Dificuldade para perder peso na menopausa? Dieta vegana pode ajudar, mostra estudo
Emagrecer após a menopausa pode ser um desafio. A gordura que antes se concentrava nos quadris e nas coxas passa a se acumular com mais frequência na região abdominal. Ao mesmo tempo, fadiga, suores noturnos e alterações no humor podem reduzir a disposição para a prática de atividades físicas. A privação de sono também afeta os hormônios relacionados à fome e à saciedade. Mas um novo estudo publicado na revista Menopause sugere que uma alimentação rica em proteínas de origem vegetal pode ajudar a tornar esse processo mais fácil.
O estudo acompanhou um grupo de 1.662 mulheres após a menopausa ao longo de cerca de três meses. Quem se alimentou de uma dieta vegana com baixo teor de gordura e suplementada com soja apresentou “perda de peso significativa” em relação às pessoas que seguiram uma dieta habitual com proteína animal. A quantidade total de proteínas foi a mesma para ambos os grupos.
Mas isso não significa que toda mulher na menopausa precise adotar uma dieta vegana. Para os pesquisadores, a principal lição do estudo é que, nessa fase da vida, importa não apenas a quantidade de proteína consumida, mas também sua origem.
Na prática, isso significa abrir mais espaço no cardápio para alimentos como feijão, lentilha, grão-de-bico, soja e cereais integrais, como parte de uma estratégia para favorecer o controle do peso e a saúde metabólica.
O que o estudo investigou
O estudo usou como base um ensaio clínico randomizado de 12 semanas em Washington, nos Estados Unidos, com mulheres na pós-menopausa que relataram ondas de calor moderadas a graves e não estavam usando medicamentos hormonais. As participantes foram aleatoriamente divididas em dois grupos:
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Dieta vegana com baixo teor de gordura, com uma porção diária de meia xícara (86 g) de soja integral cozida
Nenhuma alteração na dieta
Elas foram avaliadas nas semanas 0 e 12. A adesão à dieta foi consultada por meio de registros alimentares de três dias preenchidos pelas próprias participantes, enquanto o peso corporal foi medido utilizando balanças digitais. As ondas de calor também foram monitoradas por um aplicativo de celular.
Ambos as dietas tinham a mesma quantidade total de proteína. A diferença era que o consumo de proteína animal diminuiu em 23,3 g no grupo vegano, sem alteração no grupo controle. E o consumo de proteína vegetal aumentou em 22,1 g no grupo vegano, também sem nenhuma alteração no grupo controle.
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Resultados
Segundo os pesquisadores, o consumo de proteína animal esteve associado ao aumento do índice de massa corporal (IMC), enquanto a maior ingestão de proteína vegetal se relacionou à redução desse indicador. Ao fim de 12 semanas, o grupo vegano apresentou perda média de 3,6 kg, contra 0,2 kg no grupo controle. Além disso, cada redução de 16,2 g de proteína animal e o aumento de 12,7 g de proteína vegetal por dia foram associados a uma perda de peso de 1 kg.
“Descobrimos que substituir proteína animal por proteína vegetal estava associado a uma maior perda de peso, e essas associações permaneceram significativas mesmo após considerar as diferenças na ingestão de calorias”, disse Hana Kahleova, diretora de pesquisa clínica do Comitê de Médicos para Medicina Responsável, em Washington, ao Medscape Medical News.
Além disso, os cientistas também perceberam que a fonte de proteína pode afetar os sintomas vasomotores em mulheres na pós-menopausa, incluindo ondas de calor e suores noturnos: o número total de ondas de calor diminuiu 78% no grupo vegano e 39% no grupo controle.
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Por que a proteína vegetal pode ajudar a emagrecer?
O perfil de aminoácidos da dieta à base de plantas pode explicar, em parte, as vantagens observadas. Essas moléculas, que formam as proteínas, aparecem em proporções diferentes nos alimentos de origem animal e vegetal. Estudos recentes indicam que níveis mais baixos de alguns aminoácidos, como leucina, histidina e metionina, estão associados a menor acúmulo de gordura e melhor composição corporal.
Como as proteínas vegetais tendem a conter menores quantidades desses compostos, isso poderia contribuir para os benefícios observados no controle do peso. Além disso, o maior teor de fibras dos alimentos proteicos de origem vegetal prolonga a sensação de saciedade e ajuda a controlar a fome ao longo do dia.
Já a redução dos suores noturnos estaria relacionada a um composto natural encontrado em alimentos à base de soja e outras fontes de proteína vegetal, as isoflavonas. O estudo menciona que os sintomas vasomotores afetam até 80% das mulheres em regiões ocidentais, mas sua prevalência é significativamente menor em países com alto consumo tradicional de proteínas vegetais, especialmente soja, como China e Japão.
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Ainda assim, os pesquisadores fazem uma ressalva: não é possível atribuir os resultados apenas às proteínas vegetais. Isso porque as participantes não fizeram uma mudança isolada na dieta, já que elas passaram a acompanhar a alimentação com mais atenção e podem ter incorporado outros hábitos saudáveis ao longo do estudo.
Mesmo com essa limitação, o trabalho reforça a importância de incluir mais fontes vegetais de proteína na dieta. Elas aparecem como um componente relevante de um padrão alimentar mais saudável, com potencial de contribuir para o controle do peso e a saúde metabólica na menopausa.










