Atleta morre durante prova de triathlon em Curitiba; entenda possíveis causas
Um atleta morreu no último domingo, 8, depois de passar mal durante a prova de triathlon Ironman 70.3, realizada em Curitiba.
Segundo a organização do evento, o competidor, que não teve a identidade divulgada, precisou de atendimento ainda na etapa de ciclismo, fase em que os atletas pedalam cerca de 90 km.
“O participante foi prontamente assistido pela equipe de socorro do evento, recebeu os primeiros cuidados no local e foi encaminhado a um hospital da região, mas infelizmente não resistiu”, informou a organização evento em publicação no Instagram.
De acordo com o governo do Paraná, a competição reuniu cerca de 1.400 atletas. O percurso incluiu 1,9 km de natação na Represa do Passaúna, seguido por 90 km de ciclismo entre Araucária e Campo Largo, na região metropolitana, e terminou com 21 km de corrida no Parque Barigui.
Possíveis explicações
Embora a causa da morte não tenha sido divulgada, episódios como esse costumam estar ligados a problemas de saúde não diagnosticados que interferem no funcionamento do coração e na circulação do sangue, como as arritmias cardíacas.
Em provas de endurance, como o triathlon, o sistema cardiovascular é submetido a um esforço prolongado e intenso e, quando existe uma condição cardíaca silenciosa, ela pode se manifestar justamente nessas situações.
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Segundo a cardiologista Maria Emilia Teixeira, da unidade de hipertensão da Universidade Federal de Goiás (UFG), as causas de morte súbita em atletas variam bastante de acordo com a idade. Em pessoas mais jovens, alterações elétricas do coração — que levam a arritmias — estão entre as explicações mais comuns.
“Essas arritmias muitas vezes são decorrentes de doenças que a pessoa não sabia que tinha, como algumas cardiopatias estruturais. Um exemplo é a cardiomiopatia hipertrófica, que pode ser herdada e predispõe a arritmias”, explica.
Outro problema possível é a chamada displasia arritmogênica do ventrículo direito, uma doença rara que altera a estrutura do músculo cardíaco. Também existem as canalopatias, alterações genéticas que afetam os canais elétricos das células do coração e podem desencadear arritmias malignas.
“São doenças relativamente raras, mas que existem na população e cuja primeira manifestação pode ser justamente uma morte súbita durante esforço intenso”, diz a médica.
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Já entre atletas acima dos 35 anos, outro fator passa a ganhar peso: a doença coronariana – obstrução das artérias que nutrem o coração, geralmente causada pelo acúmulo de placas de gordura – que pode levar ao infarto. Mesmo pessoas fisicamente ativas podem apresentar esse problema, especialmente quando há histórico familiar.
“Mesmo sendo atleta, quem tem uma carga genética importante pode desenvolver obstruções nas coronárias e sofrer um infarto”, afirma Teixeira.
Condições que podem aparecer apenas no esforço
Alguns desses problemas podem permanecer silenciosos por anos. Em determinadas situações, o primeiro sinal aparece justamente durante uma atividade física muito intensa.
Isso acontece porque o esforço exige que o coração trabalhe mais rápido e com maior demanda de oxigênio. Se houver alguma limitação no fluxo sanguíneo ou alteração elétrica no órgão, o sistema pode entrar em colapso.
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“Existem arritmias consideradas malignas, em que a atividade elétrica do coração se desorganiza a ponto de impedir uma contração eficaz e a circulação do sangue. A mais conhecida é a fibrilação ventricular“, explica a cardiologista.
Outro fator que pode contribuir é a desidratação. Em atividades de longa duração, o atleta perde grandes quantidades de líquidos e sais minerais pelo suor. Quando essa reposição não ocorre de forma adequada, podem surgir alterações no ritmo cardíaco, queda de pressão e, em casos extremos, colapso circulatório.
Risco em perspectiva
Isso não significa que provas desse tipo sejam, por si só, inseguras. Mas especialistas costumam reforçar a importância de avaliação médica periódica, especialmente para quem participa de esportes de alta intensidade.
Também é importante colocar o risco em perspectiva. De modo geral, correr está associado à redução da mortalidade por todas as causas e à diminuição dos fatores de risco cardiovascular, mesmo quando a prática é leve ou moderada. O sedentarismo, por outro lado, é considerado um problema de saúde pública e figura entre as dez principais causas de morte e incapacidade no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).










