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Mubi avança com providência cautelar para travar remoção de ciclovia em Gaia

Luís Filipe Menezes não perdeu tempo a começar a cumprir uma das promessas de campanha e a ciclovia da Avenida da República, instalada em 2024 pelo executivo anterior do município de Vila Nova de Gaia, já começou a ser removida.Os trabalhos foram anunciados pelo autarca do PSD na sua página nas redes sociais, no sábado, mas ainda não foram concluídos. Nesta segunda-feira, após a primeira reunião de câmara do executivo que saiu das eleições de 12 de Outubro, Menezes explicou que a ciclovia é para desmantelar na íntegra, mas disse aos jornalistas que a operação só pode prosseguir sem chuva.A Associação pela Mobilidade Urbana em Bicicleta – Mubi já está a trabalhar numa resposta à anunciada retirada da via ciclável de uma das principais artérias de Gaia e vai avançar para a justiça.


A dirigente da Mubi, Ana Guerra, explica que a associação está a preparar uma providência cautelar, à qual se seguirá uma acção principal. A responsável, que é também advogada, argumenta que a ciclovia foi aprovada em Assembleia Municipal, em 2024, como alteração de postura municipal de trânsito, o que significa que a decisão de remoção também deveria ter passado por aquele órgão.A instalação da ciclovia fez também parte de um pacote de mobilidade que a autarquia candidatou ao programa de financiamento comunitário Norte 2030, com um custo de 98 mil euros.A Mubi vai ainda lançar uma petição “não só para devolver uma ciclovia a uma avenida que é tão importante para Gaia”, mas também para que a cidade tinha um plano de mobilidade urbana sustentável (PMUS) que não seja dominado pelo automóvel, explica Ana Guerra, ao PÚBLICO. O executivo anterior tinha encomendado um PMUS, que ainda não está concluído.Questionado sobre a possibilidade de enfrentar oposição na justiça ao desmantelamento da via ciclável, Luís Filipe Menezes, que está de regresso à câmara de Gaia após 12 anos de interregno, ironizou: “É melhor uma manifestação. Devem ser centenas, aqui à porta. Eu vou gostar de ver”.“É evidente que numa cidade como Gaia ou Porto, por exemplo, é complementarmente impossível, patético, bizarro, errado, pensar que é possível ter, no centro urbano, ciclovias. Não há espaço. Vamos ter de construir ciclovias, sim, onde há espaço”, afirmou.Aconselhou a Mubi a estudar “um bocadinho” antes de avançar para a justiça e desvalorizou a posição da associação, da qual diz nunca ter ouvido falar. “Não queira a Mubi impor-se à vontade da maioria dos cidadãos”, sublinhou o autarca que, enquanto candidato, tinha prometido retirar a via ciclável da Avenida da República para melhorar a “fluidez” do trânsito automóvel.A Avenida da República vai ficar com duas faixas de rodagem, sendo uma delas para autocarros, a determinadas horas do dia, explicou o autarca. Fez questão de recordar que construiu, na primeira passagem pelo município, vários quilómetros de ciclovia, na marginal de Gaia.


“Desafio algum dos senhores aqui, [a dizer] se já viram alguém a subir a Avenida da República de bicicleta no último ano. Desde que Joaquim Agostinho morreu, não há ninguém com pernas para subir a Avenida da República”, rematou. Logo após as declarações de Menezes, à saída do edifício da Câmara Municipal de Gaia, o PÚBLICO observou duas pessoas a subir a avenida, de bicicleta eléctrica, num troço em que a ciclovia já foi apagada.Um dos argumentos do anterior presidente do município, o socialista Eduardo Vítor Rodrigues, para instalar a ciclovia era contribuir para eliminar o estacionamento ilegal. O novo presidente disse que não viu o regresso dos carros parados na berma, admitindo que poderia acontecer “um ou outro”, para deixar sair uma pessoa ou para descarregar mercadorias.Garantiu que a Polícia Municipal vai estar vigilante, para impedir a ilegalidade, embora o PÚBLICO também tenha observado vários carros estacionados em zonas onde é proibido e onde houve, até sábado, um troço de ciclovia, mesmo ao lado da sede da câmara municipal.

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