Atividade física na hora ‘certa’ pode turbinar benefícios à saúde, diz estudo
Fazer exercício é importante, mas, ao que tudo indica, o momento em que você decide se exercitar também faz diferença. Um estudo recente publicado na revista Open Heart sugere que alinhar a prática de atividade física ao chamado “cronotipo” — a tendência natural de cada pessoa ser mais ativa de manhã ou à noite — pode melhorar o sono e até render benefícios ao coração.
Para investigar isso, os pesquisadores acompanharam 150 adultos sedentários, entre 40 e 60 anos. Todos tinham pelo menos um fator de risco cardiovascular, como hipertensão, sobrepeso ou obesidade, além de baixa ou nenhuma prática de atividade física nos três meses anteriores. Parte deles também tinha histórico familiar de doença cardiovascular precoce.
Os participantes foram divididos em dois grupos: os que se exercitavam em um horário compatível com o próprio ritmo biológico e os que treinavam fora desse padrão.
Independentemente do grupo, todos seguiram o mesmo protocolo: exercícios aeróbicos moderados — como caminhada acelerada — por 40 minutos, cinco vezes por semana. As sessões aconteciam em dois períodos possíveis: pela manhã (entre 8h e 11h) ou no início da noite (entre 18h e 21h).
Resultados
Ao final do estudo, 134 pessoas conseguiram completar todas as sessões de exercício. Dentre elas, 70 eram do tipo “matutino” (funcionam melhor de manhã) e 64 do tipo “noturno” (rendem mais à noite).
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Antes e depois das 12 semanas, os pesquisadores mediram vários indicadores de saúde, como pressão arterial, níveis de açúcar no sangue, colesterol “ruim” (LDL), condicionamento físico e qualidade do sono.
No geral, todo mundo melhorou, o que já era esperado com a prática de exercícios. Mas quem treinou no horário “certo” para o próprio corpo teve resultados melhores.
Isso ficou mais evidente em dois pontos:
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Sono: melhorou bem mais em quem respeitou o próprio ritmo biológico
Pressão arterial: caiu quase o dobro nesse grupo
Para dar uma ideia, a pressão máxima (o número mais alto da medição) caiu, em média, 10,8 mmHg entre os que treinaram no horário ideal, contra 5,5 mmHg entre os que treinaram em horários “desalinhados”.
Entre quem já tinha pressão alta, a diferença foi ainda maior: a queda foi de 13,6 mmHg no grupo alinhado, contra 7,1 mmHg no outro.
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Embora todos tenham se beneficiado, os resultados foram um pouco mais fortes entre as pessoas que naturalmente funcionam melhor pela manhã.
Limitações
Embora os resultados sejam interessantes, os próprios autores fazem algumas ressalvas. O primeiro ponto é que o estudo foi feito apenas com pacientes de hospitais públicos de Lahore e não incluiu pessoas com um cronotipo “intermediário” (nem muito matutinas, nem muito noturnas). Isso significa que os resultados podem não valer exatamente para todo mundo.
Mesmo assim, eles dizem que os achados reforçam uma ideia que vem ganhando força: fazer exercício no horário mais adequado ao seu relógio biológico pode turbinar os benefícios para a saúde.
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Na prática, isso acontece porque o corpo tem vários “relógios internos”, espalhados por órgãos e tecidos como músculos, gordura e vasos sanguíneos. Quando o exercício acontece no horário certo, esses relógios funcionam de forma mais sincronizada — o que melhora o metabolismo e ajuda a reduzir a inflamação, dois pontos importantes para proteger o coração.
Essa estratégia, de acordo com os autores, ganhou até um nome: “cronotreinamento”. A proposta é ajustar o horário do exercício ao ritmo natural de cada pessoa, como forma de prevenir doenças cardiovasculares e metabólicas.
Ao BMJ Group, Rajiv Sankaranarayanan, da British Cardiovascular Society, opinou que a ideia é promissora, especialmente por ser uma intervenção simples e de baixo custo. Ainda assim, ele ressalta que são necessários mais estudos, com diferentes perfis de população, antes que a recomendação seja adotada de forma ampla.










