Copa do Mundo aumenta chances de reintrodução do sarampo no Brasil, alerta Ministério da Saúde
Em meio ao aumento da circulação internacional de pessoas impulsionado pela Copa do Mundo, o Ministério da Saúde emitiu, nesta quinta-feira, 23, um alerta para o risco de reintrodução do sarampo no Brasil.
Segundo a pasta, o fluxo intenso de viajantes para os países-sede — Estados Unidos, México e Canadá — ocorre em um contexto de surtos ativos da doença nessas regiões, o que eleva o risco de importação de casos para o território nacional.
Vale lembrar que o sarampo é uma doença viral altamente contagiosa, transmitida por via aérea e capaz de se espalhar rapidamente em ambientes com grande concentração de pessoas. Entre as principais complicações estão pneumonia, encefalite (inflamação cerebral) e até cegueira.
Dados apresentados pelo ministério mostram que o sarampo segue em circulação. Em 2025, foram registrados 248 mil casos no mundo. Nas Américas, o avanço recente da doença levou, inclusive, à perda do status de região livre de transmissão endêmica em novembro do ano passado.
Os países que vão sediar a Copa concentram parte significativa dos casos. O Canadá registrou mais de 5 mil casos em 2025 e segue com transmissão ativa em 2026. O México saltou de apenas sete casos em 2024 para mais de 6 mil no ano seguinte. Já os Estados Unidos notificaram mais de 2 mil casos em 2025.
Continua após a publicidade
Brasil mantém status, mas com vulnerabilidades
O Brasil mantém desde 2024 o status de país livre da circulação endêmica do sarampo. Ainda assim, há sinais de alerta.
Em 2025, foram confirmados 38 casos no país, sendo a maioria associada à importação. Além disso, 94,7% dos infectados não tinham histórico vacinal.
Em 2026, até a semana epidemiológica 10, dois casos foram confirmados, ambos em pessoas não vacinadas, incluindo uma criança em São Paulo com histórico de viagem internacional.
Continua após a publicidade
Vacinação
Para Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), o cenário exige atenção, especialmente diante de eventos de massa. “A Copa é um evento com grande circulação de pessoas, então casos importados podem acontecer. O alerta é principalmente para brasileiros que viajam e retornam ao país”, afirma.
Segundo ele, a principal estratégia é garantir alta cobertura vacinal aliada à vigilância ativa. “É fundamental estar vacinado — e, se não estiver, procurar a vacinação antes da viagem, porque além do risco individual de contaminação, há também a possibilidade de transmissão no retorno ao Brasil”, diz.
A vacinação contra o sarampo está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) durante todo o ano nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). A imunização é indicada para pessoas de 12 meses a 59 anos, sendo a vacina tríplice viral — que também protege contra caxumba e rubéola — a principal forma de prevenção.










