SAÚDE E BEM ESTAR

Sabor de promessa

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Da Bíblia à mesa, a uva é um símbolo milenar de abundância e versatilidade. Domesticada há 8 mil anos, ela atravessou culturas, do vinho de gregos e romanos à liturgia cristã. Hoje, seus benefícios são reconhecidos pela ciência, e o Brasil se destaca em sua produção. Uma jornada fascinante que vale a pena descobrir.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

Conta a Bíblia que Moisés, querendo conquistar a Terra Prometida, enviou para aqueles lados doze homens, a fim de espiar o que lá havia. Eles voltaram para o deserto trazendo um cacho de uvas tão grande que foram precisos dois homens para carregá-lo amarrado a uma vara. Era a prova de que aquelas terras eram mesmo férteis e valiam a luta.
Mesmo se a narrativa soa bem exagerada, a associação milenar entre uva e abundância diz muito sobre a importância dessa fruta na história humana.

A videira foi domesticada há cerca de oito mil anos na região do Cáucaso, entre as atuais Geórgia, Armênia e Turquia. A partir dali, espalhou-se pelo Oriente Médio, pelo Mediterrâneo e, mais tarde, pelo restante da Europa.

A planta era valiosa não apenas pelo que produzia, mas também pela versatilidade. Além de serem consumidas frescas, secas como passas, um dos primeiros “alimentos de viagem” que conhecemos, ou transformadas em xaropes e conservas. Tudo isso antes de irem parar nas taças na forma de vinho, um capítulo à parte na nossa relação com o fruto.
Gregos e romanos apreciavam a uva em todos esses aspectos. Em mosaicos e pinturas que chegaram até nós, são frequentes os cachos fartos pendendo de mesas de banquete, guirlandas de videiras decorando festas e figuras mitológicas cercadas de frutos maduros. A uva indicava prosperidade, fertilidade e prazer. Não por acaso, faz parte da representação de Dionísio (para os gregos) ou Baco (para os romanos), deus ligado à celebração da vida e à generosidade da natureza.

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Indispensável na Antiguidade, o vinho ganhou novos sentidos com o cristianismo. Na Última Ceia, Jesus associou a bebida ao seu sangue, gesto central da liturgia cristã. Para garantir o abastecimento das missas, os mosteiros medievais cultivavam suas parreiras. Mas os monges também consumiam e comercializavam os frutos de outras maneiras, ajudando a manter viva a cultura da videira em toda a Europa.
A uva nunca caiu em desuso. E a ciência nos mostrou seus benefícios contra o colesterol e como antioxidante. Costumo utilizá-la em doces light, aos quais ela dá doçura e crocância, ou para um refrescante suco com água de coco, sem dispensar um uso também ancestral, o de suas folhas para fazer “charutinhos”, típicos das regiões árabes.
Mas atenção: se o suco preserva boa parte dos compostos presentes na casca, especialmente nas variedades escuras, perde as fibras da fruta inteira. E o vinho… bem, nele pode morar a verdade, como prega um ditado latino, mas a forma alcoólica não é a melhor para ingerir os polifenóis da uva.

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Aliás, a uva que faz o vinho não é a mesma que vai à mesa. Estas costumam ter bagos maiores, polpa firme e aparência atraente, enquanto as da vinicultura são geralmente menores e concentram açúcares, ácidos e aromas em proporções diferentes.
A cultura da uva se tornou forte aqui, e a Embrapa desenvolveu novas variedades adaptadas ao clima nacional. A produção já não se limita ao Sul. No Vale do São Francisco, entre Bahia e Pernambuco, o calor e a irrigação permitem colher uvas quase o ano todo.
Seja na forma que for, em cada cacho, a uva guarda um sabor de “terra prometida”, no qual reconhecemos a mesma promessa de abundância que impressionou aqueles míticos viajantes do deserto.
 

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