plataformas de e-commerce vendem luvas de silicone atreladas à tecnologia de luzes LED e infravermelho com suposto (e não verificado) efeito de estímulo ao colágeno, de modo a combater rugas.
A explicação para a tendência, logo batizada de “mãos de fada”, está nas redes sociais — como sempre fazendo a ponte para o comportamento de nosso tempo. “Com as mãos cada vez mais expostas em fotos e vídeos, cresce também o incômodo com detalhes que antes passavam desapercebidos”, diz André Maranhão, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Outro ponto é o descompasso, do ponto de vista estético, de rostos artificialmente trabalhados com mãos naturais e forçosamente envelhecidas, porque assim é a natureza. “Em geral, o paciente chega reclamando das mãos envelhecidas em contraste com o restante do corpo”, diz a dermatologista Alessandra Romiti, da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
TECNOLOGIA - Luvas com LED e infravermelho: apenas promessas (./Divulgação)
Os tratamentos acompanham esse tipo de queixa e raramente funcionam de forma isolada. Quando o principal desconforto são as manchas, entram em cena procedimentos mais superficiais, como laser, luz intensa pulsada, radiofrequência microagulhada e peeling químico. Já nos casos em que há perda de volume, os procedimentos passam a ser mais invasivos. O principal deles é o preenchimento com ácido hialurônico, usado para suavizar a aparência mais marcada de ossos e tendões. Outra opção é a lipoenxertia, em que a gordura do próprio paciente é reaplicada na região. Nem tudo, insista-se, funciona, e o acompanhamento médico é compulsório.
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Na trilha do zelo com as mãos, é natural que brotassem espertalhões navegando no mar de dinheiro. Em março deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou um alerta sobre cosméticos irregulares comercializados no país, muitos deles anunciados com promessas terapêuticas sem comprovação científica. Ao mesmo tempo, plataformas on-line passaram a vender dispositivos como lasers domésticos, que podem provocar queimaduras e lesões quando usados sem orientação adequada. O que fazer, então, se não basta erguer as mãos para os céus, apelando para que a toada dos anos caminhe mais lentamente?
Antes de qualquer tecnologia sofisticada ou procedimento, a recomendação continua surpreendentemente básica: hidratação e o velho e bom protetor solar são estratégias mais eficazes para preservar o “viço” das mãos. Siga-se Carlos Drummond de Andrade: “Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo”.
Publicado em VEJA de 29 de maio de 2026, edição nº 2997










