Polícia Judiciária prende extremista de direita que ameaçou jornalista brasileira
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O extremista de direita Bruno Silva, que ameaçou de morte a jornalista brasileira Stefani Costa, 36 anos, foi preso nesta terça-feira (21/10) pela Polícia Judiciária (PJ) de Portugal. Em setembro deste ano, ele havia postado nas redes sociais uma mensagem em que oferecia 100 mil euros (600 mil reais) a quem eliminasse a repórter, que é correspondente do Ópera Mundi, da plataforma UOL.A ameaça não foi apenas contra a jornalista. O texto do extremista afirmava: “Estou a oferecer um dos meus apartamentos no centro de Lisboa, avaliado em média em 300 mil euros, a quem realizar um massacre e exterminar pelo menos 100 brasileiros em Portugal, e darei um bônus adicional de 100 mil euros a quem me trouxer a cabeça da Stefani Costa”.As ameaçadas de Bruno a jornalista se tornaram uma constante. “A primeira vez foi em junho de 2024, quando ele publicou a foto de duas armas, o símbolo do movimento 1143 (definido em documentos policiais como um grupo ultranacionalista e neonazista), um logotipo do partido Chega da direita radical populista, e a frase ‘uma colega brasileira já foi eliminada e essa será a próxima’”, conta Stefani. Ela denunciou o caso ao Ministério Público, que abriu uma investigação.Em comunicado, a Polícia Judiciária informa que, por meio da “Unidade Nacional Contraterrorismo, no âmbito de um inquérito titulado pelo DIAP (Departamento de Investigação e Ação Penal) de Lisboa, deteve, fora de flagrante delito, um homem de 30 anos, luso-brasileiro, fortemente indiciado de ter difundido nas redes sociais uma publicação na qual incita à violência contra um grupo de pessoas de nacionalidade estrangeira”.
Segundo a PJ, Bruno Silva tem antecedentes por crimes de discriminação e incitamento ao ódio e à violência. Ele será apresentado ao juiz ainda nesta terça-feira ou, no máximo, na quarta-feira. O magistrado decidirá se o luso-brasileiro ficará detido preventivamente ou se responderá ao processo em liberdade.Crime de ódioPara a jornalista, a prisão de Bruno Silva é apenas um passo para que ele seja punido dentro do que determina a lei. “Foi um alívio, mas sei que é só o começo”, avalia. No entender dela, Portugal precisa ir além e aprovar uma lei que puna, efetivamente, os crimes de ódio. Estudo divulgado recentemente pelo Observatório Europeu dos Meios de Comunicação Digitais (EDMO) mostra que Portugal se tornou o epicentro da Europa na disseminação de notícias falsas para incitar a violência contra imigrantes.Bruno Silva não foi o único a tentar intimidar Stefani. “Recebo ameaças quase diárias desde 2023, tanto por mensagens diretas quanto pelas redes sociais. Muitas ameaças vêm de perfis anônimos”, relata. A jornalista diz que teve o respaldo de autoridades para enfrentar os ataques. “Tanto as autoridades portuguesas quanto as brasileiras, em especial os representantes da embaixada do Brasil em Portugal e do consulado do Brasil em Lisboa, me apoiaram”, agradece.Do consulado, ela recebeu uma lista de recomendações. “Disseram para mudar de rota, não sair sozinha à noite, tomar cuidado em transportes públicos, não publicar informações nas redes sociais que ajudem a me localizar e enviar as autoridades as ameaças que recebo. E o cônsul-geral, Alessandro Candeas, entrava sempre em contato comigo, perguntando se estava tudo bem”, descreve.Segundo Stefani, as ameaças não são um ataque apenas contra ela. “São um atentado contra a liberdade de imprensa”, define.
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