TECNOLOGIA

Por uma mobilidade mais próxima, mais livre e mais inteligente

Vivemos um momento decisivo para o futuro da mobilidade em Portugal. Com a publicação do Decreto-Lei n.º 93/2025, o país entra numa nova fase na forma como entende, regula e promove o acesso à mobilidade elétrica – com impactos concretos para cidadãos, empresas e operadores.O novo regime legal permite, de forma clara e direta, simplificar o carregamento de veículos elétricos e híbridos plug-in, eliminando barreiras que, durante anos, condicionaram o crescimento desta realidade em Portugal. Assim, qualquer utilizador poderá carregar o seu automóvel sem contrato prévio, com pagamento direto através de cartão bancário ou app, num sistema mais transparente, interoperável e concorrencial.


Para quem já conduz um veículo eletrificado, esta mudança representa uma maior liberdade e confiança. Para quem pondera fazer essa transição, a nova legislação poderá ser o incentivo que faltava: menos complexidade, mais previsibilidade e, sobretudo, melhor acesso.Mas esta evolução não é apenas legislativa – é estratégica. Ao garantir um mercado mais aberto, com regras mais claras e tecnicamente harmonizadas com a Europa, Portugal cria condições para acelerar a descarbonização do setor dos transportes, mas também para atrair inovação, investimento e talento.Ainda assim, é importante reconhecer que a eletrificação total da mobilidade exige mais do que legislação e incentivos. Exige uma visão de futuro assente na diversidade tecnológica e na resposta às necessidades reais dos cidadãos, das empresas e das cidades.Acreditar num futuro sustentável não pressupõe uma abordagem única. Pelo contrário: a mobilidade sustentável deve ser encarada como um ecossistema plural, onde coexistem diferentes soluções: desde os veículos 100% elétricos, aos híbridos plug-in, passando pelos modelos elétricos com extensores de autonomia (EREV), motorizações a hidrogénio e até pelos combustíveis sintéticos ou de baixas emissões.

Existe o risco de se adotar posições excessivamente rígidas ou de acelerar artificialmente proibições que se podem revelar completamente desconectadas da realidade de muitos países, como Portugal




Existe o risco de se adotar posições excessivamente rígidas ou de acelerar artificialmente proibições que, à primeira vista, podem parecer necessárias. Estas proibições podem-se revelar completamente desconectadas da realidade de muitos países, como Portugal. O caminho para uma mobilidade neutra em carbono deve ser ambicioso, sim, mas também pragmático e inclusivo.Mais ainda: impor uma solução única pode ter efeitos perversos na indústria e nas emissões. A nível industrial, um calendário demasiado apertado para o fim da venda de veículos com motor a combustão irá fragilizar os fabricantes europeus, forçados a competir num terreno onde outros construtores já têm uma vantagem significativa. Ao invés de liderar, a Europa arrisca tornar-se dependente.

Um calendário demasiado apertado para o fim da venda de veículos com motor a combustão irá fragilizar os fabricantes europeus, forçados a competir num terreno onde outros construtores já têm uma vantagem significativa




Ao mesmo tempo, uma proibição total e anunciada com demasiada antecedência poderá ter um efeito contrário ao desejado: muitos consumidores podem optar por antecipar a compra de veículos a combustão nos últimos anos antes da entrada em vigor da medida, aumentando as emissões num curto espaço de tempo e atrasando, de facto, a renovação do parque automóvel.Barrar o acesso e desenvolvimento de determinado tipo de tecnologias é algo que a grande maioria dos europeus não vê com bons olhos. O progresso só será verdadeiramente transformador se for também justo e viável.


Acredito que Portugal tem todas as condições para ser um caso de sucesso europeu na mobilidade elétrica. A evolução legislativa agora em curso é um sinal encorajador de que estamos a alinhar visão política, capacidade técnica e experiência do utilizador. Agora, é fundamental inovar e manter o foco na qualidade e reforço das infraestruturas bem como, na abertura a diferentes soluções tecnológicas.Porque não se trata apenas de mudar o tipo de energia que usamos para nos deslocarmos. Trata-se sim de redefinir a nossa relação com a mobilidade – de forma mais sustentável, mais eficiente e, sobretudo, mais inteligente.O autor escreve segundo o acordo ortográfico de 1990

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