Câmara de Gaia cria grupo de trabalho para avaliar projecto da alta velocidade
Era um dos poucos pontos da primeira reunião do novo executivo da Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e acabou aprovado com votos favoráveis de PSD, Iniciativa Liberal e Chega: o executivo vai criar um grupo de trabalho para, até ao final do ano, avaliar o projecto de alta velocidade que passa pelo concelho, que tem sido fonte de grande polémica.A localização da estação tem sido o ponto mais discutido, uma vez que, no caderno de encargos, estava prevista a localização de uma estação em túnel, junto a Santo Ovídio. No entanto, o consórcio de construtoras AVAN Norte, que ganhou o concurso público para construção deste troço de alta velocidade, quer construir a estação à superfície, em Vilar do Paraíso.É essa a proposta que foi a consulta pública, depois de, no início deste ano, mas no executivo anterior do PS, a autarquia ter dado luz verde à mudança de localização.Nesta segunda-feira, foi aprovada a criação de um grupo de trabalho que inclui representantes do executivo (que presidirá), do consórcio de construtores e dois representantes de cada uma das freguesias de Grijó, Serzedo, Canelas e Vilar do Paraíso.
Por não estarem elencadas na proposta as freguesias de Mafamude, Oliveira do Douro e Perosinho, que também são atravessadas pela linha de alta velocidade, o PS, pela voz do vereador João Paulo Correia, anunciou a abstenção.Luís Filipe Menezes, de regresso à Câmara Municipal de Gaia, anunciou que esta solução é uma tentativa de retirar polémica ao assunto. “Este grupo de trabalho irá conversar. Ao fim de um mês e meio, espero que cheguem a uma posição consensual”, disse aos jornalistas, no final da reunião.De fora do grupo de trabalho fica a Infra-estruturas de Portugal, dona da obra. “Normalmente, quando é para resolver, mais vale não ter o Estado a complicar”, justificou Menezes.O PS também não partiu para as eleições com uma posição fechada sobre a localização da estação de alta velocidade. João Paulo Correia diz que aprovará a estação num sítio que cause menor impacto (seja ambiental, urbanístico ou no ordenamento do território) e que tenha assegurada a ligação à linha de metro.Neste ponto, os elementos do projecto que estão em consulta pública não deixam claro quem será responsável por prolongar a linha de metro, caso a decisão seja Vilar do Paraíso. Para o novo presidente da autarquia de Gaia, a resposta é óbvia: “toda e qualquer estação”, seja onde for, “tem de ter metro, tem de ter estacionamento em quantidade e acessibilidade fácil e nunca suportadas pela câmara”.
Quanto à demolição de casas ou de espaços de actividades económicas, Menezes diz estar de acordo: “queremos que seja o mínimo possível”. Referiu também que tudo fará para que a decisão do executivo seja unânime, para dar mais confiança às populações.Unir na agendaOs problemas no serviço da Unir foram também um dos pontos quentes da campanha eleitoral e Menezes tem pressa em resolver a questão. Antes das eleições, defendeu que o contrato do lote 4 da Unir, que inclui Gaia, deveria ser cancelado e que deveria haver uma solução transitória.Agora, não diz qual é a solução, mas diz que será rápida e vai reunir-se com responsáveis da Transportes Metropolitanos do Porto, “provavelmente, ainda esta semana”. “Este sistema, tal qual existe, é inaceitável, não funciona”, sublinha. Mas a autarquia deve ter “as precauções necessárias para não colocar as populações numa situação de vazio”, defende. E acrescenta: “Até ao final deste ano, temos de ter definido qual o caminho que vamos seguir”.Na primeira reunião de um executivo que tomou posse na semana passada, foram ainda distribuídos os pelouros. Menezes chamou a si pastas como o Urbanismo e Planeamento, a Cultura, a Segurança, Inclusão e Emigração ou a Diplomacia Económica, tendo presidido à Câmara de Comércio Árabe-Portuguesa e membro do Conselho Empresarial Luso-Saudita.O vice-presidente, Álvaro Santos, fica com Habitação, Turismo, Transportes e Mobilidade, Ambiente e Espaços Verdes, com a vereadora Elizabete Silva (da IL, eleita em coligação com PSD) a assumir responsabilidades de Assuntos Sociais e de adjunta da pasta de Urbanismo e Fiscalização.Equipamentos e Espaço Público, Educação e Protecção Civil ficam com Firmino Pereira e Fernando Machado é responsável pela Gestão Financeira, Contratação Pública, Notariado e Recursos Humanos.Tanto os cinco vereadores do PS como o vereador do Chega, António Barbosa, que não fez uma única intervenção nesta segunda-feira, ficam sem qualquer pelouro.










