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Gouveia e Melo faz mira ao marximo-leninismo, Catarina Martins ao almoço com Ventura

Do pacote laboral, à Defesa, passando pela Saúde, Henrique Gouveia e Melo e Catarina Martins aproveitaram todos os temas do debate que os colocou, neste domingo, frente-a-frente para trocarem acusações. O militar na reserva começou o debate a atirar a classificar a adversária como uma “declinação sofisticada do marxismo”, enquanto a ex-líder do Bloco de Esquerda respondeu criticando o almoço com André Ventura.Henrique Gouveia e Melo abriu o debate a dizer que há um “oceano de diferenças” entre si e a candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda, que, acusou, veio às presidenciais com uma lógica “partidária”, olha para a Constituição de forma “assimétrica”, porque disse que se o Chega ganhasse as eleições “tentaria evitar a todo o custo que ele formasse Governo”, é uma “declinação sofisticada do marxismo-leninismo” e tem “um pé aqui e outro em Bruxelas”. Pelo contrário, argumentou, a sua candidatura é “suprapartidária” e “independente”.Na sua estreia em debates às presidenciais, Catarina Martins respondeu ao adversário, dizendo que “ninguém a diminuiu” por ter sido eleita e que não vai passar a campanha a falar sobre dar posse à extrema-direita, frisando que cumprirá sempre “escrupulosamente” a Constituição. E não deixou escapar a oportunidade de atirar contra o adversário: “Gouveia e Melo decidiu ir almoçar com André Ventura a convite de um magnata, acho que isto, sim, é falta de independência”. Gouveia e Melo defendeu-se, referindo que um candidato a Presidente da República deve conhecer os actores políticos.Pelo meio, os dois foram questionados sobre as suas posições relativamente à proposta de alteração à legislação laboral do Governo. Gouveia e Melo, instado a dizer em que direito dos trabalhadores o executivo não deve mexer, respondeu que “o primeiro direito que não deve nunca ser mexido, é o direito dos tempos que estão previstos nos termos dos diversos tipos de contrato” porque vai levar à precarização. Ainda assim, o militar na reserva insistiu ainda que “a economia precisa de flexibilidade nas leis do trabalho”, mas também tem de garantir coesão social.Já Catarina Martins considerou que a proposta do Governo significará que os jovens possam estar “constantemente” a prazo e criticou o facto de o Governo propor pagar menos pelas horas extraordinárias e dar a possibilidade às empresas de baixar de posição um trabalhador, reduzindo-lhe o salário.Sobre Saúde, Gouveia e Melo considerou que “o problema” não é a falta de recursos, mas de organização, e defendeu um modelo híbrido com o Estado a “garantir um SNS público de qualidade”. Catarina Martins propôs que os enfermeiros sejam convocados para desempenhar programas de Saúde junto das comunidades.Questionado sobre se há “riscos reais” contra a democracia”, Gouveia e Melo considerou que os “riscos existem” e que “há um conjunto de propostas que não são benéficas” para a democracia. Pressionado a concretizar, falou sobre as propostas de outro candidato à Presidência (que não nomeou) que quer “executar um outro tipo de regime”. Além disso, considerou que os problemas na Justiça também são um risco. “Escutar políticos durante anos seguidos, ou se encontra o crime e têm de se actuar imediatamente, ou então isso é um processo de vigilância que condiciona o sistema político”, disse, referindo-se ao caso das escutas que envolveu o antigo primeiro-ministro, António Costa.Catarina Martins concordou que a democracia enfrenta riscos e que a Justiça deve estar “à altura”, mas considerou que o “descrédito na democracia” acontece quando ela “não traz resposta à vida das pessoas”.Quanto ao poder do Presidente para demitir governos, Catarina Martins só o faria numa “situação limite” e Gouveia e Melo num caso “muito grave”.Também quando o tema foi Defesa os dois candidatos trocaram acusações. Gouveia e Melo acusou Catarina Martins de ter defendido que não se devia investir em Defesa; Catarina Martins lembrou que o seu adversário já se disse contra o investimento de 5% do PIB em Defesa e já considerou que os Estados Unidos da América não garantem a segurança da Europa. O militar na reserva criticou a resposta “cínica”, a bloquista “jurava” que os dois concordavam “mais”.

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