TAP cancela voo para Venezuela após aviso de segurança dos Estados Unidos
Devia ter saído de Lisboa pelas 10h00 da manhã deste sábado, 22 de Novembro, mas não houve descolagem. “Cancelado” é a indicação do voo TP 170, da TAP, que deveria aterrar em Caracas cerca de nove horas depois. A razão: o aviso emitido pela autoridade de aviação americana de falta de segurança naquela região venezuelana.O cancelamento teve lugar este sábado, como noticiou inicialmente o Correio da Manhã, e a companhia aérea estatal – em pleno processo de privatização – “confirma” o motivo para essa decisão.“Esta decisão decorre de informação emitida pelas autoridades aeronáuticas dos Estados Unidos da América [EUA], que indica não estarem garantidas as condições de segurança no espaço aéreo venezuelano, nomeadamente na zona de informação de voo Maiquetía”, segundo adianta ao PÚBLICO fonte oficial da empresa.Os passageiros podem proceder ao pedido de reembolso, segundo a mesma resposta, ainda que sem nenhuma indicação de quando é que ele chegará. “Esta decisão visa garantir a segurança dos passageiros e tripulação, em conformidade com as recomendações internacionais”, continua a resposta.Não se sabe se a decisão afectará mais dias e a TAP ainda não o respondeu. Este domingo, segundo o site da ANA, gestora do aeroporto de Lisboa, há um voo de regresso de Caracas, que deveria aterrar pelas 6h35 de dia 23, sendo que o cancelamento não está, para já, divulgado no site.A companhia aérea não tem qualquer aviso no site referente a este cancelamento (mas garante que todos os passageiros foram avisados), tendo, aliás, páginas com “voos baratos” para viajar para Caracas nos próximos meses. A TAP tem voos para Caracas não só a partir de Lisboa, mas também do Porto, Faro e Funchal.O aviso da autoridade federal de aviação americana (Federal Aviation Administration, ou FAA, na sigla em inglês) dirigia-se aos operadores aéreos na sua operação na região de Maiquetía, onde está o aeroporto internacional Simón Bolívar, na parte norte da Venezuela, “devido ao deteriorar da situação de segurança e da crescente actividade militar dentro ou em torno da Venezuela”.“As ameaças podem representar um risco potencial para a aeronave em todas as altitudes, incluindo durante as fases de cruzeiro, de aterragem e de descolagem, e/ou nos aeroportos ou no avião em descanso”As relações da Administração americana com a Venezuela têm recentemente sido marcadas pelo posicionamento militar dos EUA com a justificação de combate ao narcotráfico, inclusivamente com ataques concretizados a embarcações que já provocaram mortes. O regime de Nicolás Maduro aponta baterias a Washington, ao acusar Donald Trump de querer proporcionar uma mudança política no país.A iminência de uma luta armada tem estado presente naquele país situado nas Caraíbas. A BBC detectou inúmeros voos militares americanos na zona da costa venezuelana, mas não só – há igualmente navios de guerra estacionados perto do país, conforme contabilizou a estação televisiva britânica esta sexta-feira.As companhias aéreas americanas não voam directamente para a Venezuela e, pelas respostas que deram esta sexta-feira à agência Reuters, também já não sobrevoam o país há algum tempo, como confirmaram a American Airlines e a Air Lines.Ao início da tarde, o PÚBLICO contactou o Ministério dos Negócios Estrangeiros, nomeadamente para perceber que informações tem sobre esta decisão da TAP, mas ainda não recebeu respostas.










