Governo quer usar a inteligência artificial para melhorar os serviços do Estado
Na abertura da décima edição do Web Summit em Portugal, que decorre em Lisboa até 13 de Novembro e deverá receber mais de 70 mil visitantes e 2500 startups, o ministro-adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, apresentou as linhas da estratégia do Governo para fazer de Portugal um centro global de inovação em inteligência artificial (IA).Em representação do primeiro-ministro, Gonçalo Matias defendeu a criação de “um Estado mais inteligente, mais ágil e mais humano”, sustentando que a IA deve servir para simplificar a administração pública, aproximar os cidadãos dos serviços e reforçar a transparência. “A tecnologia deve empoderar os cidadãos e fortalecer a democracia”, afirmou.O ministro adiantou que a estratégia nacional para a inteligência artificial será apresentada nos próximos dias e que pretende articular tecnologia, economia e soberania. Entre as medidas previstas estão a criação de infra-estruturas digitais soberanas, como centros de dados nacionais — que o governante prevê que irá atrair “dezenas de biliões de euros em investimentos” —, e o lançamento de um plano de formação digital para mais de dois milhões de pessoas até 2030.Portugal quer também consolidar a aplicação da IA na administração pública através da Amália, o modelo de linguagem natural anunciado na edição anterior do Web Summit. O objectivo, reforçou o ministro, é permitir que os cidadãos interajam com o Estado de forma “mais direita e inteligente”, incluindo assistentes virtuais para serviços públicos e apoio ao ensino com tutores digitais personalizados.“Portugal tem as condições para ser um hub europeu de IA, com um ecossistema académico e empresarial que combina talento e inovação”, referiu Gonçalo Matias, sublinhando que a digitalização deve assentar em princípios de ética, segurança e confiança.Lisboa quer ser capital da inovação, da cultura e da justiça socialO presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, destacou no mesmo evento a ambição de tornar a cidade num espaço onde “a inovação se cruza com a cultura e a justiça social”.Moedas recordou o exemplo da cientista chinesa Tu Youyou, distinguida com o Prémio Nobel da Medicina pela descoberta de um tratamento para a malária, para sublinhar que “a cultura é a fonte da diferença humana num mundo de zeros e uns”.O autarca anunciou ainda que Lisboa vai receber mais um unicórnio, elevando para 17 o número de startups com valorização superior a mil milhões de euros presentes na cidade. Mas Carlos Moedas preferiu deixar para mais tarde a identificação desta empresa.“Quero que Lisboa seja a capital da inovação, da cultura e da justiça social”, afirmou, defendendo que o futuro da cidade passa por criar pontes entre tecnologia, arte e inclusão.










