Enfermeiros reúnem-se à frente do Ministério contra proposta de acordo do Governo
Os enfermeiros reúnem-se, nesta sexta-feira, em frente ao Ministério da Saúde, em resposta de rejeição ao acordo colectivo de trabalho, avança um comunicado do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) enviado ao PÚBLICO. A manifestação decorre num dia em que os enfermeiros estão em greve desde as 8h.Está prevista uma deslocação de centenas de enfermeiros, oriundos de todo o país, até Lisboa, como resposta ao acordo colectivo de trabalho do Ministério da Saúde. Nesse sentido, serão entregues “milhares de assinaturas recolhidas em menos de um mês”, como forma de rejeição.Aquele sindicato esteve reunido na quinta-feira com Ana Paula Martins, ministra da Saúde, e a discussão passou pelas urgências regionais, em particular na especialidade de ginecologia e obstetrícia. No entanto, a proposta do acordo de trabalho, apresentada em Julho, não chegou à conversa.Guadalupe Simões, dirigente do SEP, em declarações à agência Lusa explicou que o rumo da reunião foi inesperado. Tratando-se de uma reunião com a ministra sobre recursos humanos, acreditava-se que Ana Paula Martins “dissesse finalmente que iriam ser abertos concursos de admissão nas instituições de saúde do SNS e os concursos de acesso às diferentes categorias da carreira numa perspectiva de valorização dos profissionais e de permitir o seu desenvolvimento profissional”, o que não aconteceu.Para o sindicato, a tutela “continua a não dar resposta às necessidades de admissão de enfermeiros e abertura de concursos” e destaca que, este ano, não houve uma única instituição que abrisse um concurso para permitir acesso àqueles que já hoje são enfermeiros”. Por tudo isto, avançam nesta sexta-feira para o edifício na Avenida João Crisóstomo.“É hoje uma certeza para os enfermeiros, a nível nacional, que o Governo e o Ministério da Saúde querem poupar dinheiro à custa do seu trabalho, pretendendo passar a considerar como tempo normal de trabalho o que, até agora, eram horas extraordinárias”, justifica o SEP no comunicado.O sindicato acusa o Governo de “pôr ao bolso” as percentagens pagas desde 1979, formas remuneratórias de compensação pelo trabalho nas tardes, noites, fins-de-semana e feriados.A esta decisão, o sindicato chama “o golpe final”, por cima de um contexto de “carência de enfermeiros, a sua cada vez menos capacidade de retenção nas instituições e a falta de atractividade da carreira que faz com que milhares optem pelo estrangeiro”.O SEP atira ainda que, para um plano que se acreditava ser “motivacional”, a única motivação que sobressai é a de que os enfermeiros abandonem o país e o Serviço Nacional de Saúde.Após reunião com o Ministério na quinta-feira, também a Federação Nacional dos Médicos decidiu avançar com uma greve, que acontece na próxima sexta-feira.










