TECNOLOGIA

Em 2026, o MAAT traz Anna Maria Maiolino, Christian Marclay, Cabrita e um enfoque na colecção EDP

O barro das esculturas da artista brasileira Anna Maria Maiolino, que foi Prémio Carreira na última Bienal de Arte de Veneza. As instalações do artista suíço-americano Christian Marclay, outro Leão de Ouro de Veneza, em 2011, por The Clock, uma obra seminal sobre o tempo. São as duas exposições dedicadas a artistas internacionais que mais se destacam na programação para 2026 do Museu de Arte, Arquitectura e Tecnologia (MAAT), em Lisboa, que vai comemorar em Outubro do próximo ano uma década de existência.Se essas duas mostras chegarão em Março, a nova programação há-de arrancar em Fevereiro com a primeira parte da exposição que mostrará a colecção do próprio MAAT, conhecida como Colecção da Fundação EDP, inteiramente dedicada à arte portuguesa. A segunda parte será inaugurada em Março e ficará patente até ao início de 2027. O objectivo deste enfoque na Colecção EDP é tornar mais visível o acervo próprio, num projecto que tem também a ambição de produzir um catálogo com cerca de 300 páginas, algo inédito na sua abrangência, segundo João Pinharanda e Sérgio Mah, respectivamente director e director-adjunto do museu, que apresentaram esta quarta-feira aos jornalistas uma programação que trará sete exposições ao MAAT.“A colecção foi mostrada pela última vez em 2021. Esta é a resposta a um desejo do público, resultado de um inquérito realizado há dois anos, que se queixou que não via a colecção”, explicou João Pinharanda, acrescentando que a exposição vai reunir peças desde os anos 50 à actualidade, atravessando um acervo que tem cerca de 2500 obras e que começou a ser constituído em 2000. A primeira parte inclui obras de Gabriel Abrantes, Luísa Cunha, Ana Jotta, Joana Vasconcelos, José Pedro Croft, João Pedro Vale & Nuno Alexandre Ferreira e João Paulo Feliciano, entre outros.Outro momento importante chegará em Outubro, a tempo de comemorar o décimo aniversário do museu, com uma exposição dedicada à inteligência artificial (IA), desta vez com uma curadoria exterior à prata da casa. O académico Antonio Somaini, que concebeu O Mundo através da IA, apresentada este ano no Jeu de Paume, em Paris, vai explorar em Lisboa a presença crescente da IA nas práticas artísticas contemporâneas. Já estão confirmadas obras de artistas como Hito Steyerl, Kate Crawford & Vladan Joler, Trevor Paglen, Grégory Chatonsky ou Fabien Giraud.Nestes dez anos, o MAAT organizou 130 exposições, apresentando o trabalho de mais de mil artistas e contabilizando três milhões de visitantes. “É muito importante a relação com os públicos”, sublinhou Sérgio Mah, “que não queremos que não que seja facilitadora mas complexificadora”. Está previsto nesse âmbito um aprofundamento dos programas públicos, como a realização de um congresso internacional dedicado à IA, ainda sem data anunciada.


Com a saída de Sérgio Mah, que a partir de Maio vai dirigir o Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, chegará ao MAAT um novo director-adjunto para trabalhar com João Pinharanda, provavelmente ainda este ano. O nome já está escolhido, será um homem e português, adiantou Miguel Coutinho, director-geral da Fundação EDP, escusando-se a revelar o nome antes da assinatura do contrato.No mês anterior ao aniversário, em Setembro do próximo ano, Pedro Cabrita Reis vai ocupar a Galeria Oval, mas a programação de nomes portugueses, para lá da colecção EDP, começa logo no final de Março com uma exposição da artista Margarida Correia, dedicada às questões históricas do pós-colonialismo, e centrada no serviço das enfermeiras paraquedistas do exército português na Guerra Colonial. Paulo Furtado, ou melhor The Legendary Tigerman, também em Setembro, vai propor uma experiência imersiva em realidade estendida com recurso a capacete de realidade mista.O MAAT já encomendou dez toneladas de argila para a grande exposição de carácter antológico dedicada a Anna Maria Maiolino, que implicará a realização de um conjunto de obras in situ, revelaram os dois directores. Maiolino ocupará a Sala Oval a partir do final de Março com essa manualidade do barro, muito próxima do corpo, materializada em esculturas que conviverão com outros materiais, como o vidro ou o metal, numa exposição intitulada Terra Poética, comissariada por Pinharanda e Mah.


A instalação Ao Infinito (2025), de Anna Maria Maiolino, na Bienal de Veneza
DR

No mesmo dia, Christian Marclay, que já apresentou The Clock no então Museu Colecção Berardo, em Lisboa, em 2015, mostrará na Galerias 1 e 2 e na Sala de Estúdio um conjunto de trabalhos que cruzam fotografia, instalação vídeo e performances de música improvisada, numa reflexão sobre a cultura urbana contemporânea. Com curadoria de Mah, a exposição aborda os últimos 20 anos de trabalho do artista através de 15 obras, duas delas apresentadas ao público pela primeira vez.Estas duas exposições internacionais, resumem os dois directores, “farão um bom contraste”.

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