SAÚDE E BEM ESTAR

O fim do aperto? As novas estratégias para driblar o ‘efeito sanfona’

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Evitar o efeito sanfona é o maior desafio na perda de peso. Novas pesquisas apresentadas no Congresso Europeu de Obesidade exploram estratégias para manter resultados com canetas emagrecedoras (Wegovy, Mounjaro) através de doses ajustadas ou medicamentos orais, reforçando a importância vital de mudar o estilo de vida.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

Há um lema no consultório dos endocrinologistas. Perder peso não é tão difícil. Difícil mesmo é evitar a volta do peso perdido. Isso porque a própria biologia conspira contra o emagrecimento. O organismo, acostumado ao antigo estado de equilíbrio calórico e metabólico, teima em retornar à sua velha zona de conforto gorduroso. É assim que, com frequência, se chega a um platô no processo de perda de peso e, no mais incômodo dos cenários, o indivíduo vivencia o retorno dos quilos extras. Eis o famigerado efeito sanfona, um fenômeno que faz tanta gente experimentar altos e baixos na balança ao longo do tempo, com consequências visíveis ou invisíveis ao espelho. Agora, novas pesquisas ajudam a calcular a melhor rota para evitar ou mitigar essa situação, especialmente quando remédios como as canetas emagrecedoras entram em cena.

AJUSTE - Mudança na dose: cargas mais baixas seguraram resultados e benefícios (C.Reichwein/picture alliance/Getty Images)

O assunto foi destaque no recente Congresso Europeu de Obesidade, realizado em Istambul, na Turquia, e leva em conta algo que os estudos já vêm mostrando: mesmo pessoas que perdem peso com Wegovy ou Mounjaro tendem a engordar quando param o tratamento. Esses achados, também observados nas consultas médicas, ressaltam o aspecto crônico e reincidente da obesidade. Se não houver mudanças no estilo de vida de fato — e, muitas vezes, o acompanhamento com medicações —, o efeito sanfona dará as caras. Foi diante desse dilema que cientistas decidiram testar uma abordagem diferente: e se os pacientes que atingissem uma meta de redução de peso continuassem tomando os remédios, mas em outras dosagens e formas de administração?

No primeiro desses experimentos, pessoas que tomaram por pouco mais de um ano uma injeção semanal de tirzepatida (Mounjaro) e perderam ao menos 5% do peso foram divididas em grupos: umas seguiram com a dose máxima da caneta, outras reduziram a carga, e houve quem recebesse o placebo — picadas sem o princípio ativo para fins comparativos. Mais de cinquenta semanas depois, os pesquisadores notaram que a turma da dose máxima perdeu mais peso, mas quem tomou a dose menor preservou boa parte dos resultados, recuperando apenas uma fração do que foi eliminado. Em outra pesquisa com usuários de Wegovy ou Mounjaro, a troca das canetas por um comprimido — no caso, o orforglipron, um análogo de GLP-1 via oral já aprovado no exterior, mas que ainda aguarda aval da Anvisa — propiciou a manutenção de quase todo o peso perdido. “Se levarmos em consideração que pacientes costumam interromper o tratamento devido ao custo ou aos efeitos colaterais, essas análises indicam que existem alternativas medicamentosas para sustentar os resultados obtidos de uma forma mais factível”, diz o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, da USP de Ribeirão Preto.

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Mas o segredo do sucesso, claro, não é vendido em pílulas nem em canetas. Sem alterar os hábitos nem ajustar a rotina, dificilmente o novo peso será preservado. Nesse contexto, além dos cuidados com a dieta e o bem-estar mental, os especialistas destacam a importância da atividade física. “O exercício regular é um dos fatores mais críticos para a manutenção de um peso saudável”, afirma Couri.

PONTO CRÍTICO - Atividades físicas: cruciais na manutenção do peso (iStock/Getty Images)

Mas será que o vaivém dos quilos é algo tão pernicioso? As evidências apontam que o efeito sanfona seria prejudicial do ponto de vista metabólico e cardiovascular — como se submetesse o corpo a um estresse. Contudo, uma nova análise israelense, amparada em dados de 480 participantes que se engajaram em intervenções temporárias para controle do peso, revela que o retorno dos quilos não veio acompanhado de uma piora da saúde, sugerindo que o também chamado efeito ioiô não seria tão ruim assim. “O estudo tem limitações, uma delas o fato de as pessoas terem perdido pouco peso, mas levanta a hipótese de que fazer mudanças no estilo de vida, mesmo recuperando uma parte do peso depois, traria algum benefício”, diz o endocrinologista Bruno Halpern, da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica. O consenso é que não dá para ficar parado. Com ou sem remédio na receita, mobilizar-se diante do excesso de peso é condição inegociável para ampliar a qualidade e a expectativa de vida.
Publicado em VEJA de 22 de maio de 2026, edição nº 2996

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