TECNOLOGIA

Startup usa casca de camarão para limpar água poluída e criar bioplástico

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Atualmente, a maior parte das cascas de camarão são jogadas no lixo. Quando é deixada em aterros sanitários ou lixões, ao fermentar gera metano, que é um gás com efeito estufa, prejudicial para a atmosfera.Foi ante essa situação que o especialista em biotecnologia Eber Eurípedes de Souza, 46 anos, professor da Universidade Federal de Tocantins, viu uma oportunidade. “Criamos uma tecnologia para transformar biomassa em biomoléculas, reduzindo o impacto no meio ambiente. Conseguimos criar moléculas para duas aplicações”, conta Souza, que criou a Bio 6 Sustentável.A primeira utilização é para tratamento de água e esgotos. “Nosso produto realiza a bioflocagem. Joga-se na água e ele precipita. O resíduo fica no fundo e a água pode ser devolvida aos rios”, relata Souza.Ele conta que existem outros produtos que fazem a flocagem, normalmente com alumínio. O nosso produto é biodegradável. Não tem a toxicidade dos metais pesados”, explica Souza.Basta uma pequena quantidade do produto para limpar uma grande quantidade de água. “A razão é 0,02% do volume. Um litro, pode tratar 5 mil litros de efluentes. Pode ser usado em esgotos domésticos, frigoríficos, empresas de laticínios, fábricas de celulose, de tintas ou mesmo na piscicultura”, afirma o professor.Diamante da biomassaO segundo produto é uma molécula que é conhecido como HMF, forma mais simples de dizer hidroximetilfurfural. “Serve para vários setores industriais. Pode ser utilizado na produção de bioplásticos, de bioenergia, de resinas. Normalmente tem utilização nas indústrias alimentares, farmacêuticas e de cosméticos. É considerado o diamante da biomassa”, conta Souza.Nos bioplásticos, o HMF funciona como um bloco de construção, ligando os elementos. Na bioenergia, é o ponto de partida para a síntese que gera o combustível, com maior densidade energética que o etanol. Na indústria alimentar, intensifica sabores de caramelo e funciona como conservante. E, na indústria farmacêutica, tem a função de base para a construção dos compostos químicos que vão ser os medicamentos.Montar uma fábricaNeste momento, a empresa busca captar investimentos com o objetivo de sair da academia para ir para o mercado. “Começamos em 2023, com um investimento de 200 mil reais. Fizemos as validações, estivemos um ano e meio para as certificações. Começamos a busca de parceiros há quatro meses”, conta Souza, que veio para Portugal para participar do Web Summit Lisboa.O objetivo é obter 5 milhões de reais para conseguir criar a primeira fábrica. A fábrica deverá estar localizada no Nordeste, região do Brasil onde se produz a maior quantidade de matéria-prima. Atualmente, é necessário levar as cascas de camarão do Nordeste para Palmas, em distâncias que ultrapassam os 1.500 quilômetros. A previsão é que a fábrica gere 50 empregos diretos, dos quais 20% especializados.A Bio 6 Sustentável foi uma das escolhidas para a incubação na sede de Lisboa da ApexBrasil. Durante nove meses de 2026, a empresa vai ter a oportunidade de se internacionalizar a partir de Portugal. Os primeiros três meses serão para a legalização no país, sendo que o período restante deverá ser utilizado para estabelecer laços com o mercado europeu.
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