Oppo Find X9 Pro em teste: por que este é o melhor <em>smartphone</em> do momento
Surpresa! É o que apetece a dizer à Samsung, à Google e, até, à Apple. A Oppo, que já andava a algum tempo a ameaçar, conseguiu criar o que considero, pelo menos até agora, o smartphone do ano. Na verdade, a experiência de utilização do Oppo Find X9 Pro surpreendeu-me de tal modo que decidi adiar uns dias a publicação desta análise para ter mais tempo para verificar as minhas conclusões. É que afirmar que um Oppo é melhor que o Galaxy S25 Ultra, Google Pixel 10 Pro ou iPhone 17 Pro não é algo que se possa fazer de forma leviana. Mas, começando pelo fim, é mesmo isto que acredito: o Oppo Find X9 Pro leva a melhor sobre a concorrência onde mais importa.Recordes de desempenhoA qualidade da experiência de utilização não resulta apenas do grafismo da interface, da ergonomia ou das funcionalidades inteligentes trazida pela IA. Resulta também do desempenho. Um processador mais poderoso permite, por exemplo, uma resposta mais rápida do sistema aos nossos pedidos, jogos mais fluidos (maiores taxas de fotogramas) e funcionalidades de IA mais avançadas.No que a chips para smartphones diz respeito, é reconhecido que são os chips Snapdragon de topo da norte-americana Qualcomm que lideram o desempenho no mundo Android. A MediaTek, de Taiwan, tem sido vista como uma concorrente para levar muito a sério, mas apenas nos segmentos médios ou baixos do mercado. Ora, após a bateria de testes de desempenho, apetece dizer novamente “surpresa!”. É que o chip mais poderoso da MediaTek, que se estreia neste Oppo, conseguiu bater recordes. Em testes reconhecidos como o AnTuTu ou o 3DMark (gráficos), o Find X9 Pro levou a melhor a referências como o Xiaomi 15 Ultra, o Samsung Galaxy S25 Ultra ou o iPhone 17 Pro Max. De outro modo, até o famoso A19 Pro da Apple é batido, em muitas situações, pelo novo chip MediaTek Dimensity 9500.Existem, contudo, algumas inconsistências. Por exemplo, em alguns jogos a taxa de fotogramas por segundo fica abaixo da concorrência e abaixo do que seria de esperar considerando os resultados obtidos em outros jogos. Talvez por falta de optimização de algumas apps para o processador da MediaTek — além da Qualcomm ter uma implementação maior entre os programadores, o Dimensity 9500 acabou de chegar.
Os pequenos detalhes do corpo em alumínio revelam uma qualidade de construção notável
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Mas nem estas falhas ocasionais afectam a sensação de reactividade rápida deste smartphone. No dia-a-dia, as aplicações abriram e responderam rapidamente. O que, na verdade, é válido para qualquer smartphone topo de gama.Bateria giganteMuitas vezes o desempenho elevado do chip condiciona a autonomia. Mas não é o que acontece aqui. Aliás, se há uma característica onde o Oppo Find X9 Pro “não dá hipótese” à concorrência, essa característica é a autonomia. O teste PCMark resultou em mais de 26 horas. Um recorde absoluto, pelo menos nos últimos anos. São mais de 7h extra relativamente à referência anterior, o Google Pixel 10 Pro XL. O que se traduz numa autonomia real de dois dias com uma utilização média ou intensiva, que até pode chegar a três dias se formos poupadinhos.Apesar destes resultados, não podemos concluir que o chip da MediaTek é também recordista na eficiência energética. Isto porque a Oppo conseguiu incorporar uma bateria de uns expressivos (e recordistas) 7500 mAh de capacidade. Por comparação, o iPhone 17 Pro Max tem uma bateria de 4800 mAh e uma bateria de 5200 mAh. Naturalmente, a Oppo teve de recorrer à melhor tecnologia de baterias do momento para conseguir uma densidade energética tão elevada.E, apesar de grande, não é preciso esperar muito tempo pelo carregamento da bateria, já que há suporte para carregamento rápido até 80 watts, novamente bem acima dos concorrentes directos já mencionados. Mesmo em carregamento sem fios é possível carregar este smartphone a até 50 watts e também tem a capacidade de carregar outros dispositivos em modo wireless.E as câmaras?É provável que, como aconteceu com o autor desta análise, esteja a pensar qualquer coisa como “tudo muito impressionante, mas certamente um Oppo não pode ter câmaras ao nível de um iPhone 17 Pro ou de um Google Pixel 10 Pro”. Pois… “Surpresa!”.
Esta foto é demonstrativa da capacidade de a câmara principal captar detalhes em condições de luz difíceis
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Numa época em que muitos smartphones se limitam a repetir fórmulas, este modelo mostra uma ambição rara: combina sensores de grandes dimensões e resolução, ópticas luminosas e um processamento de imagem sofisticado que, no dia-a-dia, se traduz num sistema de câmaras capaz de enfrentar praticamente qualquer cenário com segurança e consistência.O sistema triplo de câmaras mantém a parceria com a Hasselblad — uma exclusividade que a Oppo preserva depois de a OnePlus ter encerrado a colaboração. A denominada “Hasselblad Telephoto”, com estrutura periscópica e 70 mm de distância focal equivalente, é uma das melhores que já vi num smartphone. O sensor de 200 megapíxeis permite múltiplos níveis de zoom digital (2x, 3x e 6x, de base, mas extensíveis) com uma nitidez surpreendente, mesmo quando a ampliação é levada ao limite. Há processamento envolvido, claro, mas o resultado raramente parece artificial: a afinação automática de contraste e textura acontece de forma quase imperceptível, e é possível ver, em tempo real, o sistema a corrigir pequenas falhas de exposição logo após cada disparo.A câmara principal, designada “Ultra HDR”, justifica o nome. O alcance dinâmico é notável, permitindo equilibrar zonas de sombra e luz intensa com naturalidade, sem recorrer a truques visíveis. Não nos sentimos limitados no enquadramento, já que mesmo em contraluz ou em interiores difíceis, o telemóvel gere bem o equilíbrio tonal. A estabilização óptica ajuda a garantir imagens limpas em baixa luminosidade, e o sensor de grandes dimensões físicas contribui para que o ruído raramente seja um problema.O modo nocturno, que combina as capacidades do sensor principal e do zoom, é um dos mais consistentes: preserva o ambiente e a cor das cenas, evitando o brilho excessivo que muitos rivais insistem em aplicar. Também aqui se nota o papel do motor de processamento Lumo, em conjunto com o chip da MediaTek, que demonstra rapidez e inteligência na reconstrução das texturas.
Um foto ao final do dia. Veja-se como é possível identificar detalhes na praia bem como no interior do edifício. O equilíbrio de cor e de luz está entre o melhor que já vi num smartphone
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Há, no entanto, momentos em que o entusiasmo da inteligência artificial se nota em demasia. O sistema tenta compensar o ligeiro tremor das mãos ou a falta de foco em retratos com um tipo de “reconstrução” digital algo forçada, que pode dar um ar demasiado polido a rostos e superfícies. São casos pontuais, mas mostram que a ambição do software, por vezes, ultrapassa a delicadeza do olhar humano. O modo “Retrato”, com o habitual efeito bokeh (desfoque do fundo para fazer sobressair o motivo principal), é geralmente convincente, mas nem sempre acerta na separação entre sujeito e fundo.A ultra-grande angular, de 50 megapíxeis, é outra boa surpresa. Mantém uma coerência de cor e contraste muito próxima da câmara principal, algo ainda raro em smartphones. Mesmo em cenas de alto contraste ou luz lateral, as imagens têm profundidade e definição, sem o ruído e distorção típicos deste tipo de lente. A chamada “True Color Camera” desempenha aqui um papel discreto, mas essencial, garantindo um balanço de brancos e tonalidades consistentes em todas as câmaras, o que reforça a sensação de unidade do sistema fotográfico.
Mais uma foto com más condições de luz. Mesmo a usar a câmara ultra-grande angular, nota-se a textura da areia, da superfície do rio e até do nevoeiro
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Com boa luz, o Find X9 Pro brilha verdadeiramente: cores equilibradas, textura realista e um controlo de exposição digno de câmaras dedicadas. Em dias de soalheiros, o telemóvel evita o habitual exagero de saturação e mantém um ar natural, sem perder o impacto visual. Mesmo em fotografias de pormenor, o zoom mostra versatilidade e um nível de detalhe que surpreende.Em suma, o conjunto fotográfico do Oppo Find X9 Pro é um dos mais completos e consistentes que se pode encontrar num smartphone de topo. Há pequenos excessos de processamento aqui e ali, mas nada que ofusque o desempenho global. Entre a qualidade óptica, o equilíbrio cromático e o poder de processamento, a Oppo conseguiu criar um sistema de câmaras que desafia directamente os melhores da Samsung e da Google — e que, em muitos momentos, os supera.Design pouco original, mas bem conseguidoO Oppo Find X9 Pro é um daqueles telefones que, mal se pega, revelam logo uma atenção rara aos detalhes. A versão cinzento titânio que testei é sóbria e elegante. E transmite uma sensação táctil agradável, quase aveludada, tendo ainda a virtude de não atrair impressões digitais.
Com 8,25mm de espessura e chassis em alumínio, é um telefone sólido, bem equilibrado e com presença, sem perder a elegância que se espera num topo de gama. O design do bloco, em que se salienta o arredondado dos cantos, ajuda a compensar a dimensão generosa do ecrã, permitindo um uso seguro mesmo com uma só mão, algo que se torna mais raro entre os topo de gama actuais.O ecrã, de 6,78 polegadas, é outro dos grandes trunfos deste modelo. A proporção 19,5:9 dá-lhe uma forma alta e estreita, que se adapta bem à utilização quotidiana, quer seja para navegar, escrever ou ver vídeos. As margens são mínimas, quase invisíveis, o que reforça a sensação de imersão e confere um aspecto moderno, limpo e coerente.A qualidade visual é irrepreensível. O painel LTPO ajusta a taxa de actualização entre 1 e 120 Hz conforme o conteúdo, o que se traduz numa fluidez constante, sem desperdício de energia. O brilho é generoso, capaz de lidar com luz solar directa, e a reprodução cromática mantém um equilíbrio exemplar: há saturação suficiente para dar vida às imagens, mas nunca aquela agressividade artificial que por vezes estraga a experiência em ecrãs mais “entusiastas”. É um ecrã que privilegia a naturalidade, o conforto visual e o detalhe.Nem tudo é perfeito, claro. O vidro, ainda que protegido por Gorilla Glass, revela alguma propensão para reflexos e micro-riscos, pelo que a película fornecida de fábrica é uma precaução sensata. Deve ser mantida, embora isso signifique sentir um ligeiro atrito quando se move os dedos sobre o ecrã a partir das margens.
O kit teleconversor reforça as capacidades da câmara de zoom, resultando numa objetiva equivalente a 230mm
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Há ainda alguns elementos de design que demonstram o esforço da Oppo em oferecer originalidade funcional. A nova “snap key”, posicionada à esquerda, serve para activar o modo de captura inteligente do sistema de inteligência artificial, o AI Mind Space, permitindo gravar e contextualizar o que está no ecrã. Do lado oposto, o botão de energia e o controlo de volume seguem a disposição habitual, complementados por um botão rápido que pode lançar a câmara e controlar o zoom. A ideia é boa, mas a execução menos feliz: a posição elevada torna-o pouco prático no uso horizontal, especialmente ao fotografar.Em conjunto, o Find X9 Pro transmite a sensação de um objecto cuidadosamente desenhado, sólido e sofisticado, que não precisa de exageros para afirmar a sua identidade. O equilíbrio entre ergonomia, qualidade táctil e experiência visual coloca-o entre os smartphones mais refinados do momento — um daqueles equipamentos em que o prazer de olhar é inseparável do prazer de usar. Por outro lado, o design pareceu-nos demasiado inspirado no iPhone 16.Interface e IAA Oppo tem vindo a trabalhar de forma consistente no refinamento do ColorOS, o sistema operativo da marca baseado no Android. E a versão 16 que equipa o Find X9 Pro é talvez a mais polida até à data. É uma interface rápida, fluida e visualmente cuidada, que se aproxima bastante da filosofia do Android 16 da Google, mas sem perder a identidade própria da marca chinesa. A navegação é suave, a personalização é ampla — desde as animações ao tamanho e formato dos ícones — e o resultado é um sistema que convida a ser usado e ajustado ao gosto de cada um, sem o peso visual ou o excesso de opções que se encontram noutros concorrentes.Mas há detalhes que traem a juventude de algumas ideias. O ColorOS 16 tenta ser mais inteligente, integrando ferramentas de inteligência artificial, como o AI Mind Space já mencionado, um espaço que recolhe imagens, notas de voz e recortes de ecrã, e que pode servir de assistente contextual — útil, por exemplo, para identificar o que se fotografou ou para transformar automaticamente um itinerário de voo num lembrete de calendário. É um conceito interessante e com potencial, embora ainda longe de ser essencial. Por vezes acerta, noutras parece não compreender o contexto e deixa a sensação de ser mais uma promessa do que uma funcionalidade madura.A consistência da experiência também sofre em pequenos pormenores. Por exemplo, num telemóvel que aposta tanto em inteligência artificial, é estranho que, ao partilhar uma fotografia, o sistema não sugira de imediato os contactos ou aplicações mais usadas, obrigando a um processo mais longo e pouco intuitivo. São falhas que não comprometem a utilização, mas que destoam da fluidez geral do sistema.Em contrapartida, há ideias bem implementadas. As janelas flutuantes, por exemplo, permitem manter pequenas aplicações abertas em sobreposição, facilitando o multitarefa sem sobrecarregar o ecrã. Seria desejável, no entanto, poder controlar esta função de forma mais granular — escolher em que aplicações se aplica ou desactivá-la por completo —, algo que o sistema ainda não permite.
No cômputo geral, o ColorOS 16 oferece uma base sólida, sem a carga de aplicações pré-instaladas ou anúncios que outros fabricantes insistem em incluir. É um software “limpo”, estável e com espaço para crescer, que conjuga uma boa experiência de utilização com uma ambição tecnológica que começa a dar frutos, ainda que precise de mais coerência para atingir a maturidade que o hardware do Find X9 Pro já demonstra.VeredictoA câmara é o elemento que mais se impõe, não apenas pela versatilidade — que cobre praticamente todas as situações de luz e distância — mas pela consistência impressionante entre sensores. O resultado é uma confiança rara: o utilizador pode fotografar sem pensar demasiado em configurações, sabendo que a imagem final será de elevada qualidade, mesmo que o processamento por vezes exagere no polimento.Também a autonomia merece destaque, e não apenas pelos números. O Find X9 Pro transmite a sensação de que está sempre pronto. É um daqueles raros topos de gama que mantém o desempenho e a fluidez sem nunca aquecer nem pedir descanso, mostrando que a aposta da Oppo no novo processador da MediaTek foi tudo menos arriscada.Há, claro, pequenos senãos. O ColorOS continua a precisar de uma depuração mais cuidada, tanto na coerência visual como em alguns gestos e menus que parecem mais decorativos do que funcionais. E se os utilizadores mais exigentes em fotografia poderão lamentar a ausência de controlos manuais mais completos, o equilíbrio geral do sistema compensa largamente essas lacunas.O Find X9 Pro é, em suma, um daqueles telefones que reconfiguram a hierarquia do segmento Android. É ousado, sofisticado e tecnicamente brilhante, mas o que o distingue é a naturalidade com que tudo isto se sente no dia-a-dia. A Oppo não apenas chegou ao nível dos melhores — ultrapassou-os em áreas que pareciam intocáveis.
Tipo
Smartphone
Ecrã
6,78 polegadas, 2772×1272 píxeis, 120 Hz, AMOLED
Sistema operativo
ColorOS 16.0, Android 16
Processador
MediaTek Dimensity 9500, oito núcleos
Memória e armazenamento
16 GB de RAM, 512 GB de armazenamento
Câmaras
50 MP (Grande angular, f/1.5, OIS), 50 MP (ultra-grande angular, f/2.0), 200 MP (telefoto, f/2.1, OIS) 2 MP (Monocromático, f/2.4)
Selfie: 50 MP (f/2.0)
Bateria
Capacidade: 7500 mAh
Carregamento: 80w via USB-C, 50w sem fios
Conectividade
Wi-Fi 7, Bluetooth 6.0, USB-C, NFC, 5G
Dimensões e peso
161,26×76,46×8,25mm, 224 gramas
Testes
PCMark — performance: 13799 (bom); bateria: 26h33
Geekbench — CPU Single/Multi: 3227/9556 (excelente); GPU (gráficos): 20215 (muito bom)
Preço
1299 euros









