CFM proíbe uso de PMMA para fins estéticos; entidades se manifestam
O Conselho Federal de Medicina (CFM) anunciou que o uso de PMMA (polimetilmetacrilato), substância utilizada em preenchimentos, está proibida para fins estéticos e reparadores a partir desta terça-feira, 2, para médicos de todo o país. A decisão, publicada no Diário Oficial da União (DOU), considera os casos de complicações graves que têm sido registradas nos últimos anos, como episódios de inflamações, necroses, insuficiência renal e sequelas irreversíveis.
Nos últimos anos, o país tem registrado casos de pessoas que necessitaram de atendimento médico e até evoluíram para quadros graves e óbito após o uso de injeções com a substância. No fim do mês passado, uma maquiadora de 48 anos morreu menos de 24 horas depois de ser submetida a um procedimento de preenchimento nos glúteos e nas coxas em São Paulo. E a repórter Ju Massaoka, do programa Mais Você, relatou recentemente que quase perdeu parte do nariz após descobrir a presença de PMMA, substância aplicada sem seu conhecimento durante uma durante uma rinoplastia feita anos atrás.
“A prática clínica e evidências científicas sólidas revelam problemas complexos decorrentes do uso de PMMA em preenchimentos cutâneos e de partes moles por ser um material não reabsorvível e permanente”, explica, em nota, a conselheira federal Graziela Bonin, relatora da resolução. “O tratamento dessas complicações frequentemente exige o uso prolongado de medicamentos imunossupressores e, em muitos casos, procedimentos cirúrgicos complexos para retirada do material, nem sempre capazes de restaurar plenamente os danos causados”, completa.
Segundo Bonin, o produto não é mais utilizado na França desde 2005. Também foi descontinuado na Holanda, em 2015, e na Argentina, em 2022. A medida prevê que o PMMA será permitido apenas para o tratamento de lipodistrofia em pacientes com HIV/aids no Sistema Único de Saúde (SUS).
PMMA e complicações
O CFM tem se manifestado ao menos desde 2013 em relação ao uso consciente da substância em preenchimentos, quando passou a recomendar a aplicação em pequenas quantidades. Assim, começou a ouvir o consenso de sociedades médicas sobre as injeções para fins estéticos nos lábios e outras partes do rosto, glúteos e coxas, por exemplo.
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O órgão cita um balanço feito pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), que indicou mais de 17 mil complicações registradas decorrentes do uso do PMMA apenas no ano de 2016. Um balanço mais recente não foi divulgado.
“O PMMA é uma substância que, como preenchedor, causa sequelas irreversíveis e até a morte, o que é inadmissível quando temos produtos mais eficientes e mais seguros disponíveis para a população. O PMMA é extremamente inflamatório que fica entremeado aos tecidos saudáveis, tornando sua remoção cirúrgica um procedimento extremamente complexo que deixará possíveis sequelas”, disse, em comunicado, José Hiran da Silva Gallo, presidente do CFM.
Entidades se manifestam
Em nota, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) afirmou que a decisão foi acertada porque protege os pacientes não só dos eventos adversos, mas das dificuldades para reverter os procedimentos quando as complicações ocorrem.
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“Por permanecer indefinidamente no organismo, o PMMA dificulta o manejo de intercorrências e limita as possibilidades terapêuticas quando surgem complicações tardias.”
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) vai além e defende, inclusive, que a substância seja banida e não recomenda que os profissionais da especialidade utilizem o PMMA “em nenhuma circunstância”. “O aumento dos relatos de complicações graves envolvendo procedimentos estéticos torna urgente ampliar o debate sobre segurança, fiscalização e informação à população”, diz.
As principais complicações são: formação de nódulos e granulomas, processos inflamatórios crônicos, embolias, necroses teciduais, infecções persistentes, hipercalcemia, insuficiência renal, deformidades irreversíveis e até a morte.










