Portugal chega à última curva antes do Mundial
Começou com uma goleada, seguiram-se duas fugas para a vitória nos últimos minutos e, depois, veio um empate. Dez pontos conquistados em 12 possíveis, 11 golos marcados, quatro sofridos. Portugal está no bom caminho para chegar ao Mundial 2026 e pode consegui-lo já nesta quinta-feira, em Dublin, frente à República da Irlanda (RTP1, 19h45). Uma vitória é a conta mais fácil de fazer para a selecção nacional garantir o seu lugar e até pode nem ser preciso, dependendo do que acontecer no Arménia-Hungria, que se joga às 17h, em Yerevan. Se houver empate, ou ganharem os arménios, Portugal pode festejar antes de jogar.A acontecer, será a nona presença de Portugal em fases finais do Mundial de futebol e a sétima consecutiva – a selecção marcou sempre presença no torneio desde 2002 e já tem presença garantida no de 2030 como um dos organizadores. E será um desfecho normal, já que ninguém esperaria que aquela que é considerada uma das melhores selecções do mundo não ficasse no topo de um grupo onde estava emparelhada com Hungria, Irlanda e Arménia. Mas os resultados desta campanha também dizem outra coisa: que Portugal raramente foi a melhor versão de si mesmo, como foi, antes do início desta campanha, na Liga das Nações, conquistada às custas da Alemanha (meia-final) e da Espanha (final).Tirando a goleada na Arménia, todos os jogos que Portugal fez foram bastante sofríveis e podiam bem ter tido outro resultado. Em Budapeste, Portugal chegou a estar a perder durante a primeira parte, deu a volta, permitiu o empate aos 84’ e só marcou o golo da vitória aos 86’, por João Cancelo. Depois, em Alvalade, o 0-0 frente aos irlandeses durou para lá dos 90 minutos, com um penálti falhado de Ronaldo pelo meio, até que Rúben Neves, a jogar com o 21 nas costas (número do amigo Diogo Jota), marcou o golo da vitória.Poucos dias depois, quando já se celebrava o apuramento, Portugal provou um pouco do seu “veneno” dos últimos minutos, ao sofrer um empate na compensação com a Hungria (2-2). Ou seja, esta campanha quase perfeita de dez pontos em 12 possíveis podia ter facilmente sido de apenas seis pontos – e os portugueses, como em outros tempos, estariam de calculadora na mão a pensar em todos os cenários possíveis.Com as vitórias milagrosas, Portugal está mesmo muito perto do apuramento – pode até entrar em campo sem esse peso. Já a Rep. Irlanda, terceira no Grupo F com apenas quatro pontos, precisa de todos os pontos que conseguir e Heimir Hallgrimsson, o islandês que treina os irlandeses, garante que Portugal tem fraquezas que podem ser exploradas. Quais poderão ser essas fraquezas, na perspectiva de Roberto Martínez? “Acho que todas as equipas no mundo têm pontos fortes e fraquezas. A equipa perfeita não existe. Temos de levar o jogo para os nossos pontos fortes. Acho que o ‘onze’ inicial da Rep. Irlanda vai ser diferente do ‘onze’ que utilizaram em Lisboa”, foi o que respondeu o técnico espanhol.Portugal irá enfrentar esta dupla jornada – depois da Rep. Irlanda, será a Arménia no próximo domingo no Dragão – com várias ausências de vulto, como Nuno Mendes e Pedro Neto, habituais titulares, mais Pedro Gonçalves e José Sá, sendo que Bruno Fernandes, castigado, não joga em Dublin. Martínez não chamou ninguém para os substituir e a única coisa que disse sobre o assunto é que costuma chamar jogadores já a contar com esta situação: “Não sei porquê, mas normalmente o estágio de Novembro tem sempre esta situação. Um jogador quando chega à selecção deve chegar no dia da convocatória.”Este Mundial a que Portugal ainda não chegou será o último da carreira de Cristiano Ronaldo pela sua própria admissão. Martínez não falou muito sobre isso – “estamos a falar agora da Irlanda”. E o próprio Ronaldo, que antecedeu o seleccionador nacional na conferência de imprensa, também não falou muito sobre isso. Mas não deixaram de lhe perguntar se, depois de ter ganho quase tudo ao longo de mais de 20 anos de carreira e de ter chegado aos 953 golos, se via a marcar o golo mil na final do Mundial a 19 de Julho do próximo ano. “Andas a ver muitos filmes, isso era demasiado perfeito”, respondeu o capitão.Ronaldo tem 40 anos, vai ter 41 na altura do Mundial das Américas e já não é o mesmo jogador do início de carreira. Agora o que faz mais é marcar golos, “a coisa mais difícil de fazer no futebol”, segundo a sua própria avaliação. Mas o que é mais importante, acrescentou é o que está dentro do “coco”. “Fui inteligente em poder adaptar-me ao futebol actual, às condições físicas e mentais, aos contextos dos clubes, das selecções e das ligas. O futebol não é igual ao que era há uns anos. Nem há um ano. Para mim, o que faz a diferença é o coco. O coco, é a cabeça, claro!”










