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Tendas inundadas com as primeiras chuvas fortes em Gaza

Mal foi anunciado o cessar-fogo na Faixa de Gaza, há pouco mais de um mês, organizações de ajuda disseram estar prontas a entrar e a começar a distribuir ajuda no território atingido pela fome e preparar o Inverno quando muitas pessoas vivem em tendas em cima de ruínas ou perto do local em que eram as suas casas.Estava a ser preparada uma acção que seria “literalmente uma corrida contra o tempo”, como disse o subsecretário-geral da ONU e director executivo do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projectos (UNOPS), Jorge Moreira da Silva, em entrevista ao PÚBLICO. “As pessoas estão a morrer à fome. E o Inverno está a aproximar-se”, explicou.Mas a ajuda que foi tendo autorização para entrar não corresponde ao que foi estabelecido no cessar-fogo.E na madrugada desta sexta-feira, caíram as primeiras chuvas torrenciais, inundando tendas, misturando-se com esgotos que não estão a funcionar.“Recebemos centenas de pedidos de ajuda”, disse à CNN Mahmoud Basal, porta-voz da Defesa Civil de Gaza. “Mas não há recursos” para ajudar.Os locais mais afectados foram as chamadas cidades de tendas e campos para pessoas deslocadas na Cidade de Gaza, Khan Younis (Sul) e no centro de Gaza, segundo o diário israelita Haaretz.Dez centímetros de águaEm vários centros de acolhimento, continuou Basal, locais inteiros tiveram subidas de água de mais de dez centímetros. “Os colchões estão encharcados, as mantas estão ensopadas e já não há alternativas — porque todas as opções foram destruídas por Israel”, disse, referindo-se a locais que poderiam servir de abrigo, como escolas.Imagens mostram locais em que pessoas têm água quase a chegar à altura dos joelhos, que tentam tirar água lamacenta das tendas, pessoas encharcadas.Segundo o Haaretz, citando informações locais, poderão estar inabitáveis 93% das tendas do território, muitas desadequadas e fragilizadas já por ataques anteriores. Há tendas de emergência e unidades móveis de habitação, que poderiam suportar melhor condições adversas, à espera de autorização de entrada de Israel, dizem ainda as autoridades de Gaza.O medo é agora que esta falta de condições leve a um aumento de doenças, sobretudo respiratórias mas também de pele e intestinos.A jornalista da Al Jazeera Hind Khoudary, que está em Deir el-Balah, no centro do território, disse que há “cerca de 150 camiões” a entrar diariamente no território quando o acordado eram 600.Ou seja, apesar de ter aumentado, a ajuda alimentar não é ainda suficiente para as enormes necessidades de uma população enfraquecida pela falta de alimento dos últimos meses.“Há muitas famílias que dizem não haver lonas, tendas, nem qualquer ajuda humanitária”, descreveu Khoudary. Com o mau tempo, “é um pesadelo aterrador para muitas das famílias, especialmente as que estão em campos improvisados”, sublinhou a jornalista.Seringas para vacinas não entramAgências das Nações Unidas queixaram-se ainda antes de dificuldades em conseguir que Israel autorize a entrada de bens essenciais – ainda esta semana a Unicef disse que o Estado hebraico não está a permitir que entrem seringas necessárias para uma campanha de vacinação de crianças, nem biberões para leite em pó. A Unicef diz que o pedido para a entrada de 1,6 milhões de seringas foi feito em Agosto.A Faixa de Gaza está de momento numa situação descrita como um limbo entre a guerra e a paz, e cada vez mais se teme que a actual situação, em que o território está dividido com Israel a controlar ainda cerca de 53% do território, se prolongue indefinidamente. E segundo a BBC, a destruição não parou com o cessar-fogo: nas áreas que controla, o Exército de Israel demoliu mais de 1500 edifícios desde 10 de Outubro, mostram imagens de satélite analisadas pela equipa do serviço de verificação da televisão britânica.

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