TECNOLOGIA

<em>Sr. Engenheiro — Alegadamente Um Musical</em> chega a 1 de Abril com José Sócrates na mira

No dia 1 de Abril de 2026 subirá ao palco do Teatro Tivoli, em Lisboa, Sr. Engenheiro — Alegadamente Um Musical, uma “farsa” de 600 mil euros inspirada na vida do antigo primeiro-ministro, hoje arguido por crimes como corrupção passiva, branqueamento de capitais e fraude fiscal qualificada no âmbito da Operação Marquês. O espectáculo, que contará com banda, coreografias e uma equipa de 40 pessoas, é um acto de “liberdade de criação artística” do argumentista Henrique Dias, autor do libreto; a encenação é de Rui Melo e a música de Artur Guimarães.“É uma história fantástica, não no sentido propriamente jurídico, mas da crónica de costumes da sociedade portuguesa”, diz Henrique Dias ao PÚBLICO sobre esta produção que terá um mês de récitas no Teatro Tivoli, a partir do Dia das Mentiras, e depois irá para o Coliseu do Porto em Maio, como avançado pelo semanário Expresso.Para Henrique Dias, que viu a ideia nascer há cerca de dois anos ao assistir a uma reportagem sobre o caso José Sócrates, existe aqui um fio por onde puxar para explorar a “relação dos portugueses com o poder e a política”. Evoca a tradição satírica nacional, de Gil Vicente a Eça de Queiroz, de Guerra Junqueiro ou a Contra-Informação, para alicerçar esta ideia de partir dos factos públicos, e apenas deles, para contar uma história inspirada no que ao longo da última década se foi sabendo sobre o ex-primeiro-ministro. Que nada disse ao autor desde que foi alertado para a existência deste espectáculo.“Toda a gente conhece os factos públicos desta história”, diz o autor, com outros colegas de escrita, de êxitos recentes da RTP1 como Pôr do Sol ou Felp, que vê assim no caso de José Sócrates o filão ideal para uma peça que misturará crónica de costumes com farsa. Henrique Dias frisa que não se trata de uma obra “moralista”, mas não quer revelar para já mais nomes do elenco, salvo o do protagonista, Manuel Marques — que, mesmo estando a ser investigado por violência doméstica, foi escolhido para o papel (já o interpretara de resto na comédia televisiva Donos Disto Tudo, da RTP). “Dou-lhe a mesma presunção de inocência que nós damos ao engenheiro José Sócrates” ou a outra pessoa, responde o autor do libreto ao PÚBLICO.Sr. Engenheiro — Alegadamente Um Musical tem um orçamento elevado para os padrões portugueses. Henrique Dias abordou Paulo Dias, da produtora UAU, que precisou de 24 horas para ponderar o tema e a proposta. O espectáculo será inteiramente financiado com fundos privados, sem apoios do Estado. “Só fazia sentido fazer [isto] se fosse uma coisa em grande. O impacto que queremos ter só seria possível com algo grandioso, como as proporções que este caso tomou na sociedade portuguesa.”O tema era irresistível e já chegou à ficção através das séries Prisão Domiciliária, da plataforma Opto, da SIC, e Teorias da Conspiração, da RTP1.José Sócrates é o principal arguido da Operação Marquês. O julgamento do caso está suspenso até dia 4 de Dezembro para que o ex-primeiro-ministro encontre novo advogado. O processo tem 21 arguidos e Sócrates é acusado de 22 crimes: três de corrupção, 13 de branqueamento de capitais e seis de fraude fiscal qualificada. Os bilhetes para o espectáculo da UAU estão à venda a partir da próxima segunda-feira, dia 24.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo

Para continuar no site, por favor, desative o Adblock.

Por favor, considere apoiar o nosso site desligando o seu ad blocker.