CIÊNCIA

Oito jovens de Portugal levam propostas à COP30, em Belém: “Não há tempo a perder”

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A paulista Victória Rampazzo, gestora de projetos da Local Conference of Youth (LCOY) Portugal e integrante da Youth Climate Leaders (YCL), organização internacional que capacita jovens para atuar na transição verde, chega a Belém do Pará na próxima semana para participar da COP30, sua terceira conferência global sobre o clima, com outros sete parceiros da YCL.Formada em Gestão Ambiental pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Riscos, Cidades e Ordenamento do Território pela Universidade do Porto, Victória vive em Portugal desde 2021, atua como consultora de sustentabilidade e dedica-se a ampliar o engajamento da juventude portuguesa na pauta climática. “Estudar é a base de tudo, mas foi no envolvimento com a sociedade civil que aprendi a transformar conhecimento em ação”, afirma.Há alguns anos, a brasileira vem trabalhando na mobilização de jovens em torno da LCOY, conferência anual reconhecida pela ONU Clima, que antecede a COP e reúne jovens de todo o mundo para formular recomendações às negociações oficiais. Ela conta que, em Portugal, a iniciativa é organizada pela YCL, que, desde 2022, lidera o evento no país. “Queremos desconstruir a ideia do ativismo como radicalismo. Nosso foco é o advocacy, a educação e a empregabilidade na economia verde”, explica.Futuro em jogoA mais recente edição da LCOY Portugal, realizada em agosto em Lisboa, reuniu cerca de 60 jovens presencialmente e 80 de forma remota, resultando na Carta da Juventude Portuguesa pelo Clima — documento com mais de 80 recomendações distribuídas em três agendas de negociação: Transição Justa, Ação para o Empoderamento Climático (ACE) e Adaptação Climática.Entre as propostas, para a COP30, Victoria aponta o fim gradual dos subsídios aos combustíveis fósseis, a criação de observatórios locais de monitorização e a inclusão da educação climática em todos os níveis de ensino.“Queremos estar nas mesas onde as decisões são tomadas. Não apenas como espectadores, mas como cocriadores das soluções. O nosso futuro está se decidindo agora, e não há tempo a perder”, diz a gestora ambiental, que coordenou parte do processo de elaboração da Carta.


Victória Rampazzo, gestora de projetos da Local Conference of Youth (LCOY) Portugal e integrante da Youth Climate Leaders (YCL), estará na COP30
LCOY Portugal – Divulgação

Geração engajadaPara a jovem, a realização da conferência pela primeira vez na Amazônia tem um simbolismo especial. “Enquanto brasileira, estar presente em um evento dessa magnitude no nosso território é muito significativo. A Amazônia é o coração da discussão climática global”, ressalta.Victória também destaca a importância de uma COP com maior participação da sociedade civil. “Depois de anos em países como Egito e Dubai, esperamos, no Brasil, uma conferência com bastante espaço para o diálogo”, frisa.A YCL, fundada no Brasil em 2018, atua em Portugal desde 2021 e hoje é observadora oficial da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC), com uma rede de mais de dois mil jovens e 80 parceiros institucionais. A organização é um polo de formação de líderes climáticos de língua portuguesa, destaca Victória. Sua diretoria em Portugal — assim como a da LCOY — é composta integralmente por brasileiros.Ainda segundo Victória, o desafio é transformar a preocupação ambiental em políticas públicas concretas e oportunidades profissionais sustentáveis. “Queremos fomentar uma geração preparada, engajada e valorizada, que veja no ativismo climático um caminho de construção, não de confronto”, destaca.Com o olhar voltado para a COP30 em Belém do Pará, e os pés firmes no trabalho em Portugal, Victória Rampazzo representa uma geração de lideranças que une continentes pela causa ambiental. “A nossa Carta é um roteiro de ação e um pacto intergeracional pela justiça climática”, conclui.
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