Polilaminina: três pacientes morrem após uso do produto em fase de testes na Anvisa
Três pessoas que receberam aplicações de polilaminina — substância em fase inicial de testes na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e que ganhou notoriedade por relatos de melhora de movimentos em pacientes com lesão medular — morreram nos últimos dez dias. A informação foi confirmada pelo laboratório Cristália, farmacêutica responsável pela produção do produto.
Segundo a empresa, a primeira morte ocorreu no Espírito Santo, em 28 de janeiro. A segunda foi registrada no Paraná, em 1º de fevereiro. A terceira aconteceu no Rio de Janeiro, na terça-feira, 9 de fevereiro. Todos os pacientes haviam recebido o medicamento por ordem judicial.
A Cristália afirma que não há relação entre os óbitos e a polilaminina. De acordo com o laboratório, as mortes decorreram de complicações clínicas: embolia pulmonar, pneumonia e septicemia, respectivamente. Em nota, a farmacêutica destacou a gravidade do quadro dos pacientes com lesão medular.
“A literatura nos ensina que estes pacientes são graves e, a depender do nível da lesão, do rigor dos cuidados, das comorbidades e de vários outros fatores, há uma porcentagem de desfechos fatais que pode chegar, em algumas estatísticas, a até 40% de óbitos”, informou a empresa.
Ainda segundo a Cristália, nenhum dos três pacientes havia recebido alta hospitalar e todos apresentaram intercorrências médicas durante a internação. A empresa informou que os dois primeiros casos já foram notificados à Anvisa e que a comunicação do terceiro óbito estava sendo realizada.
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Fase inicial de testes
A polilaminina é fruto de pesquisas conduzidas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e está atualmente na fase I de estudos clínicos junto à Anvisa. Nessa etapa, o objetivo principal é avaliar a segurança do produto e não sua eficácia.
Especialistas têm alertado que, apesar do potencial terapêutico, ainda é prematuro criar expectativas sobre resultados clínicos. Após a fase I, o medicamento ainda precisa avançar para estudos que avaliem eficácia, definição de dose ideal e análise da relação risco-benefício.
“A história da medicina está cheia de tratamentos que pareciam promissores e frustraram expectativas quando passaram pelo crivo dos testes. Sem isso, ninguém realmente sabe dizer se algo funciona ou não”, ponderou Carlos Orsi, diretor do Instituto Questão de Ciência (IQC), em entrevista à VEJA.










