TECNOLOGIA

Onze vinhos para a mesa de Natal

Vinhos brancos envolventes, mas com acidez vibrante e uma frescura que limpará o palato a cada garfada do rei bacalhau. Tintos menos extraídos, mais leves e muito gastronómicos, por exemplo, para acompanhar os filetes de polvo. Um espumante e um Madeira jovem mas já bem complexo e muito fresco para as sobremesas natalícias.Deixamos-lhe aqui onze sugestões para a mesa de Natal, mas poderá encontrar tantas outras na área que a Fugas dedica às críticas de vinho, onde é possível pesquisar por vários critérios, incluindo intervalo de preços, região, características — acidez, tanino, com ou sem madeira, teor alcoólico, etc — e até pontuação dada pelos críticos do PÚBLICO.

Nome Vallado Lady Baga 2023
Produtor Quinta do Vallado;
Castas Baga
Região Douro
Grau alcoólico 12%
Preço (euros) 21,85
Pontuação 92
Autor Ana Isabel Pereira
Notas de prova Um Douro moderno, que vem da Quinta do Orgal, no Douro Superior, onde o Vallado plantou Baga. Tinto de cor aberta, com aquela transparência em que vemos o pé do copo, cheira a frutos silvestres e a bosque, com tosta ligeira (do estágio em madeira), e tem estrutura suficiente, tanino q.b. e surpreendente frescura que fazem com que se bata bem em diferentes harmonizações. É um tinto prazeroso, leve, mas com garra. E muito gastronómico. Perfeito para os filetes de polvo com arroz do mesmo que brilham à mesa de algumas famílias na véspera de Natal (refresque-o ligeiramente, sem preconceitos). Este 2023 é a terceira edição de um vinho que está a ter um sucesso tal que já levou o Vallado a decidir reenxertar vinha para plantar mais Baga.

Nome Afluente Lafões DOP 2024
Produtor Constantino Ramos;
Castas Arinto, Esgana Cão e Dona Branca
Região Dão
Grau alcoólico 12,5%
Preço (euros) 17
Pontuação 92
Autor Ana Isabel Pereira
Notas de prova Constanino Ramos assentou arraiais no Minho, mas é natural de Vouzela e é, por isso, com naturalidade que surge este seu primeiro Lafões, “um fechar do círculo” — produziu-o na Quinta da Comenta, cujas vinhas o seu pai ajudou a plantar (esteve envolvido nas escavações e terraplanagens) e que o enólogo conhece, por isso, desde miúdo. Influenciado pela relativa proximidade ao Atlântico (40 quilómetros em linha reta) mas sobretudo pelo “túnel de vento” que leva por entre as serras do Caramulo e da Gralheira essa brisa a Lafões, tem um nariz original, vegetal, mas com o lado floral da Dona Branca) e alguma especiaria. Tem uma acidez importante, mas é delicado e envolvente, algo salino e termina com uma frescura picante, que se demora na língua e gengivas. Provamo-lo com bacalhau com broa e o vinho ganhou outra vida, virou mais salino, cresceu. Este é comprar duas, uma para a Consoada e outra para a cave, já que promete evoluir bem em garrafa.

Nome Dona Isabel Juliana Espumante Grande Reserva 2021
Produtor Quinta da Lagoalva;
Castas Arinto e Alfrocheiro
Região Tejo
Grau alcoólico 12%
Preço (euros) 38
Pontuação 95
Autor Edgardo Pacheco
Notas de prova Para a diversidade que vamos ter na mesa no Natal poderá fazer falta um espumante polivalente, no sentido em que tanto poderá acompanhar uns fritos de entrada como uma carne bem temperada. E para isso este Quinta da Lagoalva Dona Isabel Juliana Espumante Grande Reserva de 2021 é uma boa opção. Feito a partir de um blend pouco usual (Arinto e Alfrocheiro) e já usado noutros espumantes da casa, apresenta-se com uns aromas bastante inusitados — mas bem interessantes — de especiarias, erva caril (dá ideia que estamos sentados numas dunas à beira mal) e citrinos. Na boca, a bolha é elegante, envolvente e persistente para destacar notas de frutos secos. É aquele aquele espumante que dá que falar e dá para toda a refeição (até para ligar com um pudim de noz).

Nome Justino´s Project Tinta Negra 5 Anos Biológico
Produtor Justino’s Madeira Wines;
Castas Tinta Negra
Região Madeira
Grau alcoólico 19%
Preço (euros) 25
Pontuação 95
Autor Edgardo Pacheco
Notas de prova A Justino´s não só é a maior empresa de vinho Madeira como aquela que mais arrisca e inova. Num território rodeado de mar por todo o lado e com níveis de humidade que se imaginam, fazer vinhos biológicos é uma trabalheira e um risco. Mas vale todo o trabalho quando se provam vinhos como este Tinta Negra Reserva (5 anos), a casta que domina na ilha. No nariz, um vinho com notas de cereja/ginja, fruta em passa e frutos secos. Na boca, e ao contrário de certo padrão de vinho Madeira, é mais seco do que doce, destacando-se com certas notas de fruta cristalizada e especiarias. Melhor do que tudo, um vinho com grande sentido gastronómico, ideal para acompanhar queijos (indispensáveis nesta altura), patés ligeiros ou caldos asiáticos.

Nome Monte Xisto Órbita 2022
Produtor João Nicolau de Almeida e Filhos;
Castas Touriga Nacional (70%) e outras castas
Região Douro
Grau alcoólico 13%
Preço (euros) 25 (no Continente)
Pontuação 93
Autor Manuel Carvalho
Notas de prova No nariz, os vinhos da Quinta de Monte Xisto são primorosos. Toda a sua filosofia, desde a protecção dos bosques envolventes até uma viticultura baseada em práticas biológicas, caminha para este resultado. A garrafa abre-se e o ar fica impregnado com aromas de urze, esteva, fruta delicada e pura. O Órbita é feito com uvas de uma vinha com várias castas e com lotes de Touriga Nacional de parcelas de várias proveniências e exposições em torno da quinta, daí o nome. Vinificado com pouca extracção, fermentado em cubas de cimento e estágio em cimento e em pipas de 600 litros, é um vinho que se destaca pela sua pureza. Tem também o mérito de ser delicioso e, por isso, consensual. Uma aposta sem riscos para a ceia de Natal.

Nome Monte da Bica Alberto Pinto Gouveia Grande Reserva 2020
Produtor Herdade da Bica;
Castas Alicante Bouschet, Merlot e Cabernet Sauvignon
Região Alentejo
Grau alcoólico 14%
Preço (euros) 39,50
Pontuação 91
Autor Pedro Garcias
Notas de prova Tirando o Alicante Bouschet e os 14% de álcool, este tinto alentejano não tem muito de Alentejo. Nem de Bordéus, apesar de usar no lote uvas de Merlot e Cabernet Sauvignon. Mas é um registo muito interessante e surpreendente, desde a cor, meio aberta, até à forma como se desenvolve na boca, mostrando-se estreito no ataque e vibrante no final, onde revela a sua passagem por barrica e a sua força tânica. Esse lado mais rugoso pode casar bem com o bacalhau e o azeite que o deve envolver.

Nome Quinta de São Luiz Vinhas Velhas 2021
Produtor Kopke Group;
Castas Touriga Nacional e Sousão
Região Douro
Grau alcoólico 14%
Preço (euros) 48
Pontuação 94
Autor Manuel Carvalho
Notas de prova Este tinto nasce nas vinhas velhas da Quinta de São Luiz, na margem esquerda do Douro, entre a Régua e o Pinhão. São vinhas com predominância da Touriga Nacional e Sousão. No aroma, esta distinção revela-se numa forte sensação floral, bem temperada com a tosta da madeira — nesta fase do seu crescimento, a madeira mostra-se também no final de prova, agora com bastante mais vigor. Na boca, é intenso, vibrante, com uma harmonia notável. É um vinho ainda nos primeiros ciclos de vida — tem, por isso, muito potencial de guarda —, mas a sua textura, as suas camadas de sensações e a sua riqueza gustativa recomendam-no desde já.

Nome Bons Ares Tinto 2021
Produtor Ramos Pinto;
Castas Touriga Nacional, Touriga Franca e Cabernet Sauvignon
Região Douro
Grau alcoólico 13,5%
Preço (euros) 13,39
Pontuação 91
Autor Pedro Garcias
Notas de prova Lote de Touriga Nacional, Touriga Franca e Cabernet Sauvignon, este tinto de altitude e mais internacional da Ramos Pinto, distingue-se pela sua complexidade, frescura e sabor apimentado. Uma boa aposta, para uma previsível noite de excessos à mesa.

Nome Soalheiro Primeiras Vinhas Alvarinho 2024
Produtor Soalheiro;
Castas Alvarinho
Região Vinhos Verdes
Grau alcoólico 13%
Preço (euros) 20,29
Pontuação 90
Autor Pedro Garcias
Notas de prova A ceia de Natal, pelo tipo de comidas que envolve, é mais propícia a tintos, mas um branco fresco e aromático, como ponto de partida, cai sempre. E, tratando-se de um bom Alvarinho, como é caso, ainda melhor.

Nome Pequenos Rebentos Vinhas Velhas 2022
Produtor
Castas Loureiro
Região Vinhos Verdes
Grau alcoólico 12,5%
Preço (euros) 25
Pontuação 93
Autor Ana Isabel Pereira
Notas de prova Envolvente, fresco — com uma acidez vibrante —, untuoso, salino, cheio de sabor e muito guloso. Assim é este Loureiro de vinhas velhas e de uma vinha que o viticultor esteve para arrancar na totalidade e o interesse de Márcio Lopes ajudou a salvar. Sobrou meio hectare, de onde saiu o primeiro vinho do enólogo e produtor, em 2016. Complexo e preciso, este 2022 cheirou-nos a citrinos e ervas frescas, mas também à tosta da barrica de carvalho francês (usada, nesta fase já com uns dez anos, e de poro apertado), que completa o vinho, sem mexer na delicadeza do Loureiro. Com um final seco e retronasal fumado, acompanhará um bacalhau com goma e até um cabrito assado.

Nome AdegaMãe Gouveio 2024
Produtor AdegaMãe;
Castas Gouveio
Região Lisboa
Grau alcoólico 13%
Preço (euros) 10,50
Pontuação 95
Autor Edgardo Pacheco
Notas de prova De um trio de novos vinhos e colheitas da AdegaMãe é justo que se se destaque o monovarietal Gouveio, por cinco razões. Primeiro, por ser desafiante na prova; segundo, por revelar a vontade da empresa em testar sempre novas castas; terceiro, por confirmar uma matriz sempre salina dos vinhos desta sub-região de Lisboa (Torres Vedras); quarto, por não se apresentar maquilhado com trabalho de barricas e; quinto, por ter um preço muito em conta. Não é pouca. Estamos perante um branco com notas ligeiramente fumadas e florais, com curiosas indicações de cera de abelha. Na boca, volume, cremosidade e boa acidez. Chega a ser viciante. Bela estreia e belo vinho para quem optar por peru na noite da consoada.

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