DESPORTO

Travar a fundo e resgatar a humanidade

Como relaxarCada retiro, tal como cada cabeça, é um mundo. Há para todos os gostos e sentidos, e a magia está no desligar (telefones e redes), respirar (fundo) e reconectar com a voz interior, mas também com a dos outros. Importa praticar o acto da escuta, o olhar para o outro com olhos de ver e resgatar a humanidade que vai sendo lapidada no correr dos dias. É a estas bolhas de segurança, ou retiros wellness, que apontamos para abrir a carta da semana.De alma lavada, seguimos para o “primeiro museu de arte contemporânea híbrido com hotel de cinco estrelas na Europa”. Fica em Lisboa e na lista de atracções traz, por exemplo, a convivência com obras de arte, um restaurante à medida e uma antiga capela transformada em sala de espectáculos.Temos ainda os conselhos de Norman Rosenthal para evitar a depressão sazonal, alimentada pela falta de luz solar, e a verdade científica de que uma caminhada diária de 15 minutos nos dá boas hipóteses de permanecermos vivos.Por onde andarA abrir o baú de memórias escolares (as boas e as más) do último século está o novo Museu Municipal da Educação, na antiga escola primária de Vila Nova de Poiares (Coimbra). Uma verdadeira viagem no tempo, desde o Estado Novo aos nossos dias, que recria salas de aula, a cantina e as vivências em contexto escolar – lá estão tesourinhos como as fotografias de idas à praia, os bordados e lavores ou os brinquedos tradicionais.Mais experiências imersivas: um festival de balões de ar quente no Alentejo, a Feira do Cavalo na Golegã, o Museu da Banana da Madeira e a reabertura do Museu do Abade de Baçal em Bragança, a comemorar os 110 anos do espaço.Aos palcos vão as notas de Criatura, o samba de Martinho da Vila, a casa cheia de Carlos Bunga, dança em Linha de Fuga e outras ideias de Alkantara à Utopia.O que comerA par das castanhas, o Outono traz na cesta outro postal da época: o cogumelo. Da aldeia ao bosque, o país (des)dobra-se para o apanhar e por isso aqui ficam algumas sugestões de passeio e “saboreio”.A confortar o estômago e o palato venham ainda doces e licores conventuais, a gastronomia da região de Coimbra, uma visita ao maravilhoso mundo novo da pastelaria em Portugal e um belo caldo à portuguesa, de riquezas escondidas e pouca ostentação, para sorver sem embaraços, assim confidencia Miguel Esteves Cardoso.O que beberPortos Tawny de 10 e 20 anos em garrafão de dois litros e cheio de estilo? A Vieira de Sousa tem. A ideia não é nova, já a tinham apresentado em 2023 com um tinto reserva em garrafão de cinco litros, e voltam a repetir a proeza agora, com dois vinhos do Porto de meter respeito, palavras de Edgardo Pacheco. Uma boa dica para degustação que, com o Natal a posicionar-se nas montras das garrafeiras, vai bem também como oferenda.Para a agenda, fica mais uma nota: depois de 13 edições no Porto, o Simplesmente… Vinho chega a Lisboa instalando-se no Beato Innovation District, nos dias 22 e 23 de Novembro.O que verA partilhar a tela com o Cinanima – Festival Internacional de Cinema de Animação de Espinho, entre outras estreias, temos o novo filme de Jafar Panahi, Foi Só Um Acidente, vencedor da Palma de Ouro em Cannes, e Sete Invernos em Teerão, documentário de Steffi Niederzoll sobre “um chocante caso verídico da República Islâmica patriarcal e inflexível”, dita o crítico de cinema Jorge Mourinha.No pequeno ecrã vale a pena sintonizar Pluribus, glória do criador de Breaking Bad e da actriz Rhea Seehorn, e já considerada uma das séries do ano.O que lerE voltamos ao assunto da humanidade e do estar presente para falar sobre Os Vigilantes de Taina Tervonen, um livro que conta a história de quem vela pelos migrantes que se fazem ao mar, um murro no estômago sobre o ir e não chegar.Ou sobre o manifesto do Agnosticismo Tecnológico, escrito pelo rabino Greg M. Epstein, que acredita que a tecnologia é a religião mais poderosa do mundo e que a inteligência artificial é uma seita a não seguir. Ou ainda A Montanha escalada por José Luís Peixoto numa tentativa de humanizar o cancro.Peregrinação em Tinker Creek, um clássico do nature writing saído da pena de Annie Dillard, e Um Espião em Privado – As Cartas de John le Carré, escrito pelo filho, Tim Cornwell, são outras das lombadas a consultar.Relaxe também por aqui

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