<em>Bugonia</em>, de Yorgos Lanthimos: a sociologia como circo
Faltava isto, ver Yorgos Lanthimos a surfar a onda da sociologia, e a dar a sua pranchada na “ferida” contemporânea, a divisão do mundo entre os muito ricos e os muito pobres e muito ressentidos. Gostaríamos de dizer que ficamos mais ricos depois de ver Bugonia, e que ele nos ajuda a compreender o mundo em que vivemos, mas infelizmente não é o caso. Aliás, é exactamente o caso contrário, porque a Lanthimos interessa apenas o espectáculo, quanto mais grotesco melhor, da “ferida” e da sociologia, e sobre o fundo das coisas (ou mesmo sobre a superfície delas) Bugonia revela o mais completo desinteresse: está aqui para reduzir o mundo a um confronto de estereótipos circenses, e por que não se isso tem trazido ao realizador grego (ou ex-grego) uma fama e um proveito com que se calhar ao tempo do saudoso (ou ex-saudoso) Canino nem se atreveria a sonhar.Os leitores são a força e a vida do jornalO contributo do PÚBLICO para a vida democrática e cívica do país reside na força da relação que estabelece com os seus leitores.Para continuar a ler este artigo assine o PÚBLICO.Ligue – nos através do 808 200 095 ou envie-nos um email para assinaturas.online@publico.pt.









