Dezenas à porta do IHRU desde madrugada para apoios à renda da casa
Dezenas de pessoas esperam nesta segunda-feira, desde madrugada, à porta do Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), em Lisboa, para conseguirem uma das 20 senhas diárias para atendimento e alguma ajuda para pagar a renda da casa.O movimento Porta-a-Porta convocou para esta segunda-feira um protesto junto às instalações do IHRU, entre as 7h30 e as 9h30, para exigir um serviço que dê resposta aos pedidos de apoio à renda, e vão enviar cartas à secretária de Estado da Habitação e ao ministro das Infra-Estruturas e Habitação, segundo o porta-voz do movimento, André Escoval.“Os problemas vão de norte a sul do país, com cortes nos apoios às rendas e no programa Porta 65, e só há dez senhas de manhã e dez senhas à tarde para atendimento presencial, em Lisboa e no Porto. Através da Internet ou do telefone é impossível”, lamentou à Lusa André Escoval.Numa das tarjas empunhadas pelos membros do Porta-a-Porta lê-se: “Fartos de escolher entre pagar a renda ou comer”.A primeira pessoa na fila de espera, a cuidadora de pessoas idosas Maria Santos Godinho, 59 anos, chegou às 4h45 de Odivelas para tratar do assunto de um amigo com a mesma idade que “teve de ir à E-Redes porque o quadro eléctrico rebentou com as humidades, no Monte da Caparica, e agora nem luz tem”.“Isto é pior que ir ao médico. Temos de vir para aqui dormir. Não respondem a emails, não atendem telefones. Tem de se vir cá e é preciso bater o pé. De outra maneira, mandam-nos embora sem resolver nada”, criticou.Mais na cauda do “pelotão” madrugador estava Raquel Djaló, 32 anos, mãe solteira de um rapaz de 14 e de uma rapariga de 12, que, simplesmente, deixou de ver o seu apoio à renda da casa “cair na conta”, sem qualquer “explicação ou justificativa”.“Tem de haver mais senhas. Deixamos o trabalho para vir aqui. Eu tive de deixar a menina com outras pessoas para estar aqui às 6h”, indignou-se a habitante da Amadora, com antepassados da Guiné-Bissau.Em declarações à Lusa, a 14 de Outubro, no final de uma audiência na Assembleia da República, o presidente do IHRU, António Costa Pereira, admitiu que o cenário é “gravíssimo”, designadamente a demora na resposta aos quase 60 mil beneficiários do Programa de Apoio Extraordinário à Renda (PAER) com a respectiva situação por resolver.










