Cannabis ganha espaço no tratamento da insônia
Ler Resumo
A cannabis medicinal emerge como uma promissora alternativa para a insônia, oferecendo menor risco de dependência em comparação com medicamentos tradicionais. Canabinoides como THC, CBD e CBN atuam no sistema endocanabinoide, melhorando a qualidade do sono e reduzindo a ansiedade. Estudos comprovam sua eficácia e segurança, impulsionando sua adoção no Brasil.
Este resumo foi útil?
👍👎
Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Enquanto benzodiazepínicos, como o clonazepam, e hipnóticos, como o zolpidem, continuam entre os medicamentos mais prescritos para quem sofre de insônia, médicos começam a recorrer com mais frequência à cannabis medicinal como alternativa terapêutica. O avanço do acesso a produtos formulados com canabinoides — substâncias derivadas da Cannabis — amplia as opções para pacientes que convivem com distúrbios do sono e buscam tratamentos com menor risco de dependência. “O uso de medicações para dormir tem sido feito de forma indiscriminada por muitas pessoas, o que traz prejuízos à saúde”, diz afirma o médico Pietro Vanni, especialista em cannabis medicinal da Clínica Gravital. Os canabinoides surgem como mais uma ferramenta para tratamento da insônia. “Quando bem utilizados, podem ser uma alternativa bastante segura.”
A ação dos canabinoides ocorre por meio do sistema endocanabinoide, uma rede de receptores distribuída pelo organismo que participa da regulação do sono, do humor e da resposta ao estresse. Quando as substâncias são capturadas por essa estrutura, promovem o equilíbrio das funções. Entre os compostos mais estudados estão o THC (tetrahidronacabinol), o CBD (canabidiol) e o CBN (derivado da degradação do THC, mas sem efeito psicoativo).
“Os canabinoides THC e CBN em doses controladas ajudam na indução e profundidade do sono. Já o CBD tem efeito ansiolítico, o que melhora a qualidade geral do sono, protegendo o sono REM”, explica Vanni. Segundo ele, produtos com maior concentração de CBD também ajudam a preservar a arquitetura normal do sono, reduzindo um dos principais problemas associados ao uso prolongado de sedativos convencionais. Eles agem na última fase do ciclo do sono, reponsável pela criatividade, pela memória e aprendizado emocional.
Estudos já comprovam o que os pacientes relatavam na prática
As evidências científicas começam a acompanhar os relatos observados na prática clínica. Um estudo publicado em agosto de 2025 na revista PLOS Mental Health, conduzido por pesquisadores do Imperial College London, acompanhou 124 pacientes com insônia tratados com produtos à base de cannabis por até 18 meses. Os participantes relataram melhora sustentada da qualidade do sono, além de redução significativa dos sintomas de ansiedade e depressão. Apenas cerca de 9% apresentaram efeitos adversos, como fadiga e boca seca, e nenhum deles foi considerado grave.
O interesse por essas terapias cresce em meio ao aumento da insônia no país. Para os especialistas, o mundo passa por uma epidemia de insônia. Dados da Pesquisa Nacional de Saúde mostram que 35,1% dos brasileiros relatam problemas para dormir, percentual superior ao observado na década anterior. Estudos apontam ainda que até 58,6% da população terá algum episódio de insônia ao longo da vida, enquanto outras análises indicam que 76% dos brasileiros apresentam ao menos uma queixa relacionada ao sono. Hoje, a insônia já responde por cerca de 18% das indicações de cannabis medicinal no Brasil, refletindo uma mudança gradual na forma como médicos e pacientes encaram o tratamento dos distúrbios do sono.










