CIÊNCIA

Este robô chinês pode ter a cara, realista, que quisermos

A robótica tem avançado a um ritmo notável, mas criar um rosto verdadeiramente humanóide — capaz de expressar emoções de forma convincente — continua a ser uma das fronteiras mais difíceis de transpor. A AheadForm Technology, sediada em Xangai, acredita ter dado um passo decisivo com o Elf V1, um projecto integrado na submarca Deep Touch da empresa, que procura tornar a comunicação com a inteligência artificial não apenas funcional, mas também “mais humana”. A ambição é superar o famoso “vale da estranheza” — aquele desconforto subtil que sentimos quando um autómato se aproxima demasiado da aparência humana, mas sem o conseguir fazer de forma perfeita.Num primeiro olhar, o Elf V1 impressiona. A pele biónica que cobre o rosto exibe uma textura e uma tonalidade de realismo surpreendente, suficientes para enganar o olhar durante alguns instantes. Mas, segundo o que conseguimos observar na visita ao espaço da AheadForm na Gitex Global, a ilusão começa a vacilar quando o robô se move. As expressões faciais, embora complexas, ainda traem a cadência artificial dos motores — lentas, mecânicas, previsíveis.A mecânica que gera a expressãoPara atingir este nível de detalhe, a AheadForm equipou o Elf V1 com trinta micromotores, que actuam como músculos artificiais. São eles que moldam o rosto, coordenando cada contracção e relaxamento da “musculatura” sintética. O resultado é um conjunto de expressões que procuram espelhar as emoções humanas com uma precisão quase inquietante. A sincronização labial e o movimento ocular acrescentam outro nível de verosimilhança, tornando a interacção mais próxima de uma conversa real — ainda que se perceba, aqui e ali, a ausência do imprevisível humano.







A inteligência do robô assenta na combinação de modelos de linguagem de grande escala (LLM) e modelos de linguagem e visão (VLM), permitindo-lhe interpretar não apenas comandos verbais, mas também gestos e expressões da pessoa com quem fala. A AheadForm garante uma baixa latência na leitura e resposta a emoções humanas — um requisito essencial para que o diálogo soe natural e não robotizado.De profissional a companheiroA empresa posiciona o Elf V1 sobretudo para o atendimento ao público: recepcionistas, assistentes de informação ou agentes em contextos de contacto directo com clientes. A grande aposta está na personalização total, já que o rosto pode ser o de uma pessoa real ou de uma personagem fictícia, com traços humanos ou estilizados, consoante o cenário e a marca que o adopte.Mas a AheadForm Technology também vê potencial além do sector dos serviços. Com o envelhecimento das populações e o aumento do isolamento social, a robótica de companhia surge como um campo promissor. Um robô capaz de expressar empatia, mesmo que simulada, poderá ter um papel relevante nesse futuro.


O realismo dos detalhes de algumas das “faces” criadas chega a ser assustador
DR

O PÚBLICO viajou a convite da GITEX Global 2025

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