DESPORTO

Afinal, o que vale Jude Bellingham?

Um golo e uma assistência – e das boas. Jude Bellingham ajudou neste domingo a resolver o Real Madrid-Barcelona (2-1) e colocou-se novamente na berlinda. Afinal, o que vale o inglês?Bellingham chegou ao Real para a época 2023/24, com 23 golos e 14 assistências na primeira temporada. Acima disso: foi um jogador-chave na posição de vértice mais avançado de um losango que, com frequência, lhe permitia actuar quase como um falso nove. Havia bastante harmonia com Vinícius e Rodrygo, com os criativos por dentro no momento sem bola e mais abertos em momento ofensivo, com Bellingham a aparecer em zonas de finalização vindo de trás. E funcionou – funcionou tanto que foram campeões da Europa a jogar dessa forma.Na temporada passada, com a chegada de Mbappé, Carlo Ancelotti precisou de fazer algo para acomodar o francês. O meio-campo já não poderia ser losango e Bellingham já não poderia deambular entre a posição 10 e de falso nove. Recuou. E isso mudou-lhe a vida.É até um curioso paradoxo que Bellingham, um médio de raiz, tenha acabado por baixar de rendimento quando teoricamente jogou na sua posição. Mas a maior amarra táctica, contrastando com a liberdade do primeiro ano, pode ajudar a explicar o fenómeno – ainda que tenha terminado a temporada com 15 golos e 14 assistências, valores vedados a boa parte dos futebolistas.
Agora conta! Que lance do Bellingham para o Mbappé ????????? @LaLiga | @realmadrid 1 x 0 @FCBarcelona?? Adere já e aproveita ?? ????^?? ??????´?????? ?? #DAZNBetclic pic.twitter.com/3KNHrhuyeD— DAZN Portugal (@DAZNPortugal) October 26, 2025

É neste limbo que Bellingham tem caminhado. Por um lado, os adeptos lembram-se daquele primeiro ano e lembram-se de algumas coisas – das arrancadas vindo de trás, das finalizações quando aparecia na área e até de alguns momentos em que funcionava quase como pivô.Por outro lado, os adeptos também têm na memória momentos de relativo ocaso do inglês. Muitos jogos em que esteve alheado da partida e, sobretudo, alguma falta de química com Mbappé – e também o francês parece algo perdido naquela posição de avançado mais tradicional, não podendo ter o espaço para correr de que tanto gosta.Pois bem, a química afinal existe. Neste domingo, no 1-0, aproveitando a linha defensiva subida por parte do Barcelona, Bellingham pediu a bola entre linhas, rodou e fez um passe a rasgar a defesa, isolando o francês. Fez tudo aquilo que chegou a parecer que por vezes não fazia assim tão bem: jogar numa posição de construção de jogo e entender-se com Mbappé.Minutos depois, no 2-1, apareceu na área e baralhou marcações, finalizando sozinho ao segundo poste – como tão bem fazia na primeira temporada.No fundo, Bellingham conseguiu juntar, frente ao Barcelona, todos os predicados que lhe pediram no Real: aparecer na área e ser um finalizador, mas também servir os colegas num momento de criação na zona média.E a questão adensa-se novamente: afinal, qual é o melhor Bellingham para o Real? O que inventa para os outros e consegue acrescentar como médio de criação? Ou o que tem liberdade para surgir como avançado de uma equipa que não tem uma referência ofensiva? Neste domingo, partindo até muitas vezes do corredor direito, foi as duas coisas – e enquanto lá andar Mbappé vai ter mesmo de habituar-se a isso.
Vinicius ficou pouco chateado por sair.#DAZNLALIGA pic.twitter.com/eQCSTCXfMC— DAZN Portugal (@DAZNPortugal) October 26, 2025

Vinícius vai ao gabineteDeste jogo destaque ainda para Vinícius, que foi um “aluno” que se portou mal. Resta saber se vai ser chamado ao “gabinete do director” e se terá castigo.O brasileiro não concordou com a decisão de Xabi Alonso ao substituí-lo aos 72’ e não escondeu a surpresa quando a placa foi erguida com o número 7. Mas não achou suficiente exibi-lo na expressão facial e quis deixar mais claro.Foi abrindo os braços enquanto se dirigia para a linha lateral, disparando alguns impropérios facilmente identificáveis nos lábios e saiu do terreno de jogo aos gritos, indo directamente para o balneário. Acabou por regressar minutos depois e sentou-se no banco – mas continuava com boa parte da ira que tinha levado para o túnel.Xabi Alonso escolheu dar a Vinícius o tratamento mais cruel: o silêncio de quem não se prestou a dar “troco” ao brasileiro. Diz que o jogador contribuiu para o triunfo, mas que vai falar com ele em privado – isto, em “treinadorês”, significa que Vinícius vai ouvir das boas, mas sem testemunhas.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo

Para continuar no site, por favor, desative o Adblock.

Por favor, considere apoiar o nosso site desligando o seu ad blocker.