CIÊNCIA

Ela salvou uma cabra bebé. Agora viajam numa carrinha e dormem na mesma cama

Little Leaf já esteve em 41 estados. Fez caminhadas por trilhos icónicos, percorreu rios de canoa e até andou de balão de ar quente. É uma cabra — mas, para a dona, é uma companheira de viagens de confiança. À noite, dormem na mesma cama.

“Ela já viajou mais do que a maioria das pessoas em toda uma vida”, diz Kate Cramer, 44 anos, que salvou Little Leaf quando a cabrita era uma recém-nascida doente, rejeitada pela mãe, em 2020. Na altura, vivia numa quinta de cabras em Duvall, no estado de Washington. Arrendara um quarto a um agricultor pouco antes da pandemia, depois de alguns anos a viajar e a fazer caminhadas pelos Estados Unidos.

Na quinta havia uma ninhada de cabras e uma delas era mais pequena e fraca do que as restantes. Tinha uma mancha branca de lado que se assemelhava a uma folha e, por isso, Cramer chamou-lhe Little Leaf (“Folhinha”). “Ela lambeu-me a cara como um cão”, recordou Cramer. “Era minúscula.”

O agricultor disse a Cramer que provavelmente a mais pequena da ninhada não sobreviveria, pois fora rejeitada pela mãe e começava a ficar desnutrida. Cramer disse que não conseguia conceber deixá-la morrer. Levou Little Leaf a um veterinário especializado em equinos, que lhe deu 10% de hipóteses de sobrevivência. A cabrita tinha o coração fraco, estava hipoglicémica e deixara de usar as patas. O veterinário ensinou Cramer a alimentá-la com biberão e a dar-lhe injecções.

“Semana após semana, ela foi ficando mais forte, até que voltou a usar as pernas e se tornou uma cabrinha feliz”, disse Cramer, que teve muitos animais de estimação pouco comuns — um rato, uma chinchila, um furão e um ouriço-cacheiro. Durante algum tempo, aos dez anos, chegou a ter uma cabra como animal de estimação.

Quando Little Leaf recuperou, Cramer decidiu viajar com ela pelo país. Estudos demonstram que as cabras são tão hábeis a comunicar com humanos como os cães, e conseguem interpretar as emoções das pessoas através do tom de voz. São também inteligentes, sociáveis e curiosas, o que as torna bons animais de companhia para algumas pessoas. “As cabras são animais extremamente curiosos”, disse Cramer. “Querem ver tudo.”

Nascida e criada em North Bend, no Estado de Washington, Cramer mudou-se frequentemente enquanto criava a filha sozinha. Quando a filha foi para a universidade, na Califórnia, em 2018, decidiu que era altura de uma nova aventura. “Não queria ficar sozinha em casa”, contou. “Fui uma espécie de Forrest Gump feminina.”

Percorreu os 3500 quilómetros do Appalachian Trail, e no ano seguinte fez os 4270 do Pacific Crest Trail. Depois, planeava atravessar o Continental Divide Trail — até que a pandemia lhe trocou as voltas.

“Ela deu-me estabilidade e voltou a dar-me algo em que focar”, disse Cramer, notando que Little Leaf está treinada para viver em casa. “É a minha companheira.”

Little Leaf é uma cabra anã americana e pesa cerca de 23 quilos. “É do tamanho ideal para viajar”, explicou Cramer, acrescentando que se comporta mais como um cão do que como uma cabra. “É muito bem-comportada… Tal como um cão, enrosca-se a meu lado.”

Adora passas, mas detesta molhar-se. “Pensa que se vai derreter com a chuva”, contou Cramer, explicando que a cabra é exigente, sobretudo com a comida, e muda de gostos frequentemente. “Às vezes adora bananas, e depois passa semanas enojada com elas.”

“Acho que as pessoas acham mais incrível do que estranho”, afirmou. Cramer é artista e ganha a vida com pinturas por encomenda, retratos e murais, bem como pintura facial em festas de aniversário infantis e outros eventos. “Já passei por muito na vida, como toda a gente, mas sou optimista”, disse. “Quero inspirar as pessoas a serem positivas, a fazer coisas — a não ficarem estagnadas.”

Viver num reboque de seis metros quadrados é uma lição de humildade, afirmou. “É recompensador porque somos obrigados a viver de forma mais simples”, explicou. “Faz-nos recordar o que é realmente importante: a ligação com as pessoas e com a natureza é muito mais valiosa do que as coisas materiais.”

Quanto a Little Leaf, parece adorar estar sempre em movimento e explorar novos lugares. “Está habituada a esta vida de constante estímulo e actividade”, disse Cramer. Cramer espera visitar todos os 50 estados. A esperança média de vida de uma cabra-pigmeia é de cerca de 12 anos. “Prometi-lhe que encheria a sua vida de aventura”, afirmou.

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