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Progesterona é ‘coisa de mulher’? Veja onde está o erro de Jonas no BBB 26

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Uma briga no BBB 26 colocou hormônios no centro do debate. Médicos desmistificam: testosterona e progesterona estão presentes em ambos os gêneros, com funções e quantidades distintas. Associar progesterona à falta de virilidade é um erro cultural, não científico, enfatizando a importância do equilíbrio hormonal.

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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

Em uma discussão entre Jonas e Juliano Floss no Big Brother Brasil 26, na noite desta segunda-feira, 2, quem acabou entrando no centro do debate foram os hormônios. Jonas acusou Floss de “não ter testosterona” e ironizou ao dizer que ele teria progesterona, hormônio popularmente associado ao organismo feminino.
Durante a discussão, Floss diz à Jonas: “Você não sabe falar. É tanta testosterona. Treinou tanto, mas não malhou o cérebro”. Em seguida, Jonas rebate: “Coisa que você não tem. Você nunca vai ter testosterona. Você tem o quê? Progesterona”.

Esse papo, porém, é um tanto quanto ultrapassado. Segundo o médico clínico Niklas Söderberg, do Hospital Ipiranga, unidade pública gerenciada pelo Einstein Hospital Israelita, todos os hormônios sexuais estão presentes em ambos os gêneros e atuam no metabolismo, na saúde óssea, no cérebro e no equilíbrio geral do organismo. “A diferença é mais quantitativa. Homens têm mais testosterona e mulheres têm mais progesterona”, diz Söderberg.

No organismo feminino, a progesterona é produzida principalmente pelos ovários e tem papel central na regulação do ciclo menstrual e na preparação do corpo para a gestação. Já nos homens, o hormônio é produzido em pequenas quantidades pelas glândulas adrenais e pelos testículos. Nesses casos, atua como parte do equilíbrio hormonal e participa da via de produção e modulação de outros hormônios esteroides, incluindo a própria testosterona.
Apesar disso, a progesterona raramente é avaliada de forma isolada na prática clínica masculina. Isso porque seus níveis são naturalmente baixos e, sozinhos, têm pouca relevância diagnóstica. Algo semelhante ocorre no sentido oposto: em mulheres, a presença da testosterona é tão baixa que também não faz parte da rotina clínica — ainda que, seja cada vez mais comum ver alguns médicos por aí distribuindo – de forma equivocada – diagnóstico de “testosterona baixa” para esse público.

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A dosagem da progesterona em homens, segundo Söderberg, pode ser solicitada apenas em contextos específicos, como na investigação de distúrbios das glândulas suprarrenais, suspeita de tumores produtores de hormônios, alterações na puberdade ou avaliações endocrinológicas mais complexas. “Fora desses cenários, não é um exame de rotina e tampouco um marcador de masculinidade”, diz Söderberg.
Para o médico, associar progesterona à perda de virilidade é um erro mais cultural do que científico. “Em níveis normais, a progesterona não provoca feminização nem reduz características masculinas. Alterações como perda de massa muscular, queda da libido ou redução de pelos costumam estar ligadas à deficiência de testosterona ou a outras disfunções endócrinas, não ao aumento isolado da progesterona”, destaca o médico.
Também não há indicação rotineira de reposição de progesterona em homens. Diferentemente da testosterona — cuja prescrição é restrita a casos bem definidos de deficiência, com critérios diagnósticos claros —, a progesterona não costuma ser alvo direto de tratamento. Quando seus níveis aparecem alterados, a conduta médica adequada é investigar a causa do desequilíbrio hormonal, e não repor o hormônio de forma isolada.

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“Embora expressões como ‘hormônio masculino’ ou ‘hormônio feminino’ ainda sejam usadas como recurso didático, a medicina contemporânea evita essa divisão rígida e enfatiza o conceito de equilíbrio hormonal”, conclui Söderberg.

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