DESPORTO

Ucrânia vai exigir 37 mil milhões de euros à Rússia por danos ambientais

A guerra da Rússia contra a Ucrânia provocou, até agora, a emissão de 236,8 milhões de toneladas de dióxido de carbono-equivalente (CO2-e), e Kiev vai pedir uma indemnização à Rússia no valor de 43 mil milhões de dólares (37 mil milhões de euros) por danos ambientais e crimes contra o clima, apoiada pela União Europeia e outras instituições europeias.O anúncio foi feito nesta terça-feira na Conferência do Clima das Nações Unidas (COP30) em Belém, no Brasil. “A Rússia está a fazer uma guerra suja, e o clima também é uma vítima. A grande quantidade de combustíveis usados, florestas queimadas, edifícios destruídos, cimento e aço utilizados são, essencialmente, ‘carbono de conflitos’ e têm um custo climático considerável”, afirmou o vice-ministro para a Economia, Ambiente e Agricultura da Ucrânia, Pavlo Kartashov, num evento paralelo da COP30.“Na Ucrânia, enfrentamos a brutalidade directamente, mas as ondas de choque climáticas desta agressão serão sentidas muito para lá das nossas fronteiras e no futuro”, declarou Kartashov. O valor exigido foi calculado com base num relatório da Iniciativa para a Contabilização das Emissões de Gases com Efeito de Estufa na Guerra publicado em Outubro.A 16 de Dezembro, em Haia, deverá ser aprovada a Convenção que estabelece uma Comissão Internacional para a Compensação da Ucrânia, elaborada no contexto do Conselho da Europa, após 18 meses de negociações.O valor da indemnização pedida deverá ser investido na reconstrução da Ucrânia, mas criando uma economia mais verde, mais alinhada com a política de transição ecológica da União Europeia – a Ucrânia, afinal, está na fila de espera para aceder ao bloco dos 27.“São contempladas não só as emissões feitas no território da Ucrânia, mas também todas as que são consequência da invasão do seu território pela Rússia”, afirmou o investigador e empresário holandês Lennard de Klerk, coordenador do relatório, financiado pela Fundação Europeia para o Clima e no qual participaram cerca de 700 organizações. “O mecanismo estabelecido baseia-se na lei internacional e, quando for submetido, tornará a Ucrânia o primeiro país a responsabilizar outro pelas emissões de gases com efeito de estufa causadas por uma guerra”, afirmou De Klerk.Investir numa economia mais verdeO montante exigido deverá ser usado para a reconstrução da Ucrânia, de um sistema energético sustentável, menos dependente de combustíveis fosseis. “É notável que, mesmo debaixo de fogo, a Ucrânia esteja a investir tanto em construir turbinas eólicas”, frisou Tony Agotha, enviado especial da União Europeia para o Clima e Ambiente, nesta apresentação em Belém.Os quase 237 milhões de toneladas de CO2-e relacionadas com três anos de guerra equivalem às emissões anuais da Áustria, Hungria, República Checa e Eslováquia, lê-se no relatório. A maior parte das emissões (34%) estão directamente relacionadas com a guerra: “É o combustível queimado no ataque das forças russas, com tanques e aviões, e também na defesa do território pela Ucrânia, bem como na produção de munições e material militar”, explicou Lennard de Klerk.O uso generalizado de drones pelos dois lados reduziu as emissões dos veículos militares, grandes devoradores de querosene, e diminuiu também o gasto de munições. Mas, por outro lado, como o poder de destruição se tornou mais eficaz, aumentou a destruição de equipamentos militares, o que também faz crescer as emissões.A reconstrução das infra-estruturas e edifícios e destruídos pelos bombardeamentos russos foi mais intensa nas primeiras semanas de guerra, mas tem continuado. Reconstruir o que foi destruído vai exigir enormes quantidades de materiais de construção, alguns com grande intensidade de carbono, como cimento e aço – por isso, este é o segundo sector em que se calcula que as emissões de gases de estufa são maiores: 64,2 milhões toneladas de CO2, ou 27% do total.Os grandes incêndios florestais, que se tornam impossíveis de apagar porque os bombeiros não conseguem aceder a zonas de conflito, são uma das principais fontes de emissões na guerra da Rússia contra a Ucrânia, conjugando-se com os efeitos das alterações climáticas, que têm tornado os períodos de calor excessivo e seca mais frequentes e prolongados. As emissões deste sector representam 21% do total, o que é cerca de 20 vezes mais do que seria a média esperada, disse Lennard de Klerk.A jornalista viajou a convite da Fundação Oceano Azul

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