Quase 75% das queixas contra a AIMA são de imigrantes em idade para trabalhar
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Os imigrantes que vivem em Portugal estão mais descontentes com a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA). O mais recente levantamento realizado pelo Portal da Queixa, divulgado nesta sexta-feira (21/11), aponta que 41,5% das reclamações contra o órgão público, responsável por integrar quem vem de fora, se referem a problemas administrativos e técnicos, o que tem resultado, por exemplo, em separações de famílias e restrições à mobilidade para fora do país. A grande fatia dos que se queixam da AIMA (74%) está em idade ativa, ou seja, reúne condições para trabalhar.Segundo a pesquisa do Portal de Queixa, entre 1º de janeiro e 19 de novembro de 2025, foram computadas 1.847 reclamações contra a AIMA, um aumento de 6,5% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram registadas 1.735 notificações de insatisfação em relação à autarquia. Os registros vêm aumentando trimestralmente, como mostra o levantamento: avanço de 18% entre abril e junho e de 45,4% entre julho e setembro ante períodos semelhantes de 2024.”Estou há dois anos a tentar trazer os meus pais idosos para Portugal, mas não consigo agendamento na AIMA”, assinalou Arvind Singh no Portal da Queixa. Já Beatriz Garcia disse estar à espera de seus documentos há mais de nove meses. “O prazo legal é de 60 dias, mas já se passaram mais de nove meses sem resposta, apesar das várias tentativas de contato”, escreveu. Zixuan Guo afirmou que não pode sair de Portugal porque não consegue marcar a biometria: “Isto está a causar grandes inconvenientes, não posso visitar meus pais”, frisou.Falhas estruturaisNa avaliação de Pedro Lourenço, fundador do Portal da Queixa, a evolução anual de reclamações contra a AIMA reflete não só um aumento na demanda por serviços do órgão público, como, também, uma incapacidade persistente do sistema de responder de forma eficiente, transparente e em prazos aceitáveis. “Os dados disponíveis apontam para um sistema sob pressão, com falhas estruturais e na gestão de processos que afetam milhares de pessoas que dependem da AIMA para residência em Portugal, vistos e reunificação familiar”, destaca.O levantamento do Portal da Queixa revela que há erros em processos e falhas nos sistemas de informática, no site e nas documentações. “Trata-se da categoria mais crítica e abrangente, afetando diretamente a regularização e a permanência legal de milhares de cidadãos em Portugal”, destacam os técnicos do Portal.Na sequência, aparecem os problemas de atendimento e comunicação, relatados por 22,1% dos imigrantes. Eles alegam dificuldades para obter informações necessárias sobre seus processos e falam em respostas insuficientes ou inexistentes. Outros 19% listam os atrasos e a as falhas de horário para atendimento nas agências da AIMA, assinalando espera prolongada por marcações de agendamento, incumprimento de prazos, ausência de datas para a coleta de dados biométricos ou emissão de documentos. Há, ainda, registros de problemas financeiros (6,3%), qualidade do serviço (6%) e questões legais e de segurança (4,9%).O maior número de reclamações contra a AIMA vem de cidadãos que vivem em Lisboa (34,9%). Depois, aparecem Porto (17,4%), Setúbal (10,4%), Faro (6,8%) e Braga (5,9%). Os imigrantes que se dizem prejudicado pela AIMA têm, em maioria (74%), entre 25 e 44 anos, ou seja, são cidadãos em condições de contribuírem com a economia do país. Deles, 56% são homens e 44%, mulheres. Procurada pelo PÚBLICO Brasil para comentar os dados do Portal da Queixa, a AIMA não respondeu.
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