Após vacina para gestantes no SUS, casos de bronquiolite em bebês diminuem
Os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causada pelo vírus sincicial respiratório (VSR) entre bebês de até seis meses caíram após o Sistema Único de Saúde (SUS) passar a oferecer a vacina para gestantes, em dezembro do ano passado. O VSR é a principal causa de bronquiolite e de internações por doenças respiratórias em bebês.
Dados do boletim InfoGripe, da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), apontam que foram registrados 14.677 casos nessa faixa etária até a 20ª semana epidemiológica (23 de maio). É o menor número desde 2023. A queda é de 16,6% em relação ao mesmo período de 2025, quando houve 17.604 casos.
Como funciona a vacina para gestantes?
A imunização contra o VSR nas gestantes é uma forma de proteção passiva para o bebê. Os anticorpos produzidos pela mãe após a vacinação são transmitidos para o bebê pela placenta e, depois, pelo leite. Assim, o recém-nascido já nasce com proteção nos primeiros meses de vida, quando o risco de formas graves da doença é maior.
O vírus sincicial respiratório causa cerca de 75% dos casos de bronquiolite em crianças menores de dois anos. Ele também é responsável por 40% dos casos de pneumonia nessa faixa etária.
A vacina é aplicada em grávidas a partir da 28ª semana de gestação. Uma dose única deve ser aplicada a cada gestação. Não há limite de idade para a gestante receber a vacina.
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Em maio, o Ministério da Saúde anunciou que alcançou a marca de 1 milhão de gestantes vacinadas contra o VSR. A medida representa um avanço significativo para a saúde pública, especialmente considerando que, na rede privada, a mesma vacina pode custar até R$ 1,5 mil.
E no caso das crianças mais velhas?
Os dados da Fiocruz também mostram que, entre crianças mais velhas, fora do alcance da proteção materna, os casos subiram até 23 de maio, na comparação com o mesmo período de 2025. Na faixa de 6 a 12 meses, passaram de 9.967 para 11.161 (alta de 12%); entre 1 e 2 anos, de 10.103 para 11.466 (13,5%); e entre 2 e 4 anos, de 8.597 para 10.121 (17,7%). É o maior patamar da série.
Não há vacina contra o VSR voltada a crianças mais velhas. Nesses casos, o SUS oferece a parte desse público o nirsevimabe, anticorpo que garante proteção imediata contra o vírus.
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O medicamento é indicado para para recém-nascidos prematuros, com idade gestacional de até 36 semanas e 6 dias, e para crianças de até 23 meses com comorbidades como cardiopatia congênita, broncodisplasia, imunocomprometimento grave, síndrome de Down, fibrose cística, doença neuromuscular e anomalias congênitas das vias aéreas.
O nirsevimabe é um anticorpo monoclonal pronto, que passa a atuar logo após a aplicação, sem a necessidade de o organismo produzir anticorpos ao longo do tempo. A estratégia complementa as medidas adotadas pelo SUS para prevenir casos graves de bronquiolite em bebês.










