SAÚDE E BEM ESTAR

Inglaterra zera mortes de jovens por câncer de colo do útero com vacina contra HPV

Um estudo inédito divulgado nesta quinta-feira, 18, reafirmou o poder das vacinas para evitar doenças graves e óbitos. Pela primeira vez, o número de mortes de mulheres jovens por câncer de colo do útero foi zerado após um programa de imunização implementado quando elas ainda estavam em idade escolar na Inglaterra. Com o uso do imunizante contra o papilomavírus humano, o HPV, foi possível evitar cerca de 200 mortes pela doença por ano.
Os pesquisadores da Queen Mary University of London avaliaram as taxas de mortalidade por câncer de colo do útero, também chamado de cervical, das inglesas a partir da implantação do programa nacional de vacinação contra o HPV, ocorrida em 2008 nas escolas e destinada a todas as meninas de 12 e 13 anos. Para os meninos, a campanha teve início em 2019. O programa previa ainda que pessoas que perderam a dose em sua primeira oferta poderiam se vacinar gratuitamente até os 25 anos.

O resultado, publicado no renomado periódico científico The Lancet, comprovou que a estratégia de vacinar a população ainda em idade escolar evita mortes pela doença antes dos 30 anos. Assim, o período de 2020 a 2024 foi o primeiro sem registro de óbitos de mulheres de 20 a 24 anos por câncer cervical. A cobertura vacinal foi de quase 90%, índice que já está dentro da meta da maioria dos imunizantes.
“Há mais de duas décadas, nossa equipe vem reunindo evidências para demonstrar que o HPV causa câncer do colo do útero e que a vacinação previne infecções, alterações pré-cancerígenas e a própria doença. Este é o primeiro estudo a destacar o impacto da vacinação contra o HPV na mortalidade por câncer do colo do útero”, disse, em comunicado, Peter Sasieni, professor de Epidemiologia do Câncer e Coordenador do Centro de Rastreamento, Prevenção e Diagnóstico Precoce do Câncer da Queen Mary University of London.

Segundo Sasieni, o número de vidas salvas vai continuar aumentando com o envelhecimento das gerações vacinadas. “É incrível pensar que uma única injeção pode praticamente eliminar um tipo específico de câncer, e esta nova pesquisa mostra o quão vital é manter altos os níveis de vacinação contra o HPV para que mais pessoas estejam protegidas”, celebrou.

Continua após a publicidade

Os achados endossam a importância de manter a cobertura vacinal alta, algo que não tem ocorrido. “Graças à vacinação contra o HPV e ao rastreio do câncer de colo do útero, um futuro onde praticamente ninguém desenvolve a doença está agora firmemente ao nosso alcance. No entanto, a adesão à vacina tem diminuído nos últimos anos e este progresso está em risco”, afirmou, em nota, Michelle Mitchell, diretora executiva da Cancer Research UK, entidade que financiou a pesquisa.
Brasil oferta vacina gratuitamente
A principal forma de prevenir os danos causados pelo vírus é por meio da vacinação. No Brasil, as doses estão disponíveis gratuitamente para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos de idade, pacientes oncológicos, vítimas de violência sexual de 9 a 45 anos de idade e pessoas imunossuprimidas, como quem vive com HIV ou aids e transplantados de órgãos sólidos ou medula óssea.
A vacina quadrivalente oferecida na rede pública protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18, relacionados com episódios de verrugas genitais e lesões malignas. Na rede privada, uma versão nonavalente está disponível em clínicas brasileiras.

Continua após a publicidade

HPV e câncer
Causado pela infecção por via sexual por tipos de HPV com potencial de desencadear células tumorais, o câncer de colo de útero é o terceiro mais comum entre mulheres. Também é o quarto tipo de tumor que mais mata pessoas com útero, principalmente as que vivem em situação de vulnerabilidade social, negras e com baixos níveis de escolaridade. Em pacientes que vivem com o HIV, a possibilidade de desenvolver tumores é até cinco vezes maior.
No Brasil, a estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) é de que 19,3 mil diagnósticos são feitos todos os anos e são contabilizadas, aproximadamente, 7,5 mil mortes.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo

Para continuar no site, por favor, desative o Adblock.

Por favor, considere apoiar o nosso site desligando o seu ad blocker.