Bebé da grávida que morreu no Hospital Amadora-Sintra também não sobreviveu
A bebé da mulher grávida que morreu ao dar entrada no Hospital Amadora-Sintra em paragem cardiorrespiratória na quinta-feira, 30 de Outubro, acabou por não sobreviver. A notícia, avançada por vários órgãos de comunicação social neste sábado, 1 de Novembro, foi confirmada ao PÚBLICO por fonte oficial do hospital. “A bebé estava em estado muito crítico e acabou por falecer.”A morte da bebé que estava na unidade dos cuidados intensivos da neonatologia aconteceu às 7h, um dia depois da notícia da morte da mãe, num caso que levou o Ministério Público a abrir uma investigação. Também foram iniciadas averiguações ao sucedido pelo próprio hospital, pela Entidade Reguladora da Saúde e pela Inspecção-Geral das Actividades em Saúde.”O processo de avaliação tem como objectivo avaliar os factos relacionados com a assistência prestada” à grávida, indicou o regulador, num comunicado emitido ao final da manhã de sexta-feira.A mulher teve uma consulta de rotina no Hospital Professor Dr. Fernando Fonseca na quinta-feira na qual foi identificada uma hipertensão ligeira, de acordo com a unidade hospitalar. Tal condição pode levar a complicações como pré-eclâmpsia, eclâmpsia, AVC ou danos renais e cardíacos, pelo que a doente foi encaminhada para o serviço de urgência de obstetrícia. Feitos vários exames, teve alta e indicação para internamento às 39 semanas.”A grávida foi avaliada em consulta de rotina sem sintomas e foi detectada, num exame de rastreio normal na consulta de obstetrícia, uma hipertensão muito ligeira, na ordem dos 140/90, e foi referenciada internamente para a urgência obstétrica, onde foram feitos vários exames e descartadas complicações importantes da gravidez que determinassem atitudes diferentes. Ela foi enviada para casa com ensino dos sinais de alarme para recorrer novamente ao serviço de urgência”, explicou Diogo Bruno, director do serviço de ginecologia e obstetrícia do Amadora-Sintra.”Prognóstico muito reservado”Já pelas 1h56 desta sexta-feira, voltou ao mesmo hospital e deu entrada nas urgências em paragem cardiorrespiratória. Apesar do óbito da mãe ter sido declarado, o bebé nasceu com vida depois de uma cesariana de emergência e ficou sob vigilância médica, nos cuidados intensivos neonatais, “com prognóstico muito reservado”.Na nota enviada às redacções, a unidade local de saúde referia que tinha sido aberto um inquérito interno para “apurar todas as circunstâncias associadas ao ocorrido”. Como ressalvou Diogo Bruno, a mulher de origem estrangeira teria chegado recentemente a Portugal, pelo que a gravidez não fora acompanhada naquele hospital.A morte já no hospital coincidiu com a ida da ministra da Saúde, Ana Paula Martins, à Assembleia da República para respondeu a perguntas dos deputados sobre o Orçamento do Estado para 2026 e depois de, no princípio de Outubro, a falta de médicos e a dificuldade de resposta nas urgências ter levado à saída da directora clínica daquela unidade local de saúde.Na primeira ronda de perguntas, Marta Silva, do Chega, lembrou que, em Agosto de 2022, na sequência da morte de uma grávida, transferida do Hospital Santa Maria para o Hospital São Francisco Xavier por falta de vagas na neonatologia, a antiga ministra Marta Temido se demitiu. E acrescentou que o PSD, na altura na oposição, tinha sido “o primeiro a exigir responsabilidades”. “Onde está a coerência?”, questionou. Em resposta, a ministra citou um excerto do relatório do hospital relativo a este caso, assinalando tratar-se de “uma utente natural da Guiné-Bissau” que “não teve acompanhamento da gravidez até à data que entrou no hospital Amadora-Sintra, às 38 semanas”. Perante a insistência da deputada da oposição, que quis saber se a ministra se ia demitir, Ana Paula Martins respondeu: “Não, não me demito.” com Ana Cristina Pereira e Natália Faria










