Startups brasileiras querem ao menos 1 milhão de euros em investimentos no Web Summit
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A ambição das 380 startups brasileiras presentes na edição deste ano no Web Summit Lisboa é grande. A meta é atrair pelo menos um milhão de euros em investimentos em seus negócios, superando os 725 mil euros (860 mil dólares ou R$ 4,5 milhão) conquistados em 2024. Essas empresas fazem parte da comitiva organizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).As startups participaram, na segunda-feira (10/11), de um seminário sobre internacionalização na capital portuguesa. E, segundo Paulo Matheus, diretor da ApexBrasil em Portugal, a missão brasileira deste ano é a maior já presente no Web Summit, considerada uma das principais feiras de tecnologia do mundo. “É um momento realmente histórico. A Apex fez uma seleção de 110 startups e o Sebrae, do restante, por meio das federações estaduais. Estamos com empresas de todas as regiões do Brasil”, explica.Além das 380 startups integradas à comitiva oficial, há outras que optaram por participar do Web Summit por conta própria ou em grupos. Matheus não tem o número. A única indicação é de que, no ano passado, foram 400 empresas brasileiras no total. Co-fundador e presidente executivo do Web Summit, Paddy Cosgrave assinala que a missão brasileira deve ser a terceira ou a quarta maior do evento de 2025.Mais investimentoDiretora de Startups do Sebrae, Cristina Mieko está otimista quanto ao valor dos investimentos que as empresas brasileiras podem atrair neste ano. “Nós fizemos uma pesquisa com as empresas que estiveram no Web Summit no ano passado, e apenas 153 responderam sobre os investimentos recebidos”, revela. “Quando a gente fala de 860 mil dólares (725 mil euros), é na hora, durante o Web Summit. Mas, ao longo de um ano, esse valor é muito maior”, acrescenta.No ano passado, o investimento da ApexBrasil e do Sebrae para garantir a presença da comitiva brasileira ao Web Summit Lisboa foi de R$ 16 milhões (2,5 milhões de euros), valor que não deverá ser muito diferente na edição de 2025. A escolha das empresas seguiu critérios como diversidade, tanto territorial quanto de gênero. “O objetivo era ter 25% de startups das regiões Norte e Nordeste e 25% de empresas comandadas por mulheres. Temos 30% de líderes mulheres e mais de 30% representantes do Norte e do Nordeste”, assinala Mieko.Uma das preocupações do Sebrae foi dar formação para que as empresas pudessem aproveitar ao máximo a participação no evento português. “Como temos o compromisso de garantir resultados, partimos para uma trilha de capacitação. Antes de as startups chegarem a Lisboa, passaram por uma jornada online com vários conteúdos, como investimento, cultura e negócios em Portugal, como é o visto para quem tem startup, quais são as formas de apoio. Foram várias ações”, relata a executiva.
Cristina Mieko, do Sebrae, acredita que as empresas brasileiras vão ultrapassar os resultados obtidos em 2024 no Web Summit Lisboa
Cortesia Sebrae
Ela complementa: “Fizemos um corte mais específico para termos startups mais bem preparadas, com algum tipo de receita ou que já receberam algum investimento no Brasil para que consigam uma resposta um pouco mais rápida, mesmo respeitando as quotas de diversidade”.Inteligência artificialSegundo o diretor de Assuntos Internacionais do Sebrae, Vinícius Lages, é preciso que as empresas se adaptem às atuais mudanças no cenário empresarial. “Tem um imperativo fundamental. Se as empresas não trabalham com inteligência artificial desde o berço, terão de se adaptar rapidamente. A inteligência artificial é um habilitador desta nova fase”, assegura.Lages indica os percalços para os empreendedores: “Aqueles que não nasceram globais, há desafios para avançar, sobretudo, por conta das tensões geopolíticas, da fragmentação do multilateralismo e da disrupção das cadeias de valor.” Ele avalia, contundo, que nesse ambiente hostil, o Web Summit é uma grande oportunidade para se atrair investimentos e abrir mercados.Pouca internacionalizaçãoNa avaliação de Paulo Puppin, coordenador de Startups e Programas de Ecossistemas de Inovação do Sebrae, há espaço para aumentar a internacionalização das empresas brasileiras. “Atualmente, temos 2,6 bilhões de dólares (2,25 bilhões de euros ou R$ 13,8 bilhões) exportados por ano pelos pequenos negócios. Mas apenas 11.342 firmas garantem esse valor, num total de 20 milhões de empresas que se encaixam nessa categoria”, registra.Os dados dão a indicação de até que ponto poderia haver esse crescimento. “É claro que nem todos esses 20 milhões de pequenos negócios podem vender seus produtos ao exterior. Segundo estudos do Sebrae, 340 mil têm condições de explorar o mercado internacional”, esclarece Puppin. Ele acrescenta, ainda, que, das 20 mil startups brasileiras, apenas 0,7% tem alguma ação de internacionalização.Para o embaixador do Brasil em Portugal, Raimundo Carreiro, o potencial do Brasil é enorme. “Somos uma economia vibrante e já contamos com mais de 20 unicórnios. O Brasil já fez a usa transição energética e conta com 88% de energia renovável”, diz, acrescentando que a embaixada está pronta para apoiar todas as empresas brasileiras em processo de internacionalização para Portugal.
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