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Do monastério aos palcos, o cantor e compositor Castello Branco retorna a Portugal

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O cantor e compositor carioca Castello Branco, 38 anos, volta a se apresentar nesta sexta-feira (21/11) em Espinho, na Região Metropolitana do Porto, onde começou toda a sua relação com Portugal. Depois de conhecer a Escola Profissional de Música de Espinho (EPME), 10 anos atrás, ele retorna à academia para o uma série de shows, com nove músicos, entre 15 e 17 anos, da EPME.“Estou fazendo esses shows com o ensamble de cordas da academia”, conta Castello Branco, que subirá ao palco do Teatro Maria Matos, em Lisboa, no dia 26 de novembro. Na capital portuguesa, o espetáculo terá a participação da cantora e compositora setubalense Cátia Mazari Oliveira, mais conhecida pelo seu nome artístico, A Garota Não. “Ela tem um som bem legal, e seu trabalho tem um lugar político forte, que vem de onde ela nasceu, num bairro social. Então, o que ela canta é como ela vê Portugal, é como ela vê a Europa”, diz ele.Antes, no dia 22 de novembro, ele levará sua música ao Cineteatro Alba, em Albergaria-a-Velha, em Aveiro, e, no dia 29, ao Ponto C — Cultura e Criatividade, em Penafiel, no Porto. Castello Branco relata que seus laços com Portugal começaram a partir da amizade, feita pela internet, entre ele e André Gomes, programador do Auditório de Espinho.“Ele é o cara que, desde do meu primeiro disco, há 10 anos, me identificou como um artista potencial da música brasileira. Acabamos criando uma conexão muito forte de amizade e companheirismo. Viramos uma família”, afirma o carioca. “Mas, profissionalmente, ele não trabalha para mim. Foi sempre uma coisa de me ajudar a levar o meu trabalho a outras pessoas, de gostar do que eu faço”.Músico múltiploMas não será a estreia do músico em solo luso. Além da própria academia, o artista já se apresentou em Coimbra e Lisboa. “Quando eu conheci o André, ele falou que tinha uma oportunidade para eu tocar em Portugal. Nem era muito sobre dinheiro, não tinha nem como ser, porque eu estava muito no começo de carreira, então, vim aos poucos. A primeira vez, há uma década, foi para fazer o Auditório de Espinho. Depois, fiz Coimbra, Lisboa, e tudo foi acontecendo”, frisa ele, que também já cantou na Espanha e na Suíça.Na turnê de Portugal, Castello Branco apresentará um mix dos seus cinco álbuns: Serviço (2012), Sintoma (2017), Sermão (2020), Niska (2021) e 1D10 (2025), que ele define como a junção da nova MPB com o softronic. No último disco, ela interpreta a faixa Peso do Meu Coração, com “A Garota Não”.“Vai ser é um repertório com as minhas músicas mais ouvidas, mas toco também Djavan (Flor de Lis) e Chico Buarque (Não Fala de Maria). Eu não costumo tocar músicas de outros artistas, mas essas duas já vêm comigo há um tempo, e são de duas figuras que eu, obviamente, admiro muito, que fizeram parte também da minha criação musical”, comenta Castello Branco, que, além de violão, toca guitarra, piano e bateria.Ele explica que não vem de uma família de músicos, mas que sempre quis aprender a tocar violão. “É um instrumento que é um refúgio para mim, um suporte emocional quando eu me sinto triste e sozinho. Sempre foi assim. Por isso, eu me dediquei tanto a fazer música”, reflete.Experiência ruimO artista tinha apenas 2 anos quando os pais se separaram. Com cada um para um lado, a mãe resolveu abrir um monastério com mais três amigas, em Teresópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro. “Elas venderam tudo o que tinham, compraram um terreno e, ao longo do tempo, abriram um monastério”, lembra ele, que não tem muitas recordações boas do lugar.“Vivi lá até meus 16, 17 anos. Foi bem complexo. As quatro tinham a mesma autoridade comigo, então, eram meio que minhas mães também. Eu já fiz muita terapia para entender tudo isso. Hoje em dia, tenho uma relação com a minha mãe muito doida. Só há dois anos, quando elas fecharam o espaço, eu vi minha mãe com cabelo grande, por exemplo, porque ela raspava a cabeça, era um monja, usava hábito, tinha uma vida de oração e serviço”.O pior, entretanto, foi ter sofrido abuso sexual dentro do monastério. “Tive problemas de abuso com trabalhadores daquela região que, às vezes, faziam tarefas lá. Então, várias coisas foram péssimas. Mas, atualmente, além de falar disso mais naturalmente, posso dizer que a minha experiência é o meu ouro, porque tento ver os dois lados da moeda. Essa vida de serviço, que já tive no monastério, me trouxe algumas chaves que estão na minha escrita, nas minhas músicas”, revela.
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