CIÊNCIA

“Ninguém tem o direito de atentar contra a democracia”, afirma governador da Paraíba

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A calmaria institucional no Brasil depois da prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e de vários militares de alta patente é, na avaliação do governador da Paraíba, João Azevêdo (PSB), um sinal claro da estabilidade democrática do país. Segundo ele, ao longo de todo o julgamento realizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a tentativa de golpe de Estado, houve muitas declarações de que o Brasil poderia mergulhar em uma crise institucional caso Bolsonaro e os militares fossem detidos. “Mas nada aconteceu, e o país segue normalmente a sua rotina, uma evidente demonstração da maturidade da nossa democracia”, diz ele ao PÚBLICO Brasil.Para o governador, não há dúvidas de que, com tudo o que aconteceu, com o 8 de janeiro de 2023, quando um grupo extremista de direita invadiu a sede dos Três Poderes em Brasília, a população entendeu, nitidamente, o recado de que “ninguém tem o direito de atentar contra a democracia e contra a liberdade”. Ele enfatiza: “O Supremo fez o seu papel de forma muito responsável. E deu exemplo não apenas para o Brasil, mais ao mundo todo, pois mostrou que o país vive um momento de muita estabilidade, com as instituições funcionando plenamente”.Azevêdo acredita que, com Bolsonaro e os militares golpistas detidos, o momento, agora, é de o extremismo, seja se direita, seja de esquerda, ser deixado de lado, pois “não leva a absolutamente nada”. A hora, frisa ele, é de se virar a página. “O Brasil precisa de uma reconstrução muito forte, porque existem muitos problemas que deixaram de ser discutidos dentro do Congresso e que precisavam estar na pauta de deputados e senadores. Todos sabemos que o país ainda tem deficiências gravíssimas, que deixaram de ser discutidas em função de uma polarização que, espero, termine.”Na visão do governador, o Congresso deve se dedicar a atender os pleitos da população, e não os interesses próprios — nesta semana, deputados e senadores derrubaram 56 dos 63 vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Lei Geral de Licenciamento Ambiental, facilitando, assim, o desmatamento da Mata Atlântica e reduzindo as exigências para empreendimentos considerados de médio porte. Isso, dias depois do fim da COP30, que foi realizada em Belém do Pará.”Temos de voltar o olhar do Congresso para o povo, para aquilo que verdadeiramente é importante para fazer com que o país, com todas as riquezas que tem, seja mais justo com seus filhos. Espero que, realmente, o Congresso reencontre esse caminho”, afirma Azevêdo.Xenofobia contra o NordesteO governador, que abriu, na noite de quinta-feira (27/11), a Feira Literária Internacional da Paraíba (FliParaíba), acredita que a cultura terá papel importante no processo de pacificação do Brasil. E chamou a atenção para a importância de se reduzir as desigualdades sociais do país, que alimentam discursos carregados de xenofobia de cidadãos de regiões mais ricas, inclusive políticos, contra aqueles oriundos, principalmente, do Nordeste.”Eu sempre digo que o processo de desenvolvimento do Brasil priorizou os investimentos no Sul e no Sudeste, gerando distorções nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que só recentemente, em função do agronegócio, tem mudado de patamar. Mas quero ressaltar a força do Nordeste, que está sendo um dos motores do crescimento atual do Brasil — a taxa de desemprego do país, de 5,4%, está no menor nível da história —, com avanço acima da média nacional”, assinala o líder paraibano.Para Azevêdo, não se pode admitir que cidadãos, muito menos líderes políticos, façam comentários xenofóbicos contra o Nordeste. “Isso é inaceitável. Alguns, talvez, o façam por ignorância, outros, por má fé”, diz. Ele comenta que esse movimento discriminatório só será vencido por meio da educação e da informação. “Tenho certeza de que isso é um processo. De novo, o Nordeste hoje se impõe como uma região que puxa o desenvolvimento do Brasil. Isso é real? Os números estão aí para mostrar”, complementa.O político ressalta que o estado que ele governa, a Paraíba, tem dado sua contribuição no sentido de reduzir as desigualdades sociais investindo, sobretudo, em inovação. “Vamos implantar no estado, a partir de janeiro, em parceria com os chineses, o primeiro centro internacional de computação quântica. Será o primeiro do Brasil e da América do Sul. Hoje, apenas 10 países do mundo têm computador quântico, que está em fase de pesquisa e é capaz de processar informações a uma velocidade gigante”, explica.O repórter viajou a convite da Feira Literária Internacional da Paraíba.
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