Carros eléctricos saltaram para um futuro mais sustentável em Fafe
Foi com o som dos motores eléctricos a ecoar, pouco, pelas serras de Fafe que o Campeonato de Portugal de Novas Energias — Prio (CPNE) chegou ao fim. A sexta e última prova do calendário, o Fafe EcoRally, foi dominada do início ao fim pelos franceses Emilien le Borgne e Alexandre Stricher, da Mini Inches Eco Team, que não deram hipóteses à concorrência.A dupla completou os 183,5 quilómetros de percurso, distribuídos por três secções, sem nunca largar o comando. Mas no top 10, só mesmo a liderança foi constante. A partir da segunda posição, as trocas de posições foram muitas. O que é demonstrado por um número: 15 segundos foi a margem que separou o segundo do sétimo classificado na geral no final da prova.Ao longo das dez especiais de classificação, os concorrentes lutaram por diferenças muitas vezes medidas em décimas de segundo. Um dado que ilustra bem a competitividade deste campeonato exclusivo para automóveis 100% eléctricos de produção em série, sem qualquer modificação. Nestes ralis, disputados em regularidade, é exigida precisão milimétrica: o objectivo é respeitar as médias de velocidade e os tempos de passagem definidos pela organização. “Queríamos ganhar uma prova neste ano e acabámos por vencer duas, incluindo Fafe. É natural o desejo de regressar para lutar pelo título de campeões”, contou Le Borgne ao PÚBLICO, satisfeito por participar “num campeonato tão competitivo e com paisagens incríveis”. O navegador, Alexandre Stricher, acrescenta que o CPNE “tem algumas das melhores equipas do mundo”, destacando o nível dos portugueses: “Os campeões Eduardo e José Carlos mostraram, ainda na semana passada, no E-Rallye Monte-Carlo, que estão entre os melhores do mundo.”Nos restantes lugares do pódio ficaram Nuno Serrano e Ivo Tavares, em segundo, e os recém-consagrados campeões nacionais Eduardo Carpinteiro Albino e José Carlos Figueiredo, ambos da equipa Kia ACP Electric BP. A Power Stage, disputada no salto da Pedra Sentada — símbolo maior do rali fafense —, foi vencida por João Botequilha e Magda Ferreira, em Volvo EX30.
Apesar de ser um rali de regularidade, houve provas especiais de classificação que decorreram a um ritmo elevado
Cortesia: AIFA
Regularidade e sustentabilidadeAo longo das seis provas do CPNE — Oeiras, Gaia, Alentejo Central, Proença-a-Nova, Madeira e Fafe —, a dupla Carpinteiro Albino-Figueiredo mostrou uma consistência notável, terminando todas as corridas no pódio e vencendo duas.“O nosso segredo foi a consistência”, reconhece Carpinteiro Albino. “Mesmo em Fafe, começámos menos bem, mas fomos subindo porque outros cometeram pequenas falhas.” Já o navegador José Carlos Figueiredo reforça: “Nas provas internacionais em que participámos, percebemos que conseguimos estar ao nível dos melhores da FIA. É perfeitamente alcançável.” A dupla não esconde a vontade de, no próximo ano, participar em mais provas do campeonato internacional e, desta forma, poderem ambicionar o título de campeões mundiais da modalidade.Portugal em destaque internacionalPara Paulo Almeida, promotor do CPNE, o balanço é francamente positivo: “Faz parte da nossa missão demonstrar que já existem alternativas mais sustentáveis para a competição automóvel.” Sublinha ainda o papel pioneiro de Portugal: “Fomos dos primeiros países a desenvolver um campeonato deste género e temos duas provas integradas no calendário internacional da FIA, algo que apenas Espanha partilha connosco.”A aposta já dá frutos: “Nesta semana tivemos cinco equipas portuguesas no E-Rallye Monte-Carlo, com excelentes resultados”, recorda. E a continuidade está garantida: “Estamos a ultimar os acordos com o sponsor principal, que dá o nome ao campeonato, para assegurar a edição de 2026, que deverá manter as seis provas, mas com possibilidade de expansão, se for essa a vontade das equipas.”Fafe, que se estreou como anfitriã do campeonato, quer repetir a participação. “Ficámos fãs”, confessa Parcídio Cabral de Almeida Summavielle, vereador da Câmara Municipal de Fafe. “Estas provas unem o automobilismo à sustentabilidade, e já estamos a trabalhar para receber o CPNE em 2026 — o casamento será para durar.”










