TECNOLOGIA

Aborto e eutanásia: farmacêuticos discutem objecção de consciência

A questão do equilíbrio entre os direitos dos farmacêuticos à objecção de consciência e dos doentes aos cuidados de saúde fez parte de uma “discussão muito interessante” ocorrida este sábado no conselho farmacêutico nacional, disse o bastonário desta ordem profissional.No final da reunião, Helder Mota Filipe referiu que o assunto foi “muito discutido”, salientando ser “preciso que sejam tidos em consideração estes dois aspectos e que o doente nunca fique prejudicado por o profissional ser objector de consciência”. O bastonário deu como exemplos a intervenção na interrupção voluntária da gravidez ou na morte medicamente assistida.”São situações em que muitas vezes, à primeira vista, não nos apercebemos do papel do farmacêutico, mas em que se precisa de medicamentos, da preparação de medicamentos, do acesso a medicamentos”. Por razões morais, religiosas ou filosóficas, o profissional de saúde pode “recusar-se a exercer determinada intervenção”.Na sessão sobre os desafios éticos na saúde, na qual participou a presidente do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, Maria do Céu Patrão Neves, foram também analisadas as escusas de responsabilidade dos farmacêuticos. Segundo Helder Mota Filipe, depois de uma “reflexão interna alargada”, a Ordem poderá “aprofundar as suas directrizes para os profissionais relativamente ao exercício de um e de outro destes direitos” e às “condições que devem ser tidas em consideração”.Foram igualmente apresentados dois estudos relativamente ao desenvolvimento da profissão, um da autoria da Sociedade Portuguesa de Farmacêuticos de Cuidado de Saúde e outro da Associação Portuguesa de Jovens Farmacêuticos. “Também geraram uma discussão muito interessante entre os representantes da profissão farmacêutica relativamente à adequação da formação universitária dos farmacêuticos e até às principais áreas do desenvolvimento da profissão e a ligação entre a universidade e o acesso às especialidades e às competências e o ensino pós-graduado”, adiantou o mesmo responsável.Com 60 elementos, este conselho conta com representantes das ciências farmacêuticas, das faculdades e das organizações da profissão e da actividade farmacêutica, reunindo-se pelo menos uma vez por ano.

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