Fisiculturista baiano morre aos 35 anos de parada cardíaca; entidade alerta para riscos dos anabolizantes
O fisiculturista Mailson Araújo morreu aos 35 anos na noite de segunda-feira, 13, em Alagoinhas, no interior da Bahia, após sofrer uma parada cardíaca. Conhecido no cenário do fisiculturismo baiano e com mais de 30 mil seguidores nas redes sociais, o atleta publicou nos stories vídeos treinando musculação algumas horas antes de morrer.
O sepultamento do fisiculturista, que não resistiu às manobras de ressuscitação, está marcado para as 15h desta terça-feira, 14, no Cemitério Jardim Paraíso da Saudade, em Alagoinhas, segundo comunicado divulgado pela família nas redes sociais. A causa da morte ainda não foi divulgada.
Uso de anabolizantes para desempenho esportivo é risco à saúde
Não há informações se Mailson Araújo fazia uso de anabolizantes. No entanto, o uso dessas substâncias para fins estéticos e de desempenho esportivo é um risco à saúde e pode causar até a morte, segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem).
Em posicionamento oficial sobre o uso de anabolizantes para fins estéticos ou de desempenho esportivo, a Sbem afirmou que o uso disseminado desses produtos para melhorar a aparência e o condicionamento físico dentro e fora do esporte de elite, especialmente no ramo fitness, é “uma verdadeira epidemia mundial e deve ser considerado um grande problema social e de saúde pública também no nosso país”.
“O uso dessas substâncias para fins de ganho de desempenho no esporte amador, para fins estéticos ou como agentes anti-envelhecimento é desprovido de qualquer base científica e é acompanhado de riscos bem descritos na literatura, justificando a proibição de seu uso nestes casos pelo Conselho Federal de Medicina através da Resolução no 1999/2012″, afirma a entidade.
Essas substâncias foram criadas por meio da modificação da molécula de testosterona, o hormônio responsável pelo desenvolvimento de características sexuais masculinas.
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A Sbem explica que a reposição terapêutica de testosterona é indicada em situações de deficiência diagnosticada em homens, quadro conhecido como hipogonadismo. Nesses casos, os critérios diagnósticos são bem estabelecidos por diretrizes de várias sociedades médicas.
Ainda de acordo com a entidade, o uso da testosterona também é indicado em casos de terapia hormonal no cuidado à pessoa com incongruência de gênero ou transgênero.
Tanto a testosterona quanto os esteroides anabolizantes têm sido estudados com fins terapêuticos em outras condições clínicas, mas ainda não há comprovação de eficácia, o que, alerta a entidade, “traz inúmeras preocupações dos especialistas com relação à segurança de seu uso no longo prazo”.
Os efeitos adversos da testosterona normalmente são leves e facilmente tratáveis nas doses terapêuticas utilizadas na reposição hormonal do hipogonadismo. Já nos casos de abusos e utilização fora da bula da testosterona e dos anabolizantes, esses efeitos adversos podem ser “severos, irreversíveis e potencialmente fatais“.
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O motivo é que as doses utilizadas nesses casos são de 5 a 15 vezes maiores do que as doses clínicas preconizadas. “Muitas vezes, em preparações manipuladas sem qualquer controle sanitário e até mesmo indicadas para uso veterinário”, alerta a Sbem.
Quais são os riscos à saúde
O uso prolongado e em doses muito acima das indicadas de esteroides anabolizantes pode causar danos importantes ao coração e aos vasos sanguíneos.
Essas substâncias podem fazer com que as células do músculo cardíaco morram ou aumentem de tamanho de forma anormal, deixando o coração mais rígido e menos eficiente para bombear o sangue. Com o tempo, isso aumenta o risco de pressão alta, insuficiência cardíaca, arritmias (alterações no ritmo do coração) e até morte súbita.
Os anabolizantes também pioram diversos fatores que favorecem doenças cardiovasculares. Eles aumentam os níveis do colesterol LDL (o “colesterol ruim”), reduzem o HDL (o “colesterol bom”), estimulam a produção de glóbulos vermelhos, deixam o sangue mais espesso e facilitam a formação de coágulos.
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Essas alterações favorecem infarto e AVC, o que, segunda a Sbem, ajuda a explicar por que usuários de anabolizantes têm um risco de morte cerca de três vezes maior do que pessoas que não usam essas substâncias.
Os efeitos colaterais também incluem:
Supressão gonadal (o organismo reduz ou interrompe a produção natural de testosterona, porque passa a “entender” que já há hormônio suficiente circulando;
Infertilidade;
Ginecomastia (aumento das mamas nos homens);
Acne;
Calvície;
Hepatotoxicidade (alguns anabolizantes, principalmente os de uso oral, podem sobrecarregar o fígado e causar inflamação, lesões e, em casos graves, insuficiência hepática);
Perturbações psiquiátricas;
Comportamento agressivo e suicida;
Depressão;
Maior risco de envolvimento em crimes;
Dependência;
Abscessos e lesões musculares.
Nas mulheres, também são comuns o crescimento excessivo de pelos no rosto e no corpo (hirsutismo), o engrossamento da voz, o aumento do clitóris (clitoromegalia) e a queda de cabelo em padrão masculino (alopecia androgênica). Algumas dessas alterações, como o engrossamento da voz e a clitoromegalia, podem ser permanentes mesmo após a interrupção do uso.
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“Os vários riscos resultantes da abusiva aplicação off-label e anti-ética desses agentes são desconsiderados em prol de um mercado extremamente lucrativo, que guarda similaridades com o comércio e tráfico de drogas ilícitas e armas, envolvendo inclusive contrabando e manipulação em laboratórios clandestinos“, alerta a entidade.
A Sbem afirma que é urgente a adoção de medidas mais efetivas para coibir e vedar o uso fora da bula e ilegal de anabolizantes, por meio da regulamentação e controle da prescrição médica dessas substâncias, preservando os tratamentos previstos para as indicações que são amplamente estabelecidos na literatura médica.










